Vietnã, oficialmente a República Socialista do Vietnã, é um país asiático localizado na Península da Indochina. Limitado a norte pela China, a leste e ao sul pelo Mar da China Meridional, e a oeste pelo Golfo da Tailândia, pelo Camboja e pelo Laos, possui uma população de 86 milhões de habitantes é o 13° país mais populoso do mundo.
O Vietnã ocupa uma área de 330.000 km², de sua fronteira com a China ao norte, até sua extremidade inferior ao sul, são 1.650 km de distância, com 3.260 km de costa. Montanhas e florestas tropicais cobrem cerca de ¾ do país, porém é nas planícies que concentra a maior parte da população.
Figura 1 - Mapas Vietnã:

Hanoi, a capital do país, se encontra a beira do Rio Vermelho. Ela não é apenas a capital política, cultural e educacional do Vietnã, mas também o centro econômico do norte do país. Por sua vez, Ho Chi Min City, a maior cidade do país e antiga Saigon, situa-se próxima ao delta do Rio Mekong, na região sul do país. A cidade, com mais de 5 milhões de habitantes funciona como o centro econômico do país.
O Vietnã é um país em desenvolvimento que, nos últimos 30 anos, teve que se recuperar não somente das devastações causadas pela guerra e da perda do apoio financeiro da coligação política do bloco soviético, mas também da rigidez de uma economia centralizada e planejada.
O crescimento médio foi de 9% por ano de 1993 a 1997. Mesmo no período da crise financeira asiática, de 1997 a 2004, o crescimento do PIB foi de aproximadamente 6,8% ao ano. O crescimento chegou a atingir 8% em 2005 e atualmente o crescimento está estimado em 7% para o ano de 2008.
Em 2001 as autoridades vietnamitas reafirmaram seu compromisso de liberalização econômica e com a integração internacional. O Vietnã está trabalhando para promover a geração de empregos para adequar-se ao alto ritmo de crescimento da população. A economia sofre forte pressão inflacionária, que deve atingir a taxa de 25% em 2008. Níveis altos de inflação nos últimos anos levaram o governo a apertar políticas monetárias e fiscais. A elevação das importações fez com que o déficit da balança fiscal triplicasse, atingindo US$ 14,4 bilhões de dólares em junho de 2008.
No agronegócio, o Vietnã é o maior produtor e exportador de café Robusta e segundo maior exportador de café do mundo. O país é também o maior exportador mundial de pimenta, segundo maior exportador de arroz e castanha de caju, e quarto maior exportador de borracha. O agronegócio é responsável por aproximadamente 25% do PIB e por empregar cerca de 70% da força de trabalho.
O café ocupa o planalto central ("Central Highlands"), concentrando-se nas províncias de Dak Lak (maior produtor), Lam Dong e Gia Lai.
Figura 2 - Regiões cafeeiras do Vietnã:

O arroz é cultivado nos deltas dos rios Mekong e Vermelho. O chá é cultivado ao norte do país e os seringais e áreas de cultivo de frutas estão localizados no sul do país, inclusive ao longo do delta do rio Mekong.
2. Produção:
Nos últimos 15 anos a cafeicultura do Vietnã passou por uma grande revolução que tornou o país o maior produtor e exportador de café Robusta do mundo. Atualmente, a área plantada de café corresponde a um valor em torno de 490.000 ha.
O ano safra 2007/2008, que se encerrou agora em setembro, teve uma produção estimada de 17,5 milhões de sacas de acordo com a Organização Internacional do Café e o USDA, enquanto fontes oficias do país (VINACAFE) divulgaram uma estimativa de apenas 15 milhões de sacas. Apesar de a produção ter sido fortemente afetada por condições climáticas adversas e baixa produtividade, ela ainda é 28% maior que os 13,66 milhões de sacas produzidas na safra 2005/2006.
As estimativas para o ano safra entrante de 2008/2009 são de grande aumento da produção, para algo em torno de 21,5 milhões, segundo a agência Reuters e o USDA. Isto significaria um aumento de 23% em relação à safra anterior, devido principalmente às boas condições climáticas, boa produtividade e também à entrada em produção de novas áreas. As estimativas locais são menos otimistas, apontando o alto custo dos fertilizantes (que dobraram de preço em 2008) como entrave.
Gráfico 1: Produção de café no Vietnã nos últimos 10 anos

Apesar dos esforços governamentais encorajando o plantio de outros produtos em áreas marginais, o plantio de arábica, a renovação do parque cafeeiro e a utilização de novas técnicas de manejo, os cafeicultores continuam investindo na expansão da área cultivada com Robusta. Este comportamento se deve aos altos preços pagos pelo produto no mercado externo e a grande lucratividade correspondente, fazendo com que esta expansão ocorra mesmo em áreas menos indicadas para o cultivo de café, em oposição a políticas governamentais.
Em áreas de maior altitude o governo vem promovendo a expansão do plantio de Arábica. O resultado é um pequeno incremento na produção que saiu de 350 mil sacas em 2006/2007 para uma estimativa de 500 mil sacas projetadas para 2008/2009.
O custo de produção do Robusta no Vietnã gira em torno de US$ 600,00 a US$ 800,00 por tonelada (US$ 36,00 a US$ 48,00 a saca de 60 kg), o que, mesmo após a queda recente dos preços de café no mercado internacional, ainda torna os cafeicultores vietnamitas extremamente competitivos se comparados com produtores em outras origens. Estimativas apontam que a composição dos custos de produção é de 20% para mão-de-obra, 40% para fertilizantes e 40% para irrigação.
Os principais fatores que podem afetar a produção no país são secas e a recente alta nos custos dos insumos e fertilizantes. Um dos grandes entraves para a expansão do café no Vietnã é a irrigação e a disponibilidade de água para tal. O custo da mão-de-obra também aumentou no país, porém, ainda é extremamente baixo se comparado aos custos de outros países produtores de café. Em 2002 o custo da mão-de-obra girava em torno de US$ 1,00/dia; hoje já alcança US$ 3,00 /dia.
O ano de 2007 foi extremamente favorável para os produtores de mudas de café, que obtiveram lucro excelente devido à grande demanda. Porém, em 2008 uma superprodução de mudas e a redução da demanda da maior região produtora do país, a província de Dak Lak e regiões vizinhas, fez os preços das mudas desabarem. Esta expansão no cultivo de mudas ocorreu de forma desordenada e a origem destas é desconhecida, o que pode prejudicar alguns cafeicultores no futuro.
3. Disponibilidade de café:
As exportações totais da safra 2007/2008 estão estimadas em 17,23 milhões de sacas, 24% menos que no mesmo período do ano passado, porém, 60% a mais que a safra 2005/2006.
Fontes oficiais locais do governo (General Statistics Office, GSO) estimam também uma redução de 24% entre outubro de 2007 e agosto de 2008. Apesar da redução do volume exportado, nos primeiros 8 meses de 2008 os ganhos com as exportações aumentaram 9,2%, para US$ 1,54 bi.
Gráfico 2