Toque feminino na arte de compor um bom café gourmet

"Não existia café gourmet. O grande desafio era provar qual a diferença entre os grãos", relembra a empresária Mônica Leonardi, fundadora da Café Terra Brasil, empresa especializada na produção de blends especiais de café. Foi lá que encontrou o casamento perfeito entre formação e vocação, tornando-se a primeira mulher brasileira a receber o diploma de juíza internacional de cafés no Brasil, concedido pela SCAA.

Publicado por: CaféPoint

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Você sabe quanto trabalho existe atrás de uma xícara de café gourmet? A autora da frase, a empresária Mônica Leonardi, fez nascer desse trabalho a paixão e a motivação para quebrar paradigmas em um setor tradicionalmente dominado por homens. Filha de italiano, ainda adolescente viu nascer a admiração pelo glamour em torno das cafeterias em algumas regiões da Toscana, quando viajava a passeio com familiares.

Formada em química no Mackenzie, foi atraída ao curso pela possibilidade de formular novas misturas e aplicá-las à rotina do seu dia-a-dia. Esbanjando simpatia, ela conta que a história começou com o convite de uma amiga para vender um tipo de café especial no porta-malas do carro mesmo, no início dos anos 1980. Os negócios eram feitos de porta em porta e agregaram conhecimento e uma boa carteira de clientes.

"Não existia café gourmet. O grande desafio era provar qual a diferença entre os grãos", relembra. Em 1987, Mônica fundou sua própria empresa, a Café Terra Brasil, especializada na produção de blends especiais. Foi ali que encontrou o casamento perfeito entre formação e vocação, tornando-se a primeira mulher brasileira a receber o diploma de juíza internacional de cafés no Brasil, concedido pela SCAA (Associação Americana de Cafés Especiais, sigla em inglês).

"Quando levo um funcionário homem para me auxiliar, a conversa acaba centralizada nele. É engraçado quando percebem que comando a empresa", diverte-se, comentando sobre o machismo a que ainda está sujeita. Sua empresa fatura R$ 4 milhões por ano com a comercialização de 11 toneladas de cafés e 700 máquinas no território nacional, e foi incorporada em abril deste ano pela sexta maior torrefadora do mundo, a italiana Lavazza.

"Foi o reconhecimento de todo o trabalho", comemora sem divulgar os números do negócio. Segundo disse, esse segmento tem crescido intensamente nos últimos oito anos. "As vendas de café gourmet estão estagnadas na Europa. Por isso, a tendência é que ocorram mais incorporações no Brasil, que tem um grande potencial". Dados da Organização Internacional do Café (OIC), mostram que enquanto o consumo brasileiro de café "normal" avança 4% ao ano, o do tipo gourmet registra 20% anualmente.

Mônica concorda que o crescimento é sobre base pequena, mas acredita que há muito potencial, sobretudo no Brasil. Os outros mercados potenciais são Índia e Rússia, onde o consumo cresce 5% e 7%, respectivamente. A empresária afirma que boa parte do sucesso se deve à integração de todo o processo. "Começa no produto verde, controlando os agrotóxicos, seguindo para um bom torrefador, equipamento de alta qualidade e um bom barista". A matéria, de Roberto Tenório, foi publicada na Gazeta Mercantil, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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