O setor cafeeiro da Venezuela se encontra cada vez mais deprimido. A disparidade entre os custos de produção e os preços regulados tem afetado o rendimento dessa atividade que, com o aumento da demanda, está insuficiente para atender o consumo da população.
De acordo com dados da organização Fedeagro, a produção per capita também caiu pois, em 1999, se produziam 3,6 quilos de café por habitante por ano e, em 2009, foram produzidos apenas 1,5 quilos per capita, que significa uma diminuição de 58,3% nos últimos 10 anos.
Nesse período, a produção de café verde no país caiu 37,5%, pois de 1,6 quintais (que equivalem a 1,22 milhão de sacas de 60 quilos) de café produzidos em 1999, no ano passado a colheita passou para 1 milhão de quintais ou 766,66 mil sacas de 60 quilos. A última colheita que se iniciou em 2008 e finalizou em março de 2009 também teve perdas de 33,3% com relação à safra anterior.
Isso quer dizer que, para atender o consumo da população esse ano, a Venezuela deverá importar 550.000 quintais de café (421.666 sacas de 60 quilos), o que significaria uma alta nas compras externas do produto pois, no ano passado, para atender a demanda interna, a Venezuela comprou 450.000 quintais (345.000 sacas).
Até 2007, a Venezuela era auto-suficiente em café, mas os preços controlados afetaram a capacidade de re-investimentos do setor. Em 2008, abriram-se novamente as importações do setor, para compensar o déficit da produção.
Os produtores consideram que, para atender a demanda interna, o setor deve produzir 2 milhões de quintais de café (1,53 milhão de saca), mas, para isso, requer um investimento similar ao que o Executivo injetou no Plano Café, de 2 bilhões de bolívares (US$ 464,833).
Ainda assim, o setor requer cultivar cerca de 770.000 novos hectares para conseguir uma colheita de pelo menos 1,5 milhão de quintais (1,15 milhão de sacas); incorporar maquinaria de benefício ecológico e equipamentos de secagem; duplicar a capacidade elétrica na zona; aumentar a capacidade organizacional dos produtores na região mediante capacitação, infra-estrutura e equipamentos; assim como incorporar 130.000 homens ao campo.
É justamente nessa parte da cadeia onde o setor enfrenta uma de suas maiores crises: a mão-de-obra qualificada, pois não há pessoas suficientes para trabalhar no campo. Porém, todas essas políticas para aumentar a produção cafeeira do país requerem acompanhamento do estado.
O setor cafeeiro manifestou ao Governo a necessidade de que se revisassem os preços do produto antes de iniciar a nova colheita, para garantir um maior rendimento do produto. No entanto, até o momento, não foram anunciados ajustes para o café, nem em grão, nem na forma moída. O Governo venezuelano anunciará o ajuste no começo da colheita em outubro, mas os cafeicultores consideram que esse momento será muito tarde e não se obterão os resultados esperados.
A reportagem é do ElUniversal.com, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
Em 22/06/10 - 1 Bolívar Venezuelano = US$ 0,00023
4.289,81 Bolívar Venezuelano = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)
Venezuela: produção per capita caiu 58,3% em 10 anos
O setor cafeeiro da Venezuela se encontra cada vez mais deprimido. A disparidade entre os custos de produção e os preços regulados tem afetado o rendimento dessa atividade que, com o aumento da demanda, está insuficiente para atender o consumo da população.
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