SP: cafeicultura paulista será mais "encorpada"?

Estudo feito por pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) concluiu que a agricultura paulista está prestes a criar um novo segmento: está previsto para os próximos anos um aumento significativo do plantio de conilon no interior do estado. A produção de café robusta no Brasil é da ordem de 11 milhões de sacas por ano, sendo que pelo menos 8 milhões delas são misturadas ao arábica para o suprimento interno.

Publicado por: CaféPoint

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Confirmando a tendência de crescimento da demanda por café robusta (Coffea canephora) em todo o mundo, um estudo feito por pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e do Instituto Agronômico (IAC) concluiu que a agricultura paulista está prestes a criar um novo segmento: está previsto para os próximos anos um aumento significativo do plantio de conilon no interior do estado.

"Como o próprio nome sugere, a planta do café robusta é mais vigorosa e produtiva, desde que adequadamente manejada do ponto de vista agronômico. Seu custo é inferior porque ela é tolerante a doenças fúngicas e a pragas às quais o arábica (Coffea arabica) é extremamente sensível. A produtividade do robusta também é significativamente maior", disse Celso Luis Vegro, pesquisador do IEA e um dos coordenadores do estudo, à Agência FAPESP.

De acordo com o estudo, o custo para a safra 2005/06 de produção do café robusta foi de R$ 114,79 por saca, enquanto o do café arábica foi de R$ 234,83 por saca. O Estado de São Paulo é responsável pela industrialização (torra, moagem e solubilização) de aproximadamente 40% de todo o café produzido no território nacional.

"Tradicionalmente em São Paulo se produz café arábica. Em uma média de duas safras, colhem-se no estado aproximadamente quatro milhões de sacas de café beneficiado, para um consumo que já se aproxima dos seis milhões de sacas. Por conta disso, o estado precisa comprar café de fora, principalmente de Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo e Rondônia", explicou Vegro.

"Enquanto no arábica o teor médio de cafeína é de 1,2%, no robusta essa concentração chega a 4%. Isso é apenas um exemplo entre as mais de 1,2 mil substâncias gustativas e aromáticas existentes em um grão de café", disse o pesquisador. "No café robusta há um maior rendimento de sólidos solúveis por unidade de produto processado, o que torna o produto uma matéria-prima por excelência para a indústria. Não há dúvida de que o fortalecimento competitivo da indústria de solubilização no Brasil depende de uma oferta consistente de café robusta", completa.

Outro ponto importante é o fato de o porto de Santos embarcar cerca de 65% das exportações de café e o país ter uma carteira de pedidos de café robusta que não consegue ser atendida, devido à grande concorrência que existe por esse produto. "Ampliar a oferta paulista do produto dinamizaria tanto o mercado interno como o comércio exportador", afirmou Vegro.

Segundo Celso Vegro, por ser um produto mais barato do que o arábica, a indústria tem usado a estratégia de adicionar um percentual crescente de café robusta no arábica, para manter a competitividade. A produção de café robusta no Brasil é da ordem de 11 milhões de sacas por ano, sendo que pelo menos 8 milhões delas são misturadas ao arábica para o suprimento interno.

"Atualmente, as principais marcas de café comercializadas têm entre 40% e 60% de robusta no blend - e muitas vezes se trata de um café robusta mal preparado, o que acaba prejudicando o resultado final do produto", apontou. O estudo mostra ainda que o plantio de café robusta pode ser indicado para áreas onde o cultivo de cana-de-açúcar tenha restrições ou que não reúnam condições adequadas para o café arábica.

A colheita com máquinas, aponta o pesquisador, é possível apenas em áreas em que a declividade não vai além de 15% a 20%, fazendo com que um grande número de áreas agrícolas possa se tornar imprópria para o cultivo da cana nos próximos anos. "E o robusta mais uma vez aparece como alternativa economicamente consistente para a diversificação dos produtores", reforça.

Um amplo zoneamento agroclimático para o café robusta, realizado recentemente por técnicos do IAC, que mostra que as zonas preferenciais para seu cultivo são bem divergentes daquelas em que se concentra o arábica. "A meta do setor produtivo em São Paulo é fazer com que o robusta não interfira no arábica, e vice-versa. Será buscada a complementaridade", apontou Celso.

Segundo ele, está prevista, ainda para 2008, a instalação de cerca de 80 hectares de café robusta em caráter experimental no interior paulista, sendo que novas políticas públicas para o setor poderão ser criadas a partir de 2009, permitindo a agregação da agricultura familiar nesse novo segmento.

"O café tem o potencial de gerar renda no local em que é cultivado, diferentemente da cana-de-açúcar, setor no qual há uma imensa concentração econômica em grandes grupos nacionais e transnacionais. A previsão do setor é que o cultivo do robusta possa exibir crescimento muito razoável diante das necessidades da indústria paulista nos próximos dez anos", disse. A matéria, de Thiago Romero, foi publicada na Agência Fapesp, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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Albino João Rocchetti
ALBINO JOÃO ROCCHETTI

FRANCA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 02/10/2008

Acostumados a ler os bons artigos do Celso Vegro, agora temos que ler esta má notícia: a "entrada" do robusta em terras paulistas. Sei que é uma contingência para se adaptar ao mercado, mas é triste ver que o estado tradicional produtor de bons arábicas tenha que se sujeitar a produzir robusta.