Vegro: cenário de boa remuneração é de longo prazo

Todos já sabem que os principais países passaram por frustações de safras, que o mercado está mais especulativo, que a demanda está aquecida enquanto a oferta está restrita. Porém, Celso Luis Rodrigues Vegro, engenheiro agrônomo e pesquisador do IEA - Instituto de Economia Agrícola, acredita que o que realmente é importante para se traçar cenários são os fatores estruturais. Segundo ele, há concentração de oferta entre quatro países: Brasil, Vietnã, Indonésia e Colômbia. Analisando esse e outros fatores, Celso acredita que o cenário de cotação capaz de remunerar bem os produtores é de longo prazo.

Publicado em: - 5 minutos de leitura

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A cadeia do café está se desenvolvendo, novas tecnologias estão chegando ao campo e os produtores buscando mais e mais informações e novidades. Com o objetivo de divulgar a importância da irrigação e seus sistemas, mostrando lançamentos de produtos e equipamentos, bem como os resultados de pesquisas para o incremento da produtividade e da qualidade do café do cerrado brasileiro, a Associação dos Cafeicultores de Araguari organizou a FENICAFÉ, em Araguari/MG, de 06 a 08 de abril.

Durante a feira, além de palestras sobre irrigação, não podiam faltar informações sobre o mercado de café, que auxiliam nas tomadas de decisões dos envolvidos na atividade. Para falar sobre "Cotações: dinâmica da flutuação e tendências de sustentabilidade", esteve presente como palestrante Celso Luis Rodrigues Vegro, engenheiro agrônomo e pesquisador do IEA - Instituto de Economia Agrícola.

Figura 1


De acordo com Celso Vegro, para começar falar de mercado, os entendimentos devem ser homogeinizados. Por isso, resolveu apontar algumas definições sobre o assunto da palestra.

Como todos sabem, o mercado cafeeiro está passando por um periodo de alta. Mas alta de cotações ou preços? Na realidade, qual a diferença de preços e cotações? Cotações se referem à pepéis, à valores determinados pelos fundamentos de oferta e demanda, que são transacionadas em Bolsa de valores. "Cotações não são preços, elas sinalizam os preços, são um referencial", afirma. O preço é o valor que se negocia determinado produto.

Partindo para definição de sustentabilidade, trata-se da utilização de recursso naturais para satisfação e necessidades do presente, não podendo comprometer as necessidades futuras, e se sustentando em ações ecologicamente corretas, economicamente viáveis, socialmente justas e culturalmente aceitas.

Mas os termos acima são apenas conceitos Tanto cotações como sustentabilidade são conceitos relativos e não absolutos. Veja só, quando se diz que o café subiu na bolsa, segue a pergunta: Subiu em relação a que? São termos relativos.

Os dois conceitos são intrinsecamente instáveis e de naturezas de instabilidades distintas. Isso porque o que faz flutuar a cotação do café é diferente do que faz flutuar a sustentabilidade. Por isso, segundo Vegro, há certa dificuldade em trabalhar com dois temas relativos e a partir daí traçar cenários.

De acordo com Vegro, ao se tratar de sustentabilidade e cotação deve-se pensar em segurança militar, segurança energética, segurança financeira e segurança alimentar, da seguinte forma:

Militar: esse ponto tem sido complocador para a sustentabilidade, uma vez que o mundo está conflagrado, com uma generalização de guerras entre os países bélicos.

Energética: Há atualmente um incerteza nuclear, com consequente aumento da dependência por petróleo. Com o terremoto no Japão, surge novo problema na questão energética, aumentando ainda mais a demanda por petróleo. "Sem segurança energética, as cotações se tornam mais instáveis", afirma Vegro.

Financeira: Após a crise de 2008, muitos países ficaram com alto endividamento público devido à medidas tomadas para socorrer a economia. Então, agora que a situação melhorou, é hora de pagar as contas.

Outra questão financeira é a guerra cambial, com EUA desvalorizando o dólar e China desvalorizando sua moeda. Enquanto isso, o Real brasileiro se valoriza, resultando no aumento da inflação global. Com aumento da liquidez dos EUA para impulsionar sua economia, há fuga de investidores interessados em dólar, passando esses a investirem em commodities.

Alimentar: A maioria das commodities estão com estoques minguados. Além do choque de demanda, em que há demanda e não há oferta, as mudanças climáticas causaram frustrações de algumas safras,como a da cana-de-açúcar no Brasil.

Dessa forma, Celso analisa que o Brasil passa por sinais de apreensão, porém o setor do agronegócio tem contribuido para o saldo positivo da balança comercial.

Mas os pontos a serem analisados para se traçar tendências e cenários no mercado cafeeiro não param terminam aqui. Há ainda os fatores conjunturais, como os estoques a níveis baixíssimos e aumento crescente do consumo.

Todos já sabem que os principais países passaram por frustações de safras, que o mercado está mais especulativo, que a demanda está aquecida enquanto a oferta está restrita. Nesse cenário, muitos veem o especulador como vilão, mas Celso deixa claro a importância do papel desse profissional.

Segundo ele, o especulador que faz você conseguir transformar seu café em dinehiro. Sem os especuladores o mercado não teria liquidez, fator fundamental para movimento do mercado e formação de preços.

Bom, falou-se em segurança e fatores conjunturais, porém Celso Vegro acredita que o que realmente é importante são os fatores estruturais.

