Ser ou não ser (certificado), eis a questão!
Rodrigo B. Cascalles, engenheiro agrônomo do Imaflora, convida o leitor do CaféPoint a refletir sobre as verdades e mentiras em geral acolhidas pelo senso comum do setor a respeito de práticas sustentáveis na propriedade agrícola. Para isto, lança mão de recursos dialéticos, próprios de quem investiga uma questão com base em fatos palpáveis e exemplos reais. Confira
Publicado em: - 3 minutos de leitura
E, às vezes, isso acontece porque não acreditamos que somos capazes de aproveitá-la.
Surgem, então, as verdades absolutas:
"Conseguir tal feito é impossível!"
"Esse negócio não é tão bom assim!"
"Está bom do jeito que está!"
Além das afirmações acima, outra frase bem comum de se ouvir é a famosa:
"O que eu ganho com isso?"
É uma excelente pergunta. Inclusive, constantemente coloco vários aspectos da minha vida sobre essa análise. Ela remete à idéia daquilo que você ainda não tem, mas vai ter (ganhar) se fizer algo novo, como comprar um produto, serviço ou adotar uma nova maneira de agir.
O fato é que nem sempre consigo uma resposta que me satisfaça, então recorro a outras três perguntas que me ajudam a nortear a decisão. O risco que não quero correr é o de arrumar alguma desculpa para não aproveitar uma oportunidade. E, em muitos casos, essas desculpas escondem apenas o simples (e burro) medo de falhar.
As três perguntas complementares que utilizo são:
"O que eu perco, se eu obtiver isso?".
Essa questão remete àquilo que você já tem, mas vai perder se fizer algo novo. Um exemplo é a perda de privacidade quando se conquista a fama. As pessoas públicas sabem bem o que é isso. No entanto, pensar apenas por essa lógica pode fazer com que você adie uma decisão importante. Pode ser uma grande armadilha e para evitá-la é necessário aprender a minimizar o efeito das perdas. Outro exemplo típico, desta vez no universo das certificações, é a "perda" da paz, da rotina e até da honra devido aos questionamentos que acontecem durante a "encheção de saco" das auditorias. O produtor deixa de aproveitar uma série de benefícios, pois se prende ao auto martírio de 1 ou 2 dias de auditoria em 365, ao longo do ano. É uma auto sabotagem incrível!
Outra pergunta chave é:
"O que eu perco, se eu não obtiver isso?"
Remete àquilo que você ainda não tem e vai deixar de ganhar se não fizer algo novo. Um exemplo são os prêmios e o reconhecimento que atualmente muitas certificações oferecem. Alguns vão dizer que o cafeicultor brasileiro já é o mais sustentável do mundo. Essa frase me soa mais como um ato político do que vontade de ajudar. Independente da intenção, eu pergunto:
Como o consumidor pode ter certeza do nível de sustentabilidade no qual um produtor se encontra? Como o próprio produtor pode saber o que melhorar, se ele não abre seu campo de visão através de uma opinião externa?
Umas das perdas mais reais de não buscar uma certificação nos dias de hoje é o "financiamento" que o produtor recebe, através dos prêmios, para tornar seu negócio mais eficiente, rentável e permanente ao longo das gerações. É como se você recebesse dinheiro para cuidar do seu carro, deixando-o mais veloz, mais bonito e mais econômico. Incrível, não é? É justamente isso que algumas certificações proporcionam. O dinheiro é transferido das mãos do consumidor até chegar ao produtor para que este reinvista e melhore o seu próprio negócio. É isso o que você vai perder!
Por fim, a pergunta:
"O que eu ganho, se não obtiver isso?
Remete àquilo que você ainda não tem, mas vai passar a ter (ganhar) se não fizer algo novo. Pensar apenas por essa lógica também é arriscado, pois pode te oferecer um pequeno prazer em troca de não mudar uma atitude. São os ganhos secundários que te afastam do ganho mais importante. Como eu não consigo enxergar um exemplo para essa lógica nesse momento, deixo a pergunta:
"O que você não tem ainda e vai ganhar, se não obtiver uma certificação?"
Para ajudar no raciocínio, deixo abaixo os consensos que a Organização Internacional do Café chegou acerca do que a Cadeia Produtiva Café - e a sociedade por tabela - ganha com os principais sistemas de certificação.
1. Maior conscientização;
2. Uso de técnicas de melhoramento contínuo;
3. Preservação do meio ambiente;
4. Melhoria na utilização da água;
5. Aumento da produtividade;
6. Aumento da qualidade e melhora das condições de vida dos trabalhadores, com maior acesso à educação e a assistência médica
Espero que as quatro perguntas possam te ajudar nas tuas próximas decisões e, desta forma, evitar erros que tanto nos afastam de alcançar melhores resultados na vida e nos negócios.
Boa reflexão!
Material escrito por:
Rodrigo Cascalles
Eng. Agrônomo (ESALQ/USP) e Executive Coach (Sociedade Brasileira de Coaching). Tem por objetivo contribuir no aumento da sustentabilidade e dos resultados positivos na agricultura.
Acessar todos os materiaisDeixe sua opinião!

