Certificação Socioambiental: viável ao pequeno produtor?
Muito me preocupa o que tenho ouvido sobre a certificação socioambiental da Rede de Agricultura Sustentável (RAS), talvez mais conhecida através do selo Rainforest Alliance Certified. Alguns a consideram uma utopia, algo impossível para o pequeno produtor devido ao teor das exigências da Norma.
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Lembremos, porém, que esta Norma é internacional, ou seja, utilizada também em outros países como Colômbia, Guatemala, Honduras, Costa Rica, entre outros, onde a cafeicultura é composta por pequenos produtores. O termo "pequeno" no Brasil é relativo, mas estou falando de 0,5 hectare, 1ha, 3ha, e assim por diante.
Se a certificação da RAS fosse inviável para pequenos produtores, será que a cafeicultura da Colômbia estaria nesse mercado? Atualmente, 1,3% do café mundial é Rainforest Alliance Certified. As vendas anuais de café Rainforest Alliance Certified são estimadas em US$ 1 bilhão.
O que a Norma RAS exige das propriedades agrícolas é apenas o necessário para garantir a conservação dos ecossistemas; conservação dos recursos hídricos e utilização eficiente da água; conservação dos solos e práticas agrícolas tecnicamente fundamentadas; tratamento justo, boas condições de trabalho e segurança ao trabalhador; compromisso com a comunidade, além de uma boa gestão da propriedade.
Essas atitudes básicas e fundamentais otimizam os recursos disponíveis na propriedade e profissionalizam a cafeicultura. Cada propriedade tem sua estratégia para alcançar esses objetivos. Não existem modelos específicos. Existe sim o conceito e maneiras distintas de como esses objetivos podem (e devem) ser aplicados, dependendo do caso.
Material escrito por:
Rodrigo Cascalles
Eng. Agrônomo (ESALQ/USP) e Executive Coach (Sociedade Brasileira de Coaching). Tem por objetivo contribuir no aumento da sustentabilidade e dos resultados positivos na agricultura.
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SÃO PEDRO DA UNIÃO - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 02/05/2010
GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 29/10/2009
PIRACICABA - SÃO PAULO
EM 23/10/2009
Agradeço o comentário. Conheço e admiro seu trabalho junto aos pequenos produtores. O nosso desafio enquanto técnico é aprender a olhar a necessidade do próximo. Estimular a mudança, mas nunca forçá-la.
Fica a pergunta: quem aprende com quem? O professor ou o aluno? O técnico ou o produtor?
Em um universo multicultural tão rico quanto é o campo, como podemos simplesmente padronizar o sistema produtivo? A Norma RAS existe para levar conceitos de boas práticas agrícolas, aplicados segundo cada realidade.
Bom trabalho..
Um abraço,

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 22/10/2009
Oportuna a sua matéria. Tenho trabalhado com projetos em certificação RAS em propriedades familiares-Projeto REDECAFÉ. Confesso que é um desafio a ser vencido até para nós consultores, pois como você mesmo disse, não existe um modelo específico, cada propriedade é uma realidade diferente.
Mas são esses desafios que tornam o trabalho prazeiroso e gratificante. O segredo do acesso dos familiares à certificação está na união (certificando em grupo) e na qualidade das informações e alternativas levadas aos cafeicultores.
Outro ponto interessante é o cafeicultor familiar conhecer e explorar os benefícios indiretos da certificação. Depois que ele passa a enxergar e fazer parte de todo o processo da certificação, o trabalho desenvolve com mais facilidade. E na maioria das vezes o cafeicultor passa a ver que a certificação não está tão longe da sua realidade quanto ele imaginava, ou seja, é possível, viável e necessário.
Um abraço,
PIRACICABA - SÃO PAULO
EM 25/08/2009
Agradeço os comentários.
A certificação tem cumprido o papel de estimular as boas práticas agrícolas. O produtor que conhece seu sistema produtivo é capaz de tomar melhores decisões.
Os funcionários de fazendas certificadas com o selo Rainforest Alliance são diferenciados, pois recebem capacitação e possuem boas condições de trabalho.
A Norma da Rede de Agricultura Sustentável (RAS) exige critérios técnicos no manejo de pragas e doenças, na fertilização, na irrigação e nas demais práticas de cultivo.
O produtor certificador faz por merecer. Trabalha duro e tem retorno. O seu produto, no entanto, precisa ser vendido. Precisa ter qualidade e volume suficiente para atender ao mercado, segundo comentou o colega Guilherme Amado.
Os produtores pequenos precisam se unir, criar volume, se organizarem. É desta forma que o pequeno se torna grande e cria poder de negociação. É possível e necessário.
Saudações a todos.

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 19/08/2009
O atendimento aos requisitos da Norma RAS não configura missão impossível para pequenos produtores, desde o primeiro requisito já existe a observação que as exigências, principalmente documentais, serão cobradas de acordo com as características e tamanho de cada empreendimento. A certificação RAS, assim com as demais certificações existentes hoje no Brasil e no mundo, configuram uma oportunidade de negócios para os cafeicultores, independentemente do seu tamanho. Em essência, nada mais é do que cumprir com as leis existentes.
Para os pequenos produtores, entretanto, fica a observação de que o melhor caminho é a certificação em grupo, para garantir um volume significativo de forma a atender a demanda dos clientes nacionais ou internacionais. Não há como entrar no mercado oferecendo apenas um container de café beneficiado por ano. A quantidade de sacas disponível é um ponto crítico que deve ser considerado.
Esperamos que mais grupos de pequenos produtores comecem a ser formados, dentro ou fora de cooperativas.
Guilherme Amado
Consultor - SKG

CAXAMBU - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 10/08/2009
Eu li o seu artigo sobre certificção e gostei muito. Tenho um Sitio de 15 hectares no municipio de Baependi MG, no qual eu sou produtor de café. Tenho muito interesse em certificar a minha propriedade e aproveitando a sua matéria, gostaria de saber como eu faço para dar os primeiros passos para a certificação.
Se for possivel a sua colaboração nesse assunto, ficarei muito grato.
Francisco Antonio de Castro Pereira
Cafeicultor
Baependi MG

VARGINHA - MINAS GERAIS
EM 22/06/2009
Hoje é mundialmente comentado sobre a proteção de nossos recursos hidricos, sobre a preservação das florestas, enfim, de nosso ecossistema.
O que a certificaçãoe esta trazendo é somente uma norma para que o mercado esteja falando a mesma linguagem, cumprindo os mesmos princípios e também fazendo com que o trabalhador esteja protegido pelas leis do trabalho.
Podemos então dizer com segurança que a certificação nada mais é do que uma forma de adequar nossa agricultura, nosso agronegócio, às leis hoje vigentes frente as normas das certificadoras. Com isso ganharemos este mercado de café certificado de que a Colômbia participa com 1,3% de sua produção.
João Aparecido da Silva
Economista - Universidade Catolica de Santos
Especialista em Manejo Ambiental na Agroindustria- Ufla-Lavras-MG
Gerente do ARmazens Gerais Leste de Minas - Varginha-MG