Ximenes critica política do governo para o setor
O cafeicultor Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), disse em palestra no 9º Agrocafé que "o setor ainda está na idade da pedra. Se tiver duas cooperativas exportando em todo país é muito". "Em minha opinião, deveríamos mover uma ação contra o governo federal, que colocou os estoques à venda por US$ 30,00 a saca, zerando os estoques", diz indignado. "O café é um negócio essencialmente dolarizado. Com essa mal fadada política cambial, vamos buscar renda onde? Se não tivermos uma política bem feita para conseguirmos subsídios, correremos até o risco de ter que parar de produzir café".<br>
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Ele atribui à manutenção do preço atual do café no mercado internacional ao cenário de escassez do produto. De 1980 a 2007, o faturamento do agronegócio mundial saltou de US$ 30 bilhões para US$ 80 bilhões, mas a fatia que fica com os produtores encolheu de US$ 9 bilhões para US$ 7,5 bilhões.
A explanação de Ximenes, no 9º Agrocafé, foi uma das mais polêmicas do primeiro dia do evento. Segundo ele, "o setor ainda está na idade da pedra. Se tiver duas cooperativas exportando em todo país é muito". "Em minha opinião, deveríamos mover uma ação contra o governo federal, que colocou os estoques à venda por US$ 30,00 a saca, zerando os estoques", diz indignado. "O café é um negócio essencialmente dolarizado. Com essa mal fadada política cambial, vamos buscar renda onde? Se não tivermos uma política bem feita para conseguirmos subsídios, correremos até o risco de ter que parar de produzir café", assinala Ximenes.
O presidente do CNC criticou também o fato de que todo o investimento tecnológico para aumento da produção, apesar da extinção dos marcos regulatórios do negócio na década de 1990, só favoreceu e beneficiou o consumidor. "O resultado disto é o maior nível de endividamento e inadimplência da cafeicultura brasileira. Um levantamento recente feito a pedido do governo federal indica que em Minas Gerais o volume de dívidas soma R$ 2 bilhões", contabiliza Ximenes. Dentre as soluções apontadas por ele está o aumento do limite do crédito do custeio, limitado atualmente em R$ 200 mil por CPF. Em outras culturas, a exemplo do milho, o teto de R$ 450 mil.
Durante sua exposição, o presidente do CNC chegou a defender uma ação mais dura para pressionar o governo federal a estabelecer políticas mais favoráveis ao produtor, a exemplo de uma ação indenizatória.
As informações são da assessoria do evento.
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Gostaria de saber se o governo tomará alguma providência a fim de acabar com o monopólio das empresas de fertilizantes que tomaram conta do país. Podem ter certeza de que, se o dólar voltar a subir, vai ser uma ótima desculpa para eles aumentarem o preço do adubo.