Gráfico 1: mercado café em NY - vencimento dezembro 2007

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Apesar desta recuperação o mercado físico não se desenvolveu pois o dólar acumulou perda de 16,88% ao longo de 2007 encerrando cotado a 1,777 reais/dólar. Segundo indicador da Safras & Mercados o tipo 6 do cerrado caiu de R$ 280,00 para R$ 263,00 ao longo do ano (perda de 6,07%).
Na BM&F, o vencimento de dezembro/2007 encerrou com ganho de 3,21% (US$ 5,00) no mês cotado a US$ 161,00/sc (17/12/07); o vencimento março/2008 teve ganho de 2,96% (US$ 4,80) cotado a US$ 166,50/sc. No ano, o vencimento dezembro 2007 encerrou com perda de 4,17% (US$ 7,00).
O café robusta na bolsa de Londres, para janeiro/2008 encerrou o mês de dezembro cotado a US$ 1.850,00 com ganho de 2,61% (US$ 47,00/ton) e acumulou ganho de 25,59% (US$ 377/ton) neste ano de 2007.
A queda do dólar e os estoques de 2006/2007 pressionaram o mercado até maio, quando as especulações de clima frio e o plano PEPRO conseguiram mudar levemente a situação (neste período o mercado saiu de 110,00 para 122,60 cents/lb). Poderíamos dizer que os melhores momentos do ano foram trazidos por especulações quanto a seca no Brasil quando o vencimento de dez/07, em NY, atingiu a máxima de 140,50 cents/lb em 12/10/2007 mas não foi apenas este o bom momento. Com o estresse do mercado de câmbio trazido pela crise dos sub prime dos EUA em 16/08/2007, bons negócios puderam ser fechados em reais, quando a moeda saiu de 1,8420 (23/07) para 2,13 (máxima).
Juntamente com a seca e a crise do mercado financeiro internacional as commodities chamaram atenção de fundos de investimento como meio para proteger as carteiras de possíveis inflações que poderiam iniciar neste seguimento (petróleo, milho, soja etc). O restante do ano foi marcado pela estabilidade nos negócios e estabilidade na posição de fundos, o ano está terminando em um movimento levemente positivo, mas devemos vigiar com atenção a movimentação destes traders em NY que carregam grande posição comprada. O mercado também está ansioso para receber os números de projeção da safra de 2008/2009 no Brasil, a serem divulgados no dia 08/01/2008 pela CONAB e IBGE, onde poderemos ter melhor idéia quanto aos efeitos da estiagem acima citada.
No que diz respeito ao cenário fundamental do café temos muita coisa positiva, o que ocorre é que não devemos nos esquecer de que as commodities oscilam, isso é normal, natural e sempre será assim. Cabe a todos os profissionais da cadeia tentarem se proteger da melhor forma possível para levar um produto de qualidade a custos competitivos até o mercado consumidor. A grande sacada destes tempos não será reter mercadoria, mas mostrar para o mundo que o Brasil não só é o maior produtor como também produz café de qualidade. Não podemos esquecer que temos grande responsabilidade neste processo.
Hoje, pelos números estatísticos médios das instituições, a demanda interna Brasileira vem crescendo e já se aproxima de 20 milhões de sacas (consumo interno) nossas exportações giram em torno de 26 milhões de sacas (média bianual) sendo assim temos uma necessidade de produção de algo em torno de 45 milhões de sacas, sem falarmos nos novos mercados e negócios, como por exemplo a Ásia, que vem crescendo em grande velocidade com destaque para a China. E o Brasil em sua posição de líder dos países produtores deve também liderar a abertura deste mercado. A China mostra com os preparativos para olimpíadas de 2008 um orçamento de algo em torno de US$ 45 bilhões (a mais cara da história). Pretende dar ênfase em qualidade e está se elitizando, mostrando interesse em abrir mercado a cada dia, trazendo retorno em oportunidades de negócios para o país.
Neste momento a cadeia do café deve agir, com marketing (não apenas propaganda) mas pesquisar as tendências de consumo e as necessidades de nossos clientes lá fora,onde o governo e a iniciativa privada devem agir em conjunto o tempo todo. Não para trazer um preço alto artificial com redução esporádica de oferta mas sim abrir um mercado sustentável, fidelizar clientes e reduzir os diferenciais de exportação cobrados hoje no Brasil.
Obrigado a todos os amigos e parceiros pelo ano de 2007, e que Deus nos permita fazer grandes negócios em 2008!