Stephanes discute novas medidas para cafeicultura
"Dentro da atual estrutura temos produtores que terão que sair do mercado, pois não terão condições de continuar por não serem eficientes, por terem produtividade baixa", declarou o ministro da agricultura, pecuária e abastecimento, Reinhold Stephanes, que defende que haja um choque de gestão na cafeicultura brasileira e a erradicação de parte da lavoura com o objetivo de sustentar os preços do produto no mercado.
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A expectativa do ministro é a de que haverá um excedente (diferença entre produção e consumo) de quatro milhões de sacas de café, além dos estoques, nos próximos dois anos. "Em 2011, a demanda deve encontrar a curva de oferta e, a partir daí, haverá mais consumo do que produção. "Em 2012 e 2013 é provável que haja deficit e que os estoques comecem a ser usados", previu.
Stephanes negou, porém, que a política de apoio à comercialização do café, com a aquisição de até 10 milhões de sacas este ano e em 2010, vise ao lucro. "O governo não está pensando nisso, mas toda vez que o governo entrou no mercado e comprou (café), acabou não perdendo", lembrou. "Neste caso, deve ocorrer uma situação positiva, mas não é atrás disso que o governo está atrás", continuou.
Ineficiência e baixa produtividade
Baseado num relatório chamado "Análise Estrutural da Cafeicultura Brasileira", elaborado por um grupo de trabalho formado por técnicos dos ministérios da Agricultura, Fazenda e do Planejamento e entidades do setor para nortear futuras tomadas de decisões do governo, Stephanes informou que o Brasil é o único país produtor de café com crescimento na produção de arábica.
"Isso é bom, mas dentro da atual estrutura temos produtores que terão que sair do mercado, pois não terão condições de continuar por não serem eficientes, por terem produtividade baixa", disse o ministro, que defende que haja um choque de gestão na cafeicultura brasileira e a erradicação de parte da lavoura com o objetivo de sustentar os preços do produto no mercado.
Entretanto, a erradicação não deve ocorrer no curto prazo ou de forma repentina. "Temos que encontrar um programa para diminuir a área de produção, pois (alguns produtores) estão com custos extremamente elevados e não terão condições de permanecer no mercado. É um processo vagaroso, meio longo", disse Stephanes.
Café em estoque
De acordo com Stephanes, o estudo interministerial identificou queda do total de estoque de café armazenado por países produtores. Em 2000 havia 54 milhões sacas nas mãos dos produtores, que hoje acumulam apenas 17 milhões de sacas. "É quase que uma queda livre", considerou. Por outro lado, continuou o ministro, os países consumidores vêm aumentando seus estoques, que passaram de 8 milhões de sacas na década de 80 e 90 para a casa dos 20 milhões em 2000. "Isso nos leva a uma conclusão simples: quem detém estoques compra quando quer e como quer."
Dívidas
Segundo o levantamento apresentado por Stephanes, do total de produtores brasileiros, aproximadamente 30% possuem dívidas. Deste novo universo, 30% estão inadimplentes. "Até que não é muito, avaliando como um todo, mas passa a ser grave quando há concentração em uma determinada região. Foi importante identificar isso", disse o ministro.
As informações são de Célia Froufe, da Agência Estado, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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VARGINHA - MINAS GERAIS
EM 17/09/2009
Fala-se muito que a dívida da cafeicultura não é grande. O nº apresentado por muitos, dentre eles o governo, hoje está em 4,2 bilhões de reais. Segundo o levantamento apresentado pelo sr, do total de produtores brasileiros, somente 30% (aproximadamente) possuem dívidas.
Outros, dizem que 4,2 bilhões refere-se apenas a dívidas com recursos do FUNCAFÉ. O valor total estaria entre 9 e 10 bilhões de reais.
Mais uma vez continuamos a trabalhar com achismos. Ninguém conhece o nº real.
Quando se trabalha com achismo as soluções dificilmente são eficazes e sustentáveis. Razão pela qual até hoje o equacionamento da dívida da cafeicultura não foi adequado.
Como produtor e acompanhando o "noticiário informal" pergunto: será mesmo de 4,2 bilhões ou 10 bilhões de reais a dívida da cafeicultura nacional ? somente 30% do total de produtores está endividada?
Gosto de ouvir os produtores mais velhos na atividade, mais experientes. O que já ouvi foi que antes dessa crise se agravar, levando em consideração todas as dívidas dos produtores como: maquinários a pagar, implementos, formação de lavouras, dívidas junto a cooperativas, bancos, oficinas, escola de filhos, planos de saúde, etc, ou seja, todos os compromissos financeiros. Qual seria o número ?
De 1,5 a 5 colheitas comprometidas. Pois bem, vamos considerar o nº mais baixo: 1,5 colheita. 1,5 vezes 40 milhões de sacas (previsão aproxiamada da safra desse ano) = 60 milhões de sacas. A R$ 250,00 a saca, a dívida na melhor das hipóteses, estaria em R$ 15 BILHÕES DE REAIS.
Mas poderá perfeitamente ser de 20, 30, 40 ou mais bilhões de reais ... cada produtor deveria comentar se concorda ou discorda desse "achismo", pelo que também sente da situação e de seus companheiros.
Precisamos investir em informação de qualidade (valor das dívidas, tamanho das safras, estoque nacional, estoque mundial, etc) para melhorar o planejamento de cada um e a eficácia nas soluções adotadas por todos os envolvidos.

TRÊS PONTAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 17/09/2009
Que absurdo: além do preço do café estar abaixo do custo de produção, ainda temos de ouvir certos absurdos.
Isto que o Ministro diz devia valer também aos políticos, pois temos vários que deviam sair do mercado por não serem tão efecientes.

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 17/09/2009