Stephanes: crédito para comercialização a cooperativas

O ministro da Agricultura reclamou ontem da burocracia dos bancos para liberar crédito aos produtores. Stephanes defende a criação de uma linha especial para cooperativas como forma de garantir a comercialização da próxima safra. Ele foi ao Senado para discutir a política agrícola do governo e falou das medidas adotadas para amenizar os efeitos da turbulência econômica na produção de alimentos no Brasil.

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O ministro da Agricultura voltou a reclamar da burocracia dos bancos para liberar crédito aos produtores. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado nesta terça, dia 16, Reinhold Stephanes afirmou que o repasse de recursos a cooperativas é a única forma de garantir que o dinheiro chegue às mãos dos agricultores.

Ele foi ao Senado para discutir a política agrícola do governo e falou das medidas adotadas para amenizar os efeitos da turbulência econômica na produção de alimentos no Brasil. Para assegurar os preços dos produtos, Stephanes disse que o governo pode investir na formação de estoques. O ministro também voltou a defender a criação de uma linha especial, no valor de R$ 2 bilhões, para as cooperativas como forma de garantir a comercialização em 2009.

Segundo Stephanes, o Banco do Brasil aumentou em 40% a oferta de crédito para compensar a posição mais retraída das tradings e dos bancos privados, e que caso necessário o governo fará mais - o que é o caso da nova linha para as cooperativas. Para o futuro, o ministro da Agricultura tem uma visão otimista. "Passada a crise, é possível que as projeções otimistas voltem a ocorrer".

"A burocracia dos bancos em liberar crédito está angustiando o governo. Temos questões mais graves no centro-oeste do país, onde, além dos bancos privados, havia o benefício das tradings. É uma dificuldade que estamos tentando superar", disse Stephanes. A liberação dos recursos para as cooperativas ainda não foi aprovada pela área econômica do governo, mas Stephanes avisa: o repasse precisa ser feito, no máximo, até o começo do próximo ano para garantir a comercialização da safra agrícola.

Conforme o senador Osmar Dias (PDT-PR), não há motivos para o Ministério da Fazenda ainda não ter aprovado a linha de crédito. "Dois bilhões é um valor pequeno perto daquilo que o governo, por exemplo, emprestou a bancos e montadoras. Não há por que negar crédito para milhares de produtores que poderão plantar e garantir alimentação e o abastecimento do país", ponderou.

O ministro afirmou também na audiência que o atual modelo brasileiro de política agrícola está esgotado. De acordo com ele, para garantir o futuro da produção é necessário reestruturar os sistemas de crédito, preços e o seguro rural. Stephanes informou aos senadores que um grupo de especialistas formado pelo governo federal já estuda uma nova política de crédito para o setor.

Sobre a relação entre a agricultura e a lei ambiental no Brasil, o ministro ainda reiterou que tem uma visão clara de que "o atual Código Florestal não atende nem ao pressuposto de produzir, nem ao de proteger". Conforme Stephanes, se a legislação for inteiramente aplicada, as atuais regras representariam a expulsão de até 2,5 milhões de pequenos agricultores de suas propriedades. Com informações de Viviane Cardoso, do Canal Rural e do Mapa.
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