Venezuela: importações de café serão quatro vezes mais caras

Enquanto os preços internacionais do café passam por seu melhor momento dos últimos 15 anos, o valor que os produtores da Venezuela recebem pela venda do produto é insuficiente para cobrir os custos de produção. O diretor da Confederação Nacional de Associações de Produtores Agropecuários (Fedeagro), Vicente Pérez, disse que é justamente essa disparidade no preço do café que tem derivado em um desestímulo e falta de investimentos à produção nacional.

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Enquanto os preços internacionais do café passam por seu melhor momento dos últimos 15 anos, o valor que os produtores da Venezuela recebem pela venda do produto é insuficiente para cobrir os custos de produção. O quintal de café (saca de 46 quilos) no mercado venezuelano está custando 747 bolívares (US$ 173,7), enquanto no mercado internacional está em mais de US$ 300 (1.290 bolívares).

O diretor da Confederação Nacional de Associações de Produtores Agropecuários (Fedeagro), Vicente Pérez, disse que é justamente essa disparidade no preço do café que tem derivado em um desestímulo e falta de investimentos à produção nacional, afetando a cada ano o rendimento desse cultivo e aumentando a dependência das importações.

No ano passado, o Governo venezuelano importou, segundo dados do setor, 680.000 quintais de café (521.333 sacas de 60 quilos), por US$ 102 milhões, que, com o câmbio de Bs 2,60, representou um gasto de 265,3 milhões de bolívares. Os produtores estimam que, esse ano, a produção será menor do que a registrada em 2010 e que o Governo deverá importar cerca de um milhão de quintais (766.666 sacas de 60 quilos), com o agravante de que os preços desse ano não são os mesmos do ano passado, de forma que o desembolso nas compras de café será maior. Dessa forma, estimam que as importações desse ano terão um custo de 1,2 bilhão de bolívares (US$ 279 milhões), quase quatro vezes mais que no ano passado, por causa dos altos preços no mercado internacional. Vale considerar que a partir de janeiro desse ano a Venezuela unificou o câmbio com o dólar sendo cotado a Bs 4,30. Anteriormente, moeda era cotada oficialmente por dois tipos de câmbio, em função do uso: 2,60 por dólar para as transações consideradas como prioritárias para o governo, como a importação de alimentos e 4,30 por dólar para outras transações.

Pérez considera que, em vez de destinar esse dinheiro para as importações, o Governo nacional deveria investir na produção nacional e decretar preços justos e de acordo com o custo do café. Os produtores consideram que são a parte da cadeia que menos recebe pela venda do café. Pérez disse que do custo de uma xícara de café vendida a 7 bolívares (US$ 1,62) em média, os produtores recebem 0,2 bolívares (US$ 0,046), de forma que estariam subsidiando praticamente o produto ao consumidor.

A reportagem é do ElUniversal.com, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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