Ticoulat defende internacionalização de comercialização

O colaborador do CaféPoint Roberto Ticoulat, presidente da Três Marias Exportação e Importação, de São Paulo/SP, enviou um comentário ao artigo "Drawback:</i> Isso ainda vai dar muito o que falar", defendendo a internacionalização de práticas de comercialização de forma a ampliar as oportunidades e resolver os problemas que atingem todo o setor cafeeiro. Acesse e leia a carta na íntegra.

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O colaborador do CaféPoint Roberto Ticoulat, presidente da Três Marias Exportação e Importação, de São Paulo/SP, enviou um comentário ao artigo "Drawback: Isso ainda vai dar muito o que falar". Abaixo leia a carta na íntegra.

"Prezados amigos e leitores,

Tenho sempre defendido a internacionalização de nossas práticas de comercialização de forma a ampliarmos as oportunidades e procurarmos resolver os problemas que atingem todo o setor cafeeiro.

Especificamente, com relação ao drawback, e me permita corrigir o leitor que falou em importação de café, não existe impacto ao produtor, pois estamos falando em trazer um café ou que tenha preço mais competitivo no mercado exterior (mesmo agregando os altíssimos custos para trazê-los ao nosso país) ou qualidades que de alguma forma não estão sendo produzidas no Brasil, ou melhor, que ainda não foram descobertas as demandas para estes cafés afim de dar a oportunidade o nossos produtores de produzi-las no Brasil.

Tenho refletido muito sobre o aumento de demanda de cafés brasileiros, em substituição aos cafés produzidos na Colômbia e América Central. Me recordo de insistir que o grande benefício da vinda do Starbucks ao Brasil seria a descoberta de nossos blends e de nossa capacidade de adaptação às necessidades de mercado. Hoje, além deles estarem comercializando cafés no Brasil, passaram a ser grandes compradores de nossos cafés, antes praticamente proibidos de serem utilizados em seus blends.

A demanda estimada para compras por parte da Starbucks este ano será de mais de 1 milhão de sacas de café brasileiro. Portanto nos internacionalizar somente poderá trazer grandes benefícios a todos os elos da cadeia. Cabe ressaltar que é café de qualidade superior e com prêmio. Basta dizer que se nosso produtor reclama dos nosos diferenciais na venda de arábico não lavado, poderiam facilmente estar vendendo cafés lavados brasileiros, hoje cotados de 2 a 5 centavos acima de NY.

Renato, no caso do drawback preconizado pelo solúvel o assunto já foi exaurido no CIC. A proposta é para importação de no máximo 20% das exportações do ano anterior, pagamento a vista e de café de boa qualidade.

O mais importante a ser destacado é que a indústria de solúvel exportou em 2.006 mais de 4.000 milhões de sacos e hoje devido a todos os problemas este volume caiu para 2,8 milhões, apesar do consumo mundial estar subindo 3% aa. Fica portanto evidente, como destacou o Bruno: a- o drawback não é responsável pela situação de nossa cafeicultura e b- não houve nenhum beneficio a nossos produtores com relação a perda de competitividade do setor de solúvel. Devido a crise do setor poderemos ter empresas fechando se nada for feito, ao contrário do que está ocorrendo no resto do mundo, onde a comercialização entre produtores já atinge quase 5 milhões de sacos/ano. Há anos atrás tínhamos 11 industrias no Brasil reduzidas a 7 hoje.

A maior ameaça aos nossos produtores hoje é a entrada de cafés importados prontos para consumo, que já atinge, segundo dados da ABIC, mais de 60 marcas distintas, muitas vezes de paladar inferior ao expresso produzido no Brasil mas que não param de prosperar.

Espero de alguma for poder ter colaborado."

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Roberto Ticoulat
ROBERTO TICOULAT

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 31/05/2010

Caro Alfredo,

Agradeço pelos comentários. Na verdade o assunto virou mito e precisamos desmistificar este tema. Afinal estamos falando de drawback de menos de 1,2% da safra deste ano e menos de 5% da safra de Conilon.

A partir desta experiência, tenho a certeza que iremos atrair mais indústrias para o Brasil, tendo como resultado um aumento de demanda por cafés brasileiros.

Nosso setor esta perdendo o aumento de demanda de café solúvel no mundo, que está se deslocando para outros países com a implementação de indústrias em países como o Ecuador e México. Estes países, apesar de não serem grandes produtores de Robusta, com a possibilidade do drawback, atraem indústrias para seus países.

Com relação aos outros pontos enumerados, você têm absoluta razão. Não há como continuarmos aceitando que não possamos recuperar os impostos, como o ICMS, que estão embutidos na formação de nossos preços. Da mesma forma, temos como urgente a revisão da política tributária e trabalhista em nosso setor; para não falarmos da infra-estrutura portuária e de transporte.

Grato mais uma vez.

Abraço,

Roberto
alfredo giuberti
ALFREDO GIUBERTI

LINHARES - ESPÍRITO SANTO - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 29/05/2010

Concordo com Ticoulat.
O produtor brasileiro de conilon é competente o suficiente pra competir com o Vietnam, pois os custos de frete e internação do robusta certamente tornará muito dificil a efetivação da importação. A unica coisa que o produtor brasileiro precisa é a desoneração dos insumos, dos custos tributarios e trabalhistas, da melhoria na infraestrutura de transporte e armazenamento. O conilon é muito dependente de mão de obra e, pra atender todas as exigencias trabalhistas, torna-a mais onerosa ainda, chegando a mais de 40% do custo total de produção.