Para o presidente da FAESP, Fábio de Salles Meirelles, os produtores conseguiram enfrentar os desafios climáticos no ano passado e, ainda assim, apresentaram resultados altamente positivos para o setor.
O VBP corresponde ao faturamento bruto dentro do estabelecimento rural, calculado com base na produção e nos preços médios recebidos pelos produtores nas principais praças do País.
Segundo os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na safra 2020/2021, o estado de São Paulo se manteve como o maior produtor nacional de açúcar, amendoim, cana-de-açúcar e etanol. A produção de amendoim foi de 561.600 toneladas, cerca de 94,0% da produção nacional.
Outro importante destaque na pauta agrícola do estado é o café. Mesmo com os problemas climáticos enfrentados em 2021, como a seca prolongada e as geadas ocorridas entre junho e julho, a produção paulista de café somou 4,0 milhões de sacas, ou 8,4% do total nacional, mantendo o estado como o terceiro maior produtor brasileiro.
Na cana-de-açúcar, São Paulo representou 54,1% do volume colhido no país, com 354 milhões de toneladas. Já o açúcar paulista somou 26,1 milhões de toneladas, ou 63,2% do cômputo nacional. A produção de etanol foi responsável por 43,9% do total brasileiro, com 14,4 bilhões de litros.
Para a produção de milho, em que São Paulo se destaca como o 7º maior produtor, a safra 2020/2021 foi bastante atípica por conta dos eventos climáticos observados no período. A cultura do milho, especificamente de segunda safra, foi uma das mais afetadas pela escassez hídrica e pelas geadas ocorridas em 2021. No estado, a produção de milho safrinha no ciclo 2020/21 sofreu queda de 38,8% em comparação à safra anterior.
Entre as frutas e hortaliças, São Paulo ocupa a liderança de maior produtor de banana, laranja e tomate. De acordo com o IBGE, o estado produziu 1,09 milhão de toneladas de banana em 2021, cerca de 15,6% do total nacional. De laranja, foram colhidas 12,07 milhões de toneladas (78,8% de toda laranja produzida no Brasil), e de tomate foram 1,0 milhão de toneladas, ou 26,2% do total brasileiro.
Os bons números não significam, no entanto, que o ano tenha sido isento de dificuldades. As exportações de açúcar e etanol registraram queda significativa de 13,9% e 30,4%, respectivamente, com embarque de 14,3 milhões de toneladas de açúcar bruto e 1,3 milhão de toneladas de etanol. Reflexo da menor oferta e da valorização do produto no mercado interno, as exportações paulistas de milho em grão também sofreram forte redução em 2021, comparado ao volume embarcado em 2020, passando de 525,15 mil toneladas para 52,37 mil toneladas (-90%). Em valores, a queda foi de 87%, somando US$ 11,3 milhões.
A produção de laranja também foi impactada. “A escassez hídrica no cinturão citrícola de São Paulo foi bastante prejudicial à produção da fruta. Houve forte queda no volume de laranja embarcado para o exterior: 69,6% a menos que o exportado em 2020, somando 1,84 mil toneladas”, explica Larissa Amaral, analista do Departamento Econômico da FAESP. “Por outro lado, as exportações de sucos e óleos essenciais de laranja registraram alta de 10% em volume e de 12,6% em valor, totalizando 2,2 milhões de toneladas e US$ 1,68 bilhão”, complementa.
Na produção pecuária, São Paulo se destaca como o maior produtor de ovos. Até o terceiro trimestre de 2021, o estado produziu 825,4 milhões de dúzias, cerca de 28% do total nacional. Em termos de exportações, as cotações valorizadas e a atratividade do mercado internacional elevaram sobremaneira os embarques desse produto, 46,0% em volume e 41,1% em valor.
As informações são da Faesp e Senar.