Mercado de café - Perspectivas...

Literaturas consideram como região marginal para o cultivo de café aquelas que apresentam déficit hídrico na faixa de 150 e 200mm e região inapta para o cultivo regiões que tenham déficit hídrico acima de 200mm. É lógico que dependendo do tipo de solo o dano provocado na cultura do café pelo déficit hídrico pode ser maior ou menor já a partir de 150mm. Se já estamos com um déficit hídrico acima dos 200mm, na região do sul de Minas há de se prever que a queda da futura safra já está sacramentada, independentemente de vir ou não a chover nos próximos dias.

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O mercado de café segue apreensivo em relação a falta de chuva que afeta as regiões produtoras de café no Brasil. Essa apreensão, no entanto se apresenta de forma frágil na bolsa de Nova Yorque e qualquer notícia de possível chuva na principal região produtora de café no Brasil, ou seja no sul do estado de Minas Gerais, faz com que a cotação recue em um só dia até mais de 500 pontos.

Conforme se pode observar no gráfico abaixo, o déficit hídrico na região de Varginha - MG no final do mês de setembro era de 220,5 mm.

Figura 1

Fonte: Estações de Avisos Fitossanitários, Boletim de Avisos Nº 109. SETEMBRO/2007, do Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento SFA/SSV - MG

Clique no gráfico para ampliá-lo.

Nas duas literaturas citadas a seguir: O livro Cultura De Café No Brasil - Manual de Recomendações. Publicado pelo extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) em 1985 e no Informe Agropecuário, Ano 11 - n0 126 de junho de 1985. Publicação esta resultado de convênio entre a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG); Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL) atualmente, Universidade Federal de Lavras; Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); e Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Ambas as literaturas consideram como região marginal para o cultivo de café aquelas que apresentam déficit hídrico na faixa de 150 e 200mm e região inapta para o cultivo regiões que tenham déficit hídrico acima de 200mm. É lógico que dependendo do tipo de solo o dano provocado na cultura do café pelo déficit hídrico pode ser maior ou menor já a partir de 150mm.

Se já estamos com um déficit hídrico acima dos 200mm, na região do sul de Minas há de se prever que a queda da futura safra já está sacramentada, independentemente de vir ou não a chover nos próximos dias. Há de se ressaltar que em todo o estado de Minas Geras a situação é de déficit hídrico elevado no solo e é semelhante a da região sul do estado. Na região da Zona da Mata de Minas, segunda região produtora de café do estado, também está sem chuvas desde o mês de abril, o déficit hídrico se assemelha ao da região sul, mostrado no gráfico anterior. Aliás, a falta de chuvas está generalizada em todo o estado de Minas Gerais.

Esta situação de déficit hídrico me faz lembrar o ocorrido no ano de 1985/1986. Eu estava no meu primeiro ano de trabalho com a cultura de café, como Agrônomo. Naquele ano as chuvas só ocorreram em novembro. O Brasil havia colhido uma safra de 32,50 milhões de sacas em 1986 e no ano seguinte em 1987 colheu 13,5 milhões de sacas.

Como pode ser observado no gráfico abaixo o preço do café disparou. Indo a mais de 220 centavos de dólares por libra peso.

Figura 2

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E como se pode também observar no gráfico a seguir, o preço da saca de café ao nível de produtor se elevou consideravelmente em dólares.

Figura 3

Fonte: IBGE, 2007

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Como profissional que trabalha e estuda a cultura do café em todas as suas fases e os seus aspectos econômicos e sociais, não posso garantir que o mesmo efeito no preço irá acontecer na atualidade. Mas há uma grande probabilidade de acontecer o mesmo que naquela época, no entanto algumas ponderações devem ser levadas em consideração, vejamos:

• Em 1985/1986/1987 os estoques de café tanto no Brasil como nos demais países tanto produtores como consumidores eram altos e na atualidade os estoques de café, em todo o mundo, estão nos níveis mais baixos dos últimos tempos.

• A demanda de café no mundo cresce a uma taxa de 1,5% ao ano e a demanda de café no mercado doméstico cresce aqui no Brasil a uma taxa de 2% ao ano. O consumo doméstico gira em torno de 17 milhões de sacas e a exportação em torno de 27 milhões de sacas, assim o Brasil terá que ter produção média em torno de 44 milhões de sacas ano somente para abastecer o mercado interno e externo sem nenhuma sobra para fazer estoque.

