Por Thais Fernandes
Os cafeicultores mineiros foram surpreendidos por uma chuva fora de hora entre maio e junho. Os meses, em geral, são de tempo firme e seco. Eram justamente o momento em que a colheita de café avançava de maneira adiantada em relação a outros anos e havia muito café no terreiro do estado que mais produz café no País. O resultado foi queda de qualidade e possivelmente quantidade de café desta safra no mercado.
Mas, como as chuvas durante a colheita impactaram a produção de café capixaba? O estado do Espírito Santo atravessou uma de suas secas mais severas nos últimos anos. Na última semana de junho, as chuvas retornaram ao estado, atingindo regiões produtoras. “Desde os 10 últimos dias de junho, tem chovido com frequência. Não é muito, mas com certeza é uma chuva muito bem-vinda para todos os produtores”, pondera o meteorologista Alexandre Nascimento, da empresa especializada Climatempo.
O CaféPoint entrevistou com exclusividade o agrônomo João Elvídio Galimberti, especialista em mercado de café da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi).
Espírito Santo
A chuva chegou a diversas áreas de atuação da Coopeavi, que atende produtores de arábica e de conilon no Estado. “Em algumas regiões tiveram chuvas mais intensas com rajadas de vento e granizo. Mas na maioria das regiões a chuva foi moderada, com um volume baixo, distribuído em vários dias. Na média choveu de 10 a 20 milímetros em três a quatro dias”, afirma Galimberti, explicando que por sua extensão, praticamente todas as regiões do Espírito Santo e Leste de Minas Gerais, a incidência alcançou áreas das duas espécies.
O período coincidiu com a colheita e secagem de grãos e também trouxe impactos no estado e o agrônomo lembra: chuva durante a colheita nunca é bom. “Atrapalha um pouco no tempo de secagem, principalmente os cafés secos naturalmente em terreiros descobertos. Mesmo quem tem estufas sofreu o impacto, pois o volume de café colhido durante três a quatro dias é maior que a capacidade das estufas, ficando assim em áreas desprotegidas da chuva. O café exposto a muita umidade começa a fermentar, resultando uma redução de qualidade do grão, por consequência do valor na hora da comercialização. O arábica foi o mais impactado com essa situação, pois a maioria dos produtores estão em pleno processo de colheita e a safra esperada para este ano é maior que o último ano”.
O especialista em mercado alerta, ainda, que as dificuldades que esse clima causa podem, se refletir nas safras futuras. “Além do problema da fermentação, existe outra situação que repercutirá negativamente nas próximas safras. Com a umidade, o café começa a dar a primeira florada e isso desestabiliza o ciclo produtivo do mesmo”.
Conilon
“Na Região Norte do ES, a situação é um pouco diferente. Como predominantemente é cultivado o café conilon e a região é mais quente, a maioria dos cafeicultores já terminaram o processo de colheita, com isso a chuva é muito bem recebida, inclusive para abastecer os reservatórios secos devido à seca prolongada”.
Se prosseguir por mais tempo, a chuva pode significar algum alívio para as plantas de café robusta. “Para o conilon a chuva neste momento é mais interessante que para o arábica. A planta está sedenta devido ao longo período de estresse hídrico vivido no Espírito Santo e qualquer chuva é interessante para repor o volume de água para as atividade agropecuárias”, analisa João Elvídio Galimberti.
Impactos após chuvas durante colheita de café também são registrados no ES
Importantes regiões produtoras já sentem os impactos na safra 2016. No Espírito Santo, a Coopeavi avalia a produção de arábica e conilon dos cooperados
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