SRB: Brasil é o que tem maior chance de atender à demanda futura pelo café
O Departamento de Café da Sociedade Rural Brasileira acredita, assim como especialistas do mercado, que nos próximos 10 anos os consumidores mundiais do grão demandarão um adicional de 30 milhões de sacas/ano. A informação, considerando o mercado doméstico, é ratificada pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) em sua pesquisa anual sobre as tendências de consumo de café, que revela um crescimento constante nos últimos anos.
Publicado por: CaféPoint
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Para o diretor do departamento, Luiz Marcos Suplicy Hafers, mesmo com as turbulências financeiras atuais e possíveis nos próximos anos, acredita-se que a entrada de novos consumidores no mercado, principalmente nas economias emergentes asiáticas - em função da contínua elevação de renda e da emulação de hábitos ocidentais de consumo -, gerará este incremento. "Também nos demais países produtores, sem tradição de consumo de café, se observa importante aumento da demanda", ressalta.
Esse cenário é interessante para o Brasil, maior produtor de café do mundo. A questão, porém, segundo os integrantes do Departamento de Café da Rural é que, apesar de o País ter potencial para suprir parte significativa da demanda adicional, é crescente o consenso de que o aumento da produção em 2012 não será suficiente para abastecer o mercado dos próximos dois a três anos, dada a drástica diminuição dos estoques da safra atual.
Além disso, existe a preocupação com os altos custos de produção, principalmente por conta da elevação do componente mão de obra, que tirou grande parte da competitividade nacional. "Isto nos leva a crer que os segmentos com maior probabilidade de suprir o aumento de produção devem ser a cafeicultura familiar, com menores custos em decorrência de encargos sociais e tributação mais baixos, e os produtores com potencial de expansão em áreas mecanizáveis", comenta Hafers.
Países produtores Em comunicado, o Departamento de Café da Rural ressaltou tentar avaliar quais países produtores poderão, juntamente com o Brasil, atender ao crescimento no consumo pelo café. Entre as poucas exceções com capacidade significativa para isso estão Honduras e Peru, mas não deixaram de destacar as iniciativas de empresas como a Starbucks Coffee Company, que está com um projeto de produção na China, e a Nestlé, cuja programação é incentivar o cultivo sustentável de café também no México, Tailândia, Filipinas e Indonésia.
No Brasil, a menor variação de produção entre os ciclos bianuais, aliada à seca deste ano, impossibilitará o País de colher uma safra recorde no próximo ano. Avaliações recentes nas principais regiões produtoras indicam pegamento menor da florada e reforçam a impressão de que teremos uma safra bem menor que inicialmente era previsto.
Preço Outro ponto analisado pelos diretores da Rural refere-se aos valores de comercialização da safra. De acordo com Hafers, no curto prazo, não se vê risco de "colapso" de preços, como aventado por analistas internacionais, em função das restrições impostas por um fluxo bem complicado que não parece ter soluções em curto prazo. "Mas fazemos a ressalva do poder de manipulação de mercado dos grandes players financeiros, que já vimos muitas vezes terem capacidade para levar o mercado em direções opostas aos fatores fundamentais para realização de suas estratégias coletivas. Infelizmente, a analise fundamental muitas vezes fica comprometida com a movimentação dos mercados pelos fundos e pela conjuntura cambial."
As informações são da Assessoria de Imprensa da SRB, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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