A importação de café e o futuro da cafeicultura sustentável brasileira

Ao longo de décadas os integrantes da cadeia café estão fazendo sua lição de casa para atender às demandas do respeitável e exigente consumidor. Por Francisco Sérgio de Assis, presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado.

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Por Francisco Sérgio de Assis*

Foto: Federação dos Cafeicultores do Cerrado/ Divulgação
 

Produzimos vários tipos de café, com quantidade e qualidade, em diversas regiões, sob uma legislação ambiental e trabalhista rigorosíssima, carregando uma pesada carga tributária, enfrentando as oscilações das bolsas, contribuindo com a receita do Agronegócio, ainda âncora da economia de nosso país.

Ao longo de décadas os integrantes da cadeia café estão fazendo sua lição de casa para atender às demandas do respeitável e exigente consumidor.

Produtores, exportadores, importadores, indústrias, as diversas entidades de classe representativas e Organizações Não Governamentais desenvolveram e implementaram os mais diversos códigos de conduta e certificações de café.

Democraticamente esses programas de origem e qualidade, possibilitam o acesso dos pequenos, médios e grandes produtores.

Os ganhos desse dinâmico trabalho são diversos:

- Para o produtor: quanto melhor o desempenho na aplicação das boas práticas, melhor a saúde financeira (e vice versa);

- Para o comércio: aumento das garantias limitando a possibilidade da compra de lotes de cafés com problemas;

- Para a indústria: monitoramento com a rastreabilidade;

- Para o consumidor: segurança alimentar;

- Para o marketing: consumo responsável;

- Para as comunidades: melhora do meio de vida e do ecossistema;

Contudo, isso não blinda o setor das variáveis climáticas.

Nesse momento, as indústrias de café solúvel, torrado e moído, afirmam que estão em dificuldades, estando pleiteando liberação para importar matéria prima, alegando falta de produto.

Se há ou não escassez de produto, se há ou não escassez de recursos para comprar a preço de mercado, a questão não é ser contra ou favor, o fato é que essa situação poderá ocorrer outras vezes em maior ou menor escala e nós não estamos preparados e organizados para tal decisão.

O quão danoso poderá ser essa liberação para nossa cafeicultura? Cadê o nosso plano de contingência para esse assunto?

Qualquer decisão intempestiva, sem uma avaliação criteriosa será inoportuna e inconsequente.

Devemos aprender com as dificuldades dos produtores de leite e de cacau com relação a forma de liberação para entrada de outros fornecedores e também com a abertura do mercado no governo Collor para a importação de automóveis que trouxe competividade para o setor e os consumidores ganharam com isso.

O assunto é sério e de muita complexidade, requerendo um minucioso estudo, pesquisas, focado, amplo e independente, desenvolvido e estruturado por especialistas, para que possamos exercitar os possíveis cenários, impactos, riscos, ameaças, vantagens competitivas e comparativas, bem como as oportunidades, estabelecendo regras e normas, definindo um planejamento estratégico sistêmico, com ações para curto, médio e longo prazo.
O momento é de união. A fase não é de lutas individuais e segmentadas mas de esforços coletivos. Um bom negócio é aquele em que os dois lados perdem: perdem o medo de ouvir, perdem as suas verdades absolutas e perdem a vontade de fazer o melhor negócio do mundo. E esse desprendimento deve permear nossas ATITUDES daqui para a frente.
Num mundo em acelerada mudança, empresas e segmentos inteiros de atividade não morrem somente por fazer algo errado e sim por fazer algo certo por um tempo longo demais. Daqui para a frente precisamos agir de maneira efêmera para continuarmos perenes. Se atuarmos de maneira perene, presos a nossas crenças e valores do passado, corremos um grande risco de ficarmos efêmeros.

Gestão nada mais é que a capacidade de dividir nosso tempo com sabedoria entre pendência e tendência. O desafio é que as pendências são tantas que elas nos afastaram das tendências. Está na hora de voltarmos a ser líderes gestores de fato e de direito, e não apenas líderes chefes de plantão.

Está em nossas mãos desenhar o futuro da cafeicultura sustentável brasileira que queremos. E, para isso, devemos estar não apenas abertos, mas engajados e integrados com toda cadeia café, nessa busca por novos caminhos.

Que Deus abençoe a todos nesse Natal com um Ano Novo de Paz, Saúde e muita Luz.

*Francisco Sérgio de Assis é presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado
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Hiper Agro
HIPER AGRO

CANDEIAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 27/12/2016

Fiz questão de replicar as frases do nosso ilustre Francisco Sergio de Assis pelo quão elas são acertadas com aquilo que precisamos enxergar para buscar novos caminhos.

Peço a permissão para usa-la em minha palestras pelas comunidades de meu município.

Parabéns pela bela explanação sobre um assunto tão polemico.
Hiper Agro
HIPER AGRO

CANDEIAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 27/12/2016

Num mundo em acelerada mudança, empresas e segmentos inteiros de atividade não morrem somente por fazer algo errado e sim por fazer algo certo por um tempo longo demais. Daqui para a frente precisamos agir de maneira efêmera para continuarmos perenes. Se atuarmos de maneira perene, presos a nossas crenças e valores do passado, corremos um grande risco de ficarmos efêmeros.



Gestão nada mais é que a capacidade de dividir nosso tempo com sabedoria entre pendência e tendência. O desafio é que as pendências são tantas que elas nos afastaram das tendências. Está na hora de voltarmos a ser líderes gestores de fato e de direito, e não apenas líderes chefes de plantão.
José Adauto de Almeida
JOSÉ ADAUTO DE ALMEIDA

MARUMBI - PARANÁ - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ

EM 24/12/2016

Parabéns  pela brilhante colocação  sobre a realidade  que  a cafeicultura  brasileira  está  atravessando. Precisamos  ser coerentes  e não  matar  a  " galinha  de ovos  de ouro " que  é  o cafeicultor por  causa  da primeira  adversidade  que  a indústria atravessa. Fases  críticas  passamos ...é podemos  (cafeicultores  e indústria ) sair  delas sem causar grandes  traumas  em nenhum elo da cadeia  sem a necessidade  importar em nome da sobrevivência ou  da competitividade.
Charles Alcantara
CHARLES ALCANTARA

ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 20/12/2016

Quando estávamos passando por uma crise com preços absurdamente baixo, ninguém ouviu nosso grito, mais agora que estamos respirando querem nos sufocar! Convido a serem produtores como nós! Muito facíl falar quando não tem noção do custo de produção! A teoria e bom, mais vem praticar conosco! Falar do suor dos outros e facil! Venha suar conosco!
Carlos Alberto de Carvalho Costa
CARLOS ALBERTO DE CARVALHO COSTA

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 19/12/2016

Show Sr. Francisco Sérgio de Assis, perfeito a sua explanação sobre um assunto tão delicado e complexo.                                   parabéns e continue lutando por nós, pequenos produtores de Conilon  capixabas, já severamente castigados pela estiagem que nos assola a muito tempo e dívidas extentendidas mas impagáveis com o custo de produção altíssimo.