Bruno Varella Miranda

30/06/2008

Efeitos de segunda ordem

Quanto mais gente bem preparada se dedicar à atividade agrícola, maiores nossas chances de encontrar soluções criativas para os desafios da área. A inovação não costuma nascer nas mãos de poucos, mas sim com a ampliação da participação dos cidadãos na atividade econômica. Ao negarmos a milhares de jovens a possibilidade de inserção ativa em seu meio local, estamos "matando" um sem número de empreendedores em potencial, daqueles que realmente poderiam fazer a diferença.

29/05/2008

Já não era sem tempo

Poços de Caldas foi palco de um evento que há muito se fazia necessário para a cafeicultura brasileira. Afinal, a organização do I Simpósio de Certificação de Cafés Sustentáveis trouxe para o centro das atenções um tema muito discutido e geralmente pouco compreendido. Em um setor no qual debater o nível de preços é rotina, muitas vezes faltam discussões acerca dos caminhos para a valorização da cafeicultura. Comparar iniciativas, esclarecer dúvidas, ter contato com iniciativas de sucesso: durante três dias, foram diversos os atrativos para as pessoas que se deslocaram até esta cidade mineira.

29/04/2008

Mostrem um caminho (mas apenas um)

Paul Krugman, um dos economistas mais respeitados do mundo, cujos artigos na imprensa costumam ser amplamente divulgados e comentados, criticou a política de governos e agentes privados referente aos estoques de commodities. Na opinião do norte-americano, a complacência generalizada levou ao desmantelamento de um instrumento que poderia evitar, em momentos de carestia como a atual, o prolongamento de uma crise que já provocou diversas mortes nas porções mais pobres do globo.

15/04/2008

Um tema inesgotável

De fato, sustentabilidade é a palavra do momento. Nosso último artigo contou com uma repercussão bastante grande, talvez a maior desde que passamos a escrever para o CaféPoint. Para tamanha participação dos leitores, gostaríamos de expressar nosso agradecimento. Muitas vezes a academia é comparada a um castelo de marfim, intransponível àqueles não acostumados aos seus rituais e forma de trabalho, e esta imagem não combina em nada com aquilo que defendemos. Na verdade, acreditamos que é esta interação entre a "teoria e a realidade" o principal oxigênio para o desenvolvimento de ambas as facetas.

31/03/2008

Sustentabilidade pra quem?

De forma crescente, nem mesmo a chance de se pensar duas vezes é dada aos produtores. Atentas ao gosto do consumidor, algumas empresas vêm aumentando a exigência em relação ao produto adquirido, buscando o fornecimento da matéria prima perfeita. Nas gôndolas dos supermercados, é crescente o interesse no oferecimento de um café com o maior número de atributos possíveis, como qualidade, respeito a regras sociais, ambientais, etc. No entanto, na hora de pagar a conta, é rara a iniciativa que se disponha a transferir mais recursos aos produtores. Aumenta a exigência, porém os ganhos da ponta da produção continuam constantes.

14/03/2008

O Peru e as novas tendências

Em números, o café é o principal produto agrícola do Peru no quesito exportação. Com 35% da produção vendida aos alemães e 22% com destino em terras norte-americanas, o Peru vendeu mais de 500 milhões de dólares em 2006, com previsão de crescimento na próxima década. O consumo de café no Peru ainda engatinha, principalmente se comparado com os padrões observados em seus vizinhos. Contribui para isso os costumes da população e a pobreza predominante em diversas porções de seu território, e por isso o mercado internacional é a meta. Leia-se, competição com o café brasileiro.

28/02/2008

Ainda há tempo

Para quem produz tanto café, o Brasil passa inexplicavelmente despercebido em diversos segmentos desse mercado. No supermercado especializado na venda de produtos frescos e orgânicos, nos EUA, as gôndolas possuem cafés africanos, indonésios, centro-americanos, colombianos, porém nada de ler uma legenda com o nome de nosso país. Na cafeteria especializada em gostos exóticos, nada de encontrar uma região bucólica brasileira estampada em um quadro ou foto; também neste campo estamos perdendo batalhas. Nos próximos 10 anos, será a China o principal alvo das companhias. Centenas de cafeterias serão abertas, novos hábitos passarão a fazer parte da rotina da crescente classe média chinesa, entre os quais o consumo de café provavelmente figurará. Teremos condições de atuar mais próximos dos consumidores internacionais, e assim abocanhar uma fatia maior de um bolo cada vez mais suculento?

