Cuidado ao abanar cafés oriundos de lavouras com estresse hídrico

Por José Braz Matiello e Saulo R. de Almeida, engenheiros agrônomos do Mapa e Fundação Procafé.

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Por José Braz Matiello e Saulo R. de Almeida, engenheiros agrônomos do Mapa e Fundação Procafé

A lavoura cafeeira passou, neste último ano, por um período de forte stress hídrico na fase de granação dos frutos de café, com maiores perdas observadas no Sul-Oeste de Minas, principal região cafeeira do país.

Em consequência da falta de água, o enchimento dos frutos ficou prejudicado em diferentes níveis, desde o chochamento total, até grãos pequenos e pouco densos, dando origem a peneiras miúdas ou a um maior volume de cafés escolha. Foi normal verificar perdas de mais de 20% apenas com relação ao menor tamanho e peso dos grãos, em relação a amostras normais, de anos anteriores.

O objetivo da presente nota é alertar sobre o problema que a má granação pode representar em relação ao trabalho de abanação do café, especialmente na abanação mecânica.

Como se sabe, a abanação usa o ar para separar as impurezas leves, que vêm misturadas com os frutos. Igualmente, pelo principio da densidade, na abanação podem ser separados frutos mais leves, especialmente os chochos.

A separação da abanação, assim, depende da regulagem da coluna de ar, produzida por turbinas ou ventiladores. No caso deste ano, onde houve muito chochamento e má granação dos frutos, tem-se verificado, na prática, que muitos frutos que possuem um pequeno volume de massa de grãos, vêm sendo separados junto com as impurezas, o que representa prejuízos, afinal, estes grãos acabam representando um peso extra no total do café produzido.

Deste modo, nosso alerta é no sentido de que, os gerentes das fazendas orientem os operadores a tomarem cuidado de não usar os abanadores com muito ar. Eles devem, frequentemente, observa r os frutos de café que acabam se juntando no resíduo abanado. Caso estejam passando frutos com grãos ainda aproveitáveis devem regular melhor o abanador.

O sistema de abanação mecânica, montado na entrada da bica de jogo, que recebe o café da roça, antes do lavador.


O monte, ou grande volume de resíduos separados pelo abanador, onde, também, se encontram frutos de café mais leves.



Detalhe do monte com s frutos encontrados junto ao residuo da abanação e os frutos separados na mão, mostrando, após retirada manual da casca, a presença de grãos miudos, leves (ver na extremidade do dedo) porem aproveitáveis.
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José Braz Matiello

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Arlindo Glória
ARLINDO GLÓRIA

SANTARÉM - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 07/11/2014



A experiência é a mãe das coisas bem feitas ou bem ditas e

os comentários acima são amostra disso.
Albino João Rocchetti
ALBINO JOÃO ROCCHETTI

FRANCA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 04/11/2014

A verdade é que aos olhos dos mestres, nada passa desapercebido!

Quantas vezes negligenciamos nesta regulagem,e, quantos quilos de "cafezinhos" jogamos fora.

Muito oportuno este comentário, que serve como alerta, para não "baixarmos a guarda" nos nossos controles, pois o prejuízo pode estar na soma de pequenas perdas!