* Por Daniel Telles Marques
Pode parecer exagero, preciosismo de coffee geek, os maníacos por café. Mas o café moído na hora tem mesmo mais qualidade. A explicação é bem simples: o que dá sabor e aroma à bebida são os compostos do grão que só se revelam bem contato com a água - quanto maior a área que tocar o solvente, mais compostos são liberados. Daí a razão para quebrar os grãos em milhares de partículas, que vão reagir com a água.
Segundo Hans-Dieter Belitz, Werner Grosch e Peter Schieberle, autores de Food Chemistry (a química da comida), mais de 850 compostos - lipídios (gorduras e óleos), proteínas, açúcares, ácidos e minerais, entre outras substâncias do café - são responsáveis pelo caráter da bebida.
A questão é que, assim que os grãos são quebrados, esses compostos entram em contato com o ar e começam a oxidar com mais intensidade, ou seja, a perder seus atributos mais rapidamente que quando o grão está inteiro. Por isso, moer os grãos na hora retarda as reações de oxidação e ajuda a manter o frescor e a potência dos sabores conseguidos durante a maturação e torra.
Apesar de ser uma das partes mais importantes do processo de preparação do café, a moagem tem sido menos estudada e comentada do que merece – há pouquíssimos trabalhos sobre métodos de moagem e os esforços estão mais em entender como o tamanho do grânulo interfere na extração que nas influências dos processos no que vai para a xícara.
Com a ideia de fazer você preparar um café cada vez melhor, o Paladar testou diferentes métodos de moagem e o impacto de cada um no sabor da bebida. O trabalho foi feito em parceria com a barista Cecília Sanada, que embarcou na experiência.
Com a ajuda da especialista, quebramos quase um quilo de grãos de café. Usamos pilão de pedra-sabão, liquidificador, processador, moedor automático específico para grãos de café, moedor manual com mó (parte do moinho) de cerâmica e moedor automático com regulagem de espessura para produzir grânulos grossos, médios grossos e médios finos, adequadas aos métodos escolhidos para as extrações: prensa francesa, cafeteira italiana e coador de papel, respectivamente.
Até testamos maneiras inusitadas de fazer café e fizemos um suco quente com os grãos. Colocamos o café inteiro no liquidificador, despejamos água fervendo e batemos tudo junto. O resultado? Nem tente. Ficou horrível, e daí se tira a uma das principais lições sobre moagem: para que água, açúcares, ácidos, minerais e proteínas se combinem da melhor maneira, as partículas de café devem ter tamanhos parecidos. Em pedaços muito grandes, as reações são mais lentas e menos eficientes, e nas partículas muito pequenas, são muito intensas, liberando sabores indesejados, como amargor e azedo. Esse descompasso estraga a bebida. Depois de experimentar 18 cafés, uma conclusão: os métodos de moagem interferiram radicalmente no que foi para a xícara, como você pode conferir nesta página. Veja os resultados de cada método testado.
Ah, mas não adianta comprar grãos ruins e pôr a culpa somente na moagem. Para
preparar café de qualidade, o primeiro passo é escolher bons grãos.
As informações são de O Estado de São Paulo.
Liberte o gênio do grão
Segundo estudiosos, mais de 850 compostos - lipídios (gorduras e óleos), proteínas, açúcares, ácidos e minerais, entre outras substâncias do café - são responsáveis pelo caráter da bebida. Esta seria a explicação, segundo o autor Daniel Telles Marques, de que o café moído na hora tem mesmo mais qualidade.
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