Voltam as pressões pelo drawback de café
Industriais brasileiros do setor de café solúvel e torrado e moído e até mesmo exportadores de café verde estariam em forte campanha para convencer o governo e os produtores nacionais a abrir mercado para o café de outros países, sobretudo do Vietnã.
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O que se pretende é a autorização de um regime de drawback para permitir a importação do produto para re-exportação, após industrialização. No entanto, há o temor, entre os produtores, de que a entrada do café do Vietnã possa forçar para baixo o preço do robusta nacional, hoje 10% mais caro.
O argumento da indústria de solúvel vai no sentido contrário. "Se o Brasil permitir o drawback, o mercado vai entender que há escassez de café no mercado, o que vai pressionar os preços", argumenta o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Mauro Malta.
A indústria considera a liberação da importação como fundamental para garantir sua competitividade. Enquanto o consumo cresceu 15% em 2006, o volume de café solúvel exportado pelo Brasil caiu de 3,5 milhões para 2,7 milhões de sacas.
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CARMO DA CACHOEIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 25/01/2007
Uma lei para uns e outra para os outros. Desculpe-me digníssimo Sr. Malta, para nós os produtores, tivemos de nos adequar a várias regras, novas tecnologias (caras), e até nossa maneira de pensar para continuarmos "competitivos".
Com a alta nos preços do café no fim do ano a saca passou para R$ 290,00 para o produtor, quanto a industria aumentou o preços do café para os consumidores?
Hoje, 25/01, a saca está a R$ 270,00, ou seja, 7% mais baixa que em 2006, quanto a indústria abaixou os preços para o consumidor: A) 7%; B) 10%; C) 0% ?
Letra C) 0%.
Parabéns para vocês que lucraram, pois nós produtores perdemos 7% em 25 dias. Porque não aproveitar o momento e ganhar 7% a mais, além do aumento repassado aos consumidores, comprando o nosso café na baixa? Teriam certamente o aumento de 10% que querem ao nos impor o drawback.
Quando o produtor quer 10% de aumento vende na alta (quando sobra café para vender, pois quando sobe, a maioria já vendeu a preços baixos para a indústria), e não consegue ganhar. Por que mudar as regras só para a indústria ganhar?
O preço do Robusta está puxando o do arábica para cima e isso é bom para o produtor, a indústria já teve o seu aumento repassado ao consumidor. O argumento usado pelo Sr, cá entre nós, é um tiro no peito dos produtores, num determinado momento poderia ser até válido, mas, a longo prazo, seria catastrófico para a produção.
O sacrifício feito pelos produtores para continuarem no mercado se compara ao sacrifício dos torrefadores em abrir torrefações pelo mundo inteiro a procura de cafés mais baratos, por que não fazem isso? Seria um absurdo para quem fica com a maior parte do bolo, como diz meu colega na carta artigo acima? Outros países não fazem isso? Por que não dão seus pulos, igual a nós? Absurdo é o que nós passamos para podermos produzir o café que dá lucro a uma enorme cadeia e ficarmos na maioria das vezes no vermelho. Não procurem o caminho mais fácil, olhando só o seu lado, façam como nós, dêem seus pulos, corram atrás do prejuízo sem causar danos a outros segmentos da cadeia. Pimenta nos olhos dos outros...
Atenciosamente,
Lennart
CARMO DA CACHOEIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 18/01/2007
É só observar o quanto recebe o produtor, o exportador e o solúvel, para sintonizarmos quem é quem na cadeia do café no Brasil. Somos nós produtores que recebemos a menor parte do bolo.
Sugiro aos senhores da indústria e do setor de exportações e do solúvel, que nos mostrem dados e sugestões - coesos, sérios e inteligentes, que nos mostrem os impactos, não só a curto prazo, como nos acena o Sr. Mauro Malta, mas também as conseqüências a médio e longo prazo, que serão catastróficas ao setor produtivo da cadeia do café no Brasil.
Que os setores que requerem o drawback, mostrem que já se esgotaram todas as possibilidades e oportunidades, da vantagem competitiva com as quais possam competir com o mundo.
Aí sim sentaremos para conversar, dialogar e fazermos um programa adequado, onde ninguém saia prejudicado dentro da cadeia de café no Brasil.
Por enquanto nos resta mostrar, que nós da produção, ainda estamos pagando dívidas passadas e, ao contrário do que a imprensa divulga, estamos, sim, arcando com o passivo da produção desde o ano de 2000. Assim sendo, não estamos nadando em rios de dinheiro!
Saudações.