Em sua análise teremos mais volatilidade por causa da insegurança mundial. Na parte estrutural, há mais concentração de oferta entre quatro países: Brasil, Vietnã, Indonésia e uma xícara de chá para Colômbia, que segundo Vegro já está bastante defasado em produção frente aos três demais.

"Ou o comprador liga para esses quatro países, ou fica sem café pois não se acha mais café em qualquer lugar", diz ele.

Outro fator estrutural é o mercado de doses, que tem grande potencial de crescimento. "Os torrefadores que mais crescem no mercado de dose valorizam principalmetne a qualidade do produto, do café, enquanto a indústria que trabalha com café de combate vai desaparecer ou então ser comprada pelas demais."

Analisando todos esses fatores, Celso acredita que o cenário de cotação capaz de remunerar bem os produtores é de longo prazo.

Tratando-se dos fatores conjunturais para o Brasil, 2011 é um ano de ciclo baixo; e o país está aumentando o uso de tecnologias sendo capaz de reduzir a bienalidade com o decorrer dos anos e aumentar a produtividade das lavouras cafeeiras. Além disso, a relação de troca com fertlizantes melhorou e o custo de terra aumentou, sendo este último um fator que limita a expansão de áreas para cultivo de café.

Figura 2

"Atualmente o mundo está se recuperando do aumento de preços das commodities, com a cotação do dólar em baixa e commodities em patamares satisfatórios." Para 2011/12 e 2012/13, Vegro sugere que o cafeicultor feche contrato futuro e transfera seu risco.

"A primeira coisa a se fazer é o saneamento de dívidas. É palavra de ordem!", exclama Vegro.

Reamente este é atual situação, em que muitos produtores aproveitaram as disparada das cotações para quitarem suas dívidas, para depois de então começarem com novos investimentos.

Outra tendência exposta por Vegro é que deverá haver inversão do dólar e o real deve se desvalorizar.

O suprimento do mercado cafeeiro ainda está sob estresse. Enquanto isso, Celso acredita que os investimentos para aumento de produtividade e melhoria da qualidade estão sendo acelerados, ficando o país com uma cafeicultura mais competitiva em relação a qualidade e preço.

Por fim, Vegro coloca um questão problema: As commodities tem ciclos econômicos. O período de baixa das cotações virão?

E logo responde otimista, por optar por fundamentos estruturais: "Não. Não porque a demanda por cafés brasileiros empurra a cotação para cima", finaliza.
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Material escrito por:

Natália Sampaio Fernandes

Natália Sampaio Fernandes

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Celso Luis Rodrigues Vegro
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/04/2011

Prezado André Marcolini
Grato pelo prestígio. O que faço é mais para confundir do que para explicar.
O cenário que traçou é verdadeiro e ampara a boa dose de otimismo que temos para com o negócio café. Agora para o negócio melhorar mais ainda preciso eu ir apreciar um café espresso em uma de suas casas. Passe para a Natália algum
endereço que para lá irei.
Abçs
Celso VEgro
Andre Marcolini
ANDRE MARCOLINI

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE CAFÉ

EM 13/04/2011

Sr Celso Vegro, admirador que sou de suas análises, que sempre considerei bem informadas e ponderadas, submeto à sua consideração números que me assombram ainda mais do que a recente arrancada nos preços do café e a revelaçao das baixíssimas reservas de café disponiveis hoje. Segundo a OIC o consumo de café está hoje em 133 milhoes de sacas ao ano, com uma taxa de crescimento de 2,3% ao ano, verificada nos ultimos 10 anos.Mantida esta taxa de crescimento seráo necessarias daqui a cinco anos 149 milhões de sacas,ou seja 16 mihões de sacas a mais do que se consome hoje, e daqui a dez anos serão consumidas nada menos do que 34 mihoes de sacas a mais do que se consome hoje. Todo este café tera de ser produzido. E so sera produzido se produzir cafe for rentável. Se estes numeros forem verdadeiros nao vejo com o café possa deixar de ser lucrativo PARA O PRODUTOR nos próximos anos. Alem de produtor de café sou tambem pequeno torrefador de produtos de boa qualidade para as casas de "espresso" em Sao Paulo. E o que mais me anima é constatar a verdadeira paixao por cafe BOM que vai tomando conta dos paulistanos, pelo menos os de classe media.
ELI VALERA NABANETE
ELI VALERA NABANETE

MARUMBI - PARANÁ

EM 12/04/2011

Caro sr.Vegro
so uma correçao SR Eli Valera Nabanete.
abraço
Celso Luis Rodrigues Vegro
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 12/04/2011

Prezada Eli Varlera Nabanete
Obrigado pelo adjetivo simplicidade. Algumas vezes sou taxado como alguém que se dirige apenas aos esclarecidos o que certamente é uma inverdade.
Grato
Celso Vegro
ELI VALERA NABANETE
ELI VALERA NABANETE

MARUMBI - PARANÁ

EM 12/04/2011

COM CONHECIMENTO E SIMPLICIDADE O SR. CELSO VEGRO NOS DEIXA MUITO OTIMISTAS COM SUAS EXPLICAÇOES SOBRE O FUTURO DO SETOR CAFEEIRO.
PENSO QUE SE O GOVERNO NOS AUXILIASSE UM POUCO QUANTO AS NOSSAS DIVIDAS ADQUIRIDAS AO LONGO DESSE TEMPO DE PESSIMOS PREÇOS PRATICADOS LO,LOGO O CAFEICULTOR PODERIA TER O SEU PRODUTO POR MAIS TEMPO EM SUAS MAOS PARA UMA MELHOR COMERCIALIZAÇAO.