Perigos fitossanitários norteiam estudo para suspensão de importação

CNA elaborou estudo sobre o tema para requerer suspensão da medida que autorizava entrada de café verde do Peru.

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Da redação

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) declarou nesta quinta-feira (21/5) que enviou estudo técnico elaborado pela Comissão Nacional do Café à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A suspensão da autorização para importar café do Peru foi publicada na edição desta quinta-feira (21/5) no Diário Oficial da União.

De acordo com a CNA, a autorização para a importação de café arábica do Peru, trazia riscos especialmente em relação às culturas do cacau e do cupuaçu. A análise da CNA apontou que o café pode ser o principal veículo para disseminação do fungo Moniliophthora roreri, causador da monilíase do cacaueiro, doença que ataca as culturas do cacau e cupuaçu, existente na maioria das regiões produtoras de café do Peru.

A suspensão, no entanto, vale até que a Organização Nacional de Proteção Fitossanitária do Peru (ONPF) apresente ao governo brasileiro um plano de trabalho consistente, a ser aprovado pela Defesa Sanitária brasileira. O documento das autoridades peruanas terá de conter informações sobre a produção, pragas e tratamentos fitossanitários adotados por aquele país, bem como medidas de mitigação de risco de envio de pragas no comércio internacional do café.

Em seu balanço semanal desta sexta-feira (22/5), o CNC lembrou que a medida de suspensão ainda não é definitiva. “Recordamos que essa medida foi importante, porém não definitiva, haja vista que não somos favoráveis à futura possibilidade da permanência de importação do café peruano”, pontou o presidente executivo da instituição, Silas Brasileiro.

Elevado risco fitossanitário
O estudo da CNA destaca três pontos fundamentais que embasam a preocupação dos produtores brasileiros em relação à autorização anterior de se importar café do Peru. O primeiro deles é o elevado risco fitossanitário às culturas do cacau, café e cupuaçu devido à existência em terras peruanas da praga monilia e de outras doenças ainda não existentes no Brasil.

De acordo com o Plano de Contingência de Moniliophthora roreri, instituído pelo Mapa por meio da Instrução Normativa nº 13/2012, a disseminação do fungo de uma área infectada para área não infectada ocorre principalmente pelo transporte de frutos infectados, material vegetativo e embalagens contendo esporos do fungo, como a sacaria de café, por exemplo. A disseminação natural dos esporos ocorre pelo vento, cursos de água, insetos, animais silvestres, dentre outros fatores. Atualmente, o Brasil ainda permanece como área livre de M. roreri.

FAEMG
Segundo o presidente das Comissões de Cafeicultura da FAEMG e da CNA, nosso colunista Breno Mesquita, a suspensão é fruto de intensa mobilização do setor nos últimos dias. “Não podemos dar a questão como encerrada. Continuaremos acompanhando os desdobramentos, realizando novos estudos técnicos e participando ativamente para evitar que haja nova liberação”, afirmou o diretor da FAEMG.

Impacto econômico
No início da semana, Breno Mesquita havia criticado a abertura brasileira ao grão peruano, lembrando que, além do risco de trazer novas pragas às lavouras brasileiras, provocaria grave impacto econômico ao país: “Não há nada que justifique essa importação, que prejudicaria seriamente um setor produtivo que sempre teve enorme importância para nossa economia. Somos o maior produtor mundial de café, com mais de um terço de todo grão produzido no mundo. Se nossa produção supre o mercado em quantidade, qualidade e variedades, é no mínimo um contrassenso liberar a entrada de um produto que canibalizaria a geração de milhares de emprego e de renda em nosso país”, criticou.
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Equipe CaféPoint

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