Tradings internacionais estão se afastando de acordos com exportadores vietnamitas, pois aumentou o não cumprimento de contratos de exportação de café, de acordo com o presidente da Associação Suíça de Comércio de Café (SCTA, na sigla em inglês), Nicolas Tamari. Há diversas temporadas traders têm encontrado dificuldades desse tipo no país, maior produtor mundial de café robusta, e o número de contratos não cumpridos aumentou bastante neste ano, conforme subiram os preços do café.
Tamari, que também é diretor-geral da comerciante de café Sucafina, afirmou que a questão chegou a tal ponto que a SCTA pediu ao governo suíço que leve o problema ao governo do Vietnã. "Neste ano, houve um aumento significativo no número de membros relatando volumes elevados de defaults, por causa do mercado em alta", disse. "Os maiores perdedores são os comercializadores." Em alguns casos, comerciantes internacionais começaram a investir diretamente em projetos de agricultura, para reduzir o relacionamento com intermediários não confiáveis.
"Há muita insatisfação expressada por exportadores vietnamitas sobre as companhias estrangeiras comprarem direto do produtor, dizendo que têm a vantagem de custos de financiamento mais baixos", afirmou. Mas como "a confiabilidade dos empreendimentos locais" foi colocada em questão, "devemos ver uma continuação do investimento estrangeiro no setor de café", acrescentou.
Os preços do café saltaram para máximas em muitas décadas no início do ano, pois a produção fraca em alguns países e o aumento do consumo despertaram preocupações com a oferta. As cotações do robusta subiram cerca de 50% no ano, de modo que muitos exportadores do Vietnã preferiram não cumprir contratos já firmados, na expectativa de obter mais pelo suprimento.
O presidente da SCTA, instituição que trabalha com dois terços das exportações de café de países produtores, se recusou a dar uma estimativa da proporção das quebras de contrato. Traders disseram que até 100 mil toneladas de café foram afetadas. Um deles observou que muitos compradores estão se recusando a pagar o café antecipadamente.
Mas o presidente da Associação de Café e Cacau do Vietnã, Luong Van Tu, minimizou o problema, dizendo que os exportadores "adiaram", e não romperam contratos. Ele estimou que apenas de 30 a 40 mil toneladas foram envolvidas. "Foram adiamentos, não rompimentos", resumiu. "Alguns deles estão esperando porque a nova safra está chegando."
Tamari declarou que a SCTA defende a criação de um painel de arbitragem pan-europeu para lidar com problemas desse tipo no futuro. Embora já existam organismos nacionais de arbitragem na França, na Alemanha, na Itália e no Reino Unido, ele avalia que chegar a decisões arbitrais em outros países pode ser difícil. As informações são da Dow Jones.
As informações são da Agência Estado, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Vietnã: aumenta o não cumprimento de contratos de exportação
Tradings internacionais estão se afastando de acordos com exportadores vietnamitas, pois aumentou o não cumprimento de contratos de exportação de café. Há diversas temporadas traders têm encontrado dificuldades desse tipo no país, maior produtor mundial de café robusta, o número de contratos não cumpridos aumentou bastante neste ano, conforme subiram os preços do café.
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