Anormalidades na floração por excesso de chuvas e a vantagem do ovário ínfero

Duas novas observações sobre fisiologia, particularmente, no aspecto da floração de cafeeiros. Por José Braz Matiello, engenheiro agrônomo da Fundação Procafé.

Publicado em: - 1 minuto de leitura

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Não somos especialistas em fisiologia, mas temos visto que esta área de conhecimento é muito importante para analisarmos as coisas que ocorrem nas lavouras de café. Particularmente, no aspecto da floração das plantas, creio que ainda temos algo a aprender. Por isso, trago aqui duas novas observações.

A primeira diz respeito ao que ocorreu, recentemente, na Chapada Diamantina, na Bahia, em cafezais que abriram a florada em um período de chuva intensa e continuada, onde choveu cerca de 300 mm em 15 dias de novembro de 2014. Nos cafezais sob estas condições verificou-se que a abertura da florada ficou retardada e muitas flores não chegaram a abrir normalmente. Muitos botões ficaram maiores, de cor branca, mas ou não abriram antes de cair ou abriram em flores com aspecto anormal, conforme se pode ver nas fotos. Isto é estranho, pois o que sabemos é justamente o contrário, vez que o diferencial hídrico, por chuvas ou irrigação, facilita a abertura das flores.


Flores de cafeeiros com abertura anormal, sob período de chuvas excessivas. Bonito (BA)

As hipóteses formuladas para a falta de abertura das flores sugerem que a umidade excessiva reduziu a transpiração das plantas, e, assim, não deu condições ideais de suprimento de água para o desenvolvimento da florada, e, ainda que a falta de luminosidade tenha interferido na abertura, uma vez que os dias ficaram inteiramente nublados e com cerração.

A segunda observação tem a ver com o tipo de flor do cafeeiro, a qual apresenta o ovário ínfero, ou seja, as pétalas ficam presas acima do ovário. Como no cafeeiro arábica a fecundação, em sua quase totalidade, ocorre antes da abertura da flor, parece que o botão, mesmo fechado ou mal aberto, ao possuir já sua parte sexual completa, acaba fecundando normalmente o fruto. Assim, a queda desses botões e flores não levam consigo o ovário, o qual formará o fruto, ou seja, suas estruturas de proteção e dispersão das sementes. Caso a flor tivesse o ovário súpero seria provável que a queda do botão anormal levaria junto o fruto.


A comparação entre botões que não abriram ou abriram de forma anormal (acima) em relação Ao florescimento normal (abaixo).


Botões bem desenvolvidos, fechados ou mal abertos, que se desprendem e caem, vendo-se como normal a parte sexual da flor (gineceu) e o fruto abaixo do conjunto de pétalas
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José Braz Matiello

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HENRIQUE IZALINO ALMEIDA
HENRIQUE IZALINO ALMEIDA

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 08/06/2022

Pessoal, bom dia, tenho um cafeeiro Acauã que todos os anos apresenta flores com anomalia e o pegamento e muito ruim menos que 50%, e o Araras do lado dele fica normal e tem bom pegamento, alguém pode me explicar? Esse ano ele já está apresentando flores com essas anomalias
Bruno Pires
BRUNO PIRES

BOM JESUS DO GALHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 17/10/2020

Tirou minha preocupação.
Obrigado!!
Carlos Fonseca Castro
CARLOS FONSECA CASTRO

PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 05/12/2014

Muy interesanta Dr Matiello muy buen aporte, saludos desde Costa Rica.
henrique flori bernardes
HENRIQUE FLORI BERNARDES

PIUMHI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 04/12/2014

muito interessante a re´portagem ,parabéns mais conhecimentos que aprendemos.
João Batista Vivarelli
JOÃO BATISTA VIVARELLI

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 04/12/2014

Caro Engo Agro José Braz Matiello, parabenizo pelo artigo, muito bom.