SUZANO - SÃO PAULO - ESTUDANTE
EM 25/01/2013
Fico muito feliz e grata por contar com o seu retorno dando seu parecer. Para mim é muito importante conhecer os experimentos e opiniões dos produtores.
Gostei das informações que me relatou sobre Rastreabilidade. Há 2 anos atrás, no 1º semestre do meu curso de Agronegócios, eu tive como trabalho, um artigo sobre Rastreabilidade, o qual falamos sobre as medidas e procedimentos do O SISBOV - Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina, suas modernidades e contradições, e tbm, sobre a PGA - Plataforma de Gestão Agropecuária, criada pelo MAPA para substituir o antigo banco de dados existente.
Que bom que está satisfeito com a certificação. Boa sorte e sucesso nos negócios.
Se vc puder nos fale mais sobre Certifica Minas Café,
Angela.

SERRANIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 24/01/2013
PIRACICABA - SÃO PAULO
EM 15/01/2013
>
Realmente, certificação e sustentabilidade são tendências.
A sustentabilidade tem a ver com os valores que as novas gerações acreditam ser importantes.
A certificação existe para comprovar que o sistema produtivo cumpre aquilo que prega, fornecendo, por meio de selos, a mensagem ao consumidor final.
Quem paga a conta é sempre uma pergunta chave. Atualmente, a conta do desrespeito pela saúde do meio ambiente (e, por consequência, nossa saúde também) é rateada.
Todos nós pagamos por certas lógicas insanas de produção e consumo desmedidos, mas isso só vai mudar quando os nossos valores mudarem.
Estamos caminhando...
Feliz 2013!!!

SUZANO - SÃO PAULO - ESTUDANTE
EM 15/01/2013
Bom 2013 para vc "Rodrigo"
"unidos seremos fortes "
PIRACICABA - SÃO PAULO
EM 12/12/2012
Com o devido tempo, vamos construir uma grande rede de profissionais que compartilharão soluções verdadeiramente equilibradas.
Temos as certificações como um mecanismo passageiro...que incentiva e remunera aqueles que saíram na frente....os visionários....
É um longo caminho de mudança de paradigma....até que a sustentabilidade seja a regra, não a exceção.
Chegaremos lá!
CAMPOS GERAIS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 06/12/2012
SÃO PAULO - SÃO PAULO
EM 06/12/2012

TRÊS PONTAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 06/12/2012
Como testemunho pessoal posso dizer que o Certifica Minas, onde tudo começou, fez com que eu tivesse uma visão empresarial do negócio fazenda e pudesse ter a gestão do negócio nas minhas mãos.
A propriedade que administro tem mais de 80 anos e pela 1a. vez, após a certificação, conseguimos fazer cafés de qualidade com pontuações de 82 a 85 SCAA para cafés naturais.
As técnicas que me foram apresentadas e foram adotadas tiveram importância primordial na forma como produzimos cafés. Além disso, permitiu a conscientização dos trabalhadores para a preservação do meio ambiente e melhoria na qualidade de vida de todos. O custo para obtenção do Certifica Minas é realmente pequeno em comparação com o benefício que trouxe para a Fazenda, os trabalhadores e a qualidade do café produzido.
As demais certificações foram conseguidas com muito mais facilidade pois a fazenda já estava preparada.
Portanto, na minha opinião, a certificação é fundamental para a gestão profissional da fazenda e para a melhoria do modo de produzir, do produto produzido e para redução geral de custos.
Posso dizer por experiência própria que com certeza vale a pena ser certificado.

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE CAFÉ
EM 04/12/2012
DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO
EM 03/12/2012