14/02/2008

O legado do Dr. Ernesto Illy

No último dia 03, faleceu em Trieste o Dr. Ernesto Illy. Seu legado para a cafeicultura é maior do que muitos pensam, e certamente se manterá em voga por um longo tempo. Basicamente, o Dr. Illy percebeu antes da maioria algo que nos dias atuais soa óbvio aos ouvidos dos agentes do setor: qualidade deve ser a meta. Suas ações influenciam a todos na atualidade, ainda que indiretamente, e no caso do Brasil este fato é claro. Basta citarmos a evolução na consciência de milhares de cafeicultores, no redirecionamento dos investimentos de parte dos empresários, entre outros.

31/01/2008

Apesar dos meios, os fins coincidem

País comunista, produtor de café Robusta, o Vietnã possui um enorme potencial para atrair os mais diversos estereótipos. Por exemplo, a associação com a ineficiência poderia ser recorrente, ainda que a abertura e a perspectiva por reformas faça com que as análises recentes tenham preferido se focar em eventuais aspectos positivos. Além disso, questões como a política salarial no país, os parâmetros ambientais adotados na produção e a capacidade dos cidadãos questionarem isso são igualmente polêmicos. Esta seção não pretende discutir as vantagens de um livre mercado ou as pragas disseminadas com um regime comunista, ou híbrido, como neste caso. Basicamente, o que será feito é a discussão de cada um dos esterótipos acima, muitos dos quais nos levam a informações interessantes.

15/01/2008

Liquidez ou hedging?

Na atualidade, a maioria dos agentes tem preferido a atuação em mercados caracterizados pela maior liquidez e menores custos, o que explica os enormes fluxos negociados na bolsa de Nova Iorque. Apesar disso, a possibilidade de obter um contrato mais ligado às especificidades do produto negociado, algo possível na BM&F, por exemplo, faz com que esta seja um alvo preferencial para o hedging. Nesse sentido, o fortalecimento da conscientização dos cafeicultores acerca dos benefícios da atuação em mercados futuros deve contribuir para o fortalecimento do sistema como um todo, com a vantagem de que a base locacional do mercado brasileiro permite contratos direcionados às nossas necessidades.

27/12/2007

Questões políticas e econômicas da regulamentação

De acordo com um grupo de pesquisadores holandeses, a regulamentação pode sim ser a solução para a instabilidade das cotações nos mercados internacionais de commodities. Para sustentar este argumento, são apresentados diversos outros, direcionados tanto aos críticos do estabelecimento de acordos nesses moldes, como àqueles que se apressam em apontar as falhas do passado neste campo. Argumenta-se que a conta da regulamentação deve ser paga pelos consumidores dos países do Primeiro Mundo. Manter as cotações mais altas deve passar pelo repasse dos custos a europeus, norte-americanos e japoneses, cuja melhor condição social deveria financiar a cafeicultura dos países em desenvolvimento.

14/12/2007

O que ficou de 2007

O câmbio, por exemplo, é um tema do qual os cafeicultores certamente gostariam de receber melhores notícias em 2008. De acordo com o USDA, serão produzidos 122,9 milhões de sacas, um número 11,4 milhões de sacas inferior à safra 2006/2007. Os baixos estoques no Brasil refletirão nos dados de estoque mundial de café para a safra 2007/2008. Para o próximo ano, o USDA prevê que o mesmo caia a 18,3 milhões de sacas, um número considerado extremamente baixo. O Vietnã exportará menos em 2007/2008, porém não é claro o que poderia ser esperado dos próximos anos. A Colômbia segue na terceira posição, ao passo que os países da América Central, se mantém imersos na incerteza derivada de um delicado quadro institucional.

22/11/2007

Chegou a vez do Robusta?

Para sustentar o aumento do crescimento doméstico na Ásia será necessária uma quantidade crescente de café Robusta, matéria-prima por excelência quando o assunto é a produção de café solúvel. O crescimento do Vietnã na década passada tem em parte suprido essa demanda; no entanto, quem observou o comportamento das cotações do Robusta ao longo do ano em Londres e o comparou com o quadro observado em Nova Iorque para o café Arábica vê que há espaço para o aumento da produção no primeiro caso.