• A logística na atualidade é bem mais eficiente que o daquela época. Se se gastava um determinado tempo para que o café saísse das fazendas até aos países consumidores esse tempo na atualidade é bem menor.

• Na atualidade, quase todos os mercados trabalham com estoque baixo. É o famoso "just on time". As empresas importadoras só adquirem quantidade de produtos suficiente para lhes abastecerem por um pequeno período de tempo.

• O preço do café em dólar já está em um patamar bem elevado. O fator que está impedindo ao produtor brasileiro de auferir renda maior é o câmbio.

• Naquela época praticamente todo o comércio de café era feito somente no físico aqui no Brasil e na atualidade há várias formas dos produtores comercializarem o café antecipadamente, tais como: CPR, contrato de antecipação de venda no mercado futuro com as empresas importadoras, troca de café por insumos com as empresas produtoras de insumos e etc. Todos estes mecanismos de comercialização já garantem uma certa quantidade de café disponível no mercado.

Figura 4

Fonte: Banco Mundial, 2004

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Há um fato também muito importante a ser considerado é que nos últimos tempos houve uma enorme concentração da renda gerada pelo café nos países consumidores. Como pode ser observado nos gráficos acima, os países produtores de café perderam renda para os países consumidores, portanto o repasse da renda ou seja de elevação de preço para o produtor não tem ocorrido na mesma proporção da elevação de preço para os consumidores dos países importadores. Basta observar no gráfico de cotação em NY que os picos de preço estão decrescentes.

Em 1991 os países produtores ficavam com 30% da renda gerada com o café, no ano de 2001 a porcentagem da renda que ficou com os países produtores diminuiu para 8% e já há determinados estudos apontando que atualmente a porcentagem da renda que os países produtores ficam é de 5%. Como há uma perspectiva de majoração dos preços da saca de café, é de fundamental importância os cafeicultores ficarem atentos a estacionalidade de preços da saca de café. Normalmente os preços seguem mais ou menos a tendência do gráfico abaixo.

Figura 5

Fonte: IBGE, 2007.

Clique no gráfico para ampliá-lo.

É importante chamar a atenção que esta média foi ajustada estatisticamente e o gráfico reflete uma tendência relativa e não absoluta, assim há determinados anos em que o pico de preço ocorre em meses diferentes do mostrado no gráfico acima. Há anos em que o pico de preço ocorre em janeiro e em outros anos ocorre em fevereiro e outros anos em maio.

Uma boa sugestão é que o produtor tenha um amplo conhecimento do seu custo de produção. Tanto os custos fixos como os custos variáveis. Assim com a soma dos dois custos ele tem um conhecimento do seu custo total de produção de uma saca de café. De posse dos conhecimentos acima descritos é importante que o cafeicultor tenha uma percepção e uma visão do todo a respeito da variação do preço do café ao longo do tempo e da variação do preço do café no ano. Assim se o cafeicultor tem o conhecimento total do seu custo de produção ele terá uma grande probabilidade de efetuar a venda num patamar satisfatório.

Para evitar ficar segurando o produto e sonhando em ficar rico de uma só vez e acabar perdendo as oportunidades de comercializar o seu café em um patamar de preço razoável, o aconselhável é o velho ditado de nunca colocar todos ovos na mesma cesta e o produtor comercializar o seu café parceladamente e assim o produtor obter uma boa média de preço na saca de café.

É importantíssimo o produtor ficar atento e pensar a sua produção como um negócio, uma empresa, onde as ferramentas da administração rural, tais como, o planejamento, a organização, a direção, e o controle esteja sendo utilizado. O custo de produção está elevadíssimo. Em dois anos, determinados insumos quase que dobraram de preço e a elevação do salário mínimo e queda do dólar em relação ao Real piorou mais ainda a situação. Hoje um salário mínimo com os encargos fica próximo de US$ 300,00 por mês e, neste caso, em particular o café cultivado em região montanhosa, o que torna obrigatoriamente intensiva o uso de mão-de-obra, a situação de elevação dos custos é bem mais pronunciada.

Penso que quem conseguir deter uma parte do seu estoque a partir de dezembro deste ano, irá comercializar café a um preço bem acima dos patamares atuais, pois no atual cenário, a próxima colheita, safra de café a ser colhida em 2008, tão sonhada e desejada grande safra, já foi pro saco. Dessa forma o estoque mundial reduzirá tão drasticamente que o cenário será de escassez e o tão sonhado excedente de produção, passará a ser um grande déficit.

Agora chega de prosa que o saco encheu. Até a próxima.
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Material escrito por:

Carlos Eduardo de Andrade

Carlos Eduardo de Andrade

Engenheiro Agrônomo, Mestrado em Economia Aplicada, Extensionista da Universidade Federal de Viçosa e produtor de café.

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Luiz Carlos de Castro Cunha
LUIZ CARLOS DE CASTRO CUNHA

ECOPORANGA - ESPÍRITO SANTO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 29/12/2007

Boa noite,

Também acredito no mercado altista principalmente neste início de ano. O autor foi muito feliz em seus comentários e fundamentos, é muito importante o produtor sempre realizar travas para aproveitar os bons preços que deverão acontecer nas entre safras.

Parabéns a todos e em especial a Carlos Eduardo.
Obrigado.
JOSUE
JOSUE

SALTO - SÃO PAULO - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 28/12/2007

bom dia a todos. e um feliz 2008

prezados amigos, eu gostaria de obter mai materias a respeito do cafe torrado e moido, em variuos sentidos,tipo a evolução de mercado e preços quais sao as empresas mais destacadas emfim...
um panoramico geral de cafe torradoo e moido.

abraços a
todos e um otimo 2008

josué
Leonardo Alves
LEONARDO ALVES

VIÇOSA - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 17/10/2007

Boa tarde,

Parabéns ao site CaféPoint por ser uma ferramenta de auxilio tanto à estudantes como produtores. Parabéns também ao Carlos Eduardo, pelo brilhante artigo que nos propicia uma visão de mercado e a atual situação de nossos cafezais.
Jorge Fernandes
JORGE FERNANDES

FURNAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 17/10/2007

Prezado Carlos Eduardo,

Parabéns a você e ao CaféPoint pelo excelente artigo. Pois, finalmente, alguém vem nos esclarecer quanto à época certa para a venda do nosso produto. À propósito, gostaria de sugerir que se criasse uma central de informação, onde o produtor pudesse ser orientado quanto ao momento certo de colocar à venda o seu produto.

Atenciosamente,

Jorge Fernandes
Furnas - Minas Gerais
Vinícius T. Andrade
VINÍCIUS T. ANDRADE

EM 17/10/2007

Boa noite a todos,

Gostei demais do conteúdo do artigo de Carlos Eduardo de Andrade em "Mercado de café-Perspectivas", em minha opinião foi muito claro e objetivo ao passar seus pensamentos.


Mauricio Lopes de Moraes
MAURICIO LOPES DE MORAES

ARAGUARI - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 16/10/2007

Excelente. O Carlos Eduardo foi muito feliz nos seus comentários e fundamentos, e também acredito no mercado altista principalmente neste início de ano. É muito importante o produtor realizar travas nestes momentos para aproveitar os bons preços que deverão acontecer.

Mauricio Lopes de Moraes
Produtor Araguari/MG. Cerrado Mineiro.
Cristiano Catheringer
CRISTIANO CATHERINGER

IBATIBA - ESPÍRITO SANTO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 16/10/2007

Quero parabenizar o autor pelo excelente artigo, composto por gráficos que facilitaram o entendimento do atual cenário de déficit hídrico, bem como das perspectivas de preço e mercado do nosso café.
maury faleiros
MAURY FALEIROS

FRANCA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 16/10/2007

Muito boa sua análise. Parece que os especialistas e o próprio produtor estão com medo de assumir uma situação tão real que é a eminente quebra dessa safra. Basta vermos os valores de suporte hídrico do cafeeiro e o maior agravante nesse ano é a temperatura em níveis alarmantes. O certo é dizer "Agora chega de prosa que o saco encheu". Vá em frente mestre.

João Carlos Remedio
JOÃO CARLOS REMEDIO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 16/10/2007

Parabéns pelo artigo. Não sei até quando as coronárias do cafeicultor irão aguentar. Nenhum ser vivo consegue suportar por tanto tempo sem água e ainda produzir bons e abundantes frutos. Com o café não é diferente. Apenas os olhos do oportunismo, da predação não querem enxergar. As tão sonhadas chuvas ainda nem chegaram e uma enxurrada de lamas nos atingiu nesse 15 de outubro negro. Como pode diante de tamanha adversidade, a bolsa de Nova York cair em um só dia quase 7%?. Se tudo estivesse correndo bem, qual seria o preço do café? Não sei se teremos coração para tudo isso! João Carlos Remédio.