12/11/2007

Quanto ganha um cafeicultor?

Primeiramente, emerge o problema da "sazonalidade X comercialização". Há muito levantado por estudiosos do tema, este segue sem solução aparente, não tanto pela ausência de sugestões para a gestão deste tópico, e sim pela tímida inserção dos produtores em mecanismos que poderiam garantir um seguro aos mesmos. Cabe saber se isto se deve ao desconhecimento dos mesmos acerca dessa possibilidade ou a uma desconfiança dos mesmos a recursos alternativos.

29/10/2007

Para novos problemas, um novo remédio

Uma das conseqüências do período de regulamentação foi a perda de participação do café brasileiro no mercado internacional. Uma das lições que pudemos tirar desse período é que as falhas de mercado impõem propostas inovadoras que visem minimizar os efeitos da oferta concentrada em períodos determinados e os efeitos da volatilidade dos preços. Ou seja, novos problemas pedem novas soluções. Por mais paradoxal que seja, o problema da volatilidade deve ser combatido com o mesmo veneno: os mercados futuros.

09/10/2007

Fortalecimento do mercado = acirramento da competição

A fim de termos plena noção da lógica por trás da organização do comércio internacional de café, é fundamental lembrarmos que este produto é produzido exclusivamente em países em desenvolvimento, tendo seu processamento e consumo concentrado principalmente naqueles Estados com maior renda per capita. Se por um lado é inexistente a atuação de lobbies de produtores nos Congressos dos países desenvolvidos, por outro há consideráveis interesses envolvidos quando o assunto passa pelo suprimento de matéria prima às empresas dedicadas ao processamento de café. Com isso, é natural a guinada na orientação norte-americana frente ao café pós-queda do Muro de Berlim.

27/09/2007

Novas fronteiras para o consumo de café

Em geral, a preocupação de formuladores de políticas públicas voltadas ao setor cafeeiro se concentra na criação de condições para a manutenção dos preços do produto em níveis que permitam aos produtores a continuidade na atividade. Para isso, os mesmos contam com o trabalho de pesquisadores preocupados em descrever e entender a lógica por trás deste complexo problema. Evidentemente, há uma série de limitações nesta busca, originadas do fato de que as sociedades em que estes cafeicultores se inserem são via de regra bastante complexas, e compostas por diversos grupos de interesse.

12/09/2007

A relação produtor - comprador em foco

Temos tratado recorrentemente das oportunidades relacionadas à produção de cafés especiais, mostrando tendências globais de consumo e apresentando alguns de nossos principais concorrentes. Aqui, buscaremos apresentar um rápido perfil do cafeicultor dedicado a este filão do mercado, baseados em uma pesquisa recente patrocinada pela torrefadora illycaffè, importante compradora de cafés com qualidade superior. Indo além, comentaremos os fatores envolvidos na relação entre cafeicultores e seus parceiros na comercialização, com atenção especial a possíveis fatores de instabilidade.

21/08/2007

Venezuela muito além do petróleo

O café foi introduzido na Venezuela em meados do século XVIII, sendo as primeiras mudas levadas por missionários espanhóis que as obtiveram no Brasil. Rapidamente seu cultivo foi iniciado em diversas regiões do país, e não mais de um século foi necessário para o estabelecimento da produção em larga escala no país. Estamos falando de um país concentrado na produção de café Arábica de boa qualidade, algo que será cada vez mais valorizado nas próximas décadas.

20/07/2007

Drawback: em benefício de quem?

É interessante observarmos que a posse das marcas de café mais valiosas se concentra nos países desenvolvidos, bem como as principais empresas responsáveis pela comercialização do produto. Neste contexto, países como o Brasil, com toda a sua diversidade na produção, são cada vez mais vendedores de um ingrediente, cuja existência é essencial para a elaboração das mais diversas receitas, mas com uma valorização abaixo da esperada. Nesse sentido, permitir o drawback pode abrir espaço para a consolidação de marcas nacionais, que explorem esta característica do mercado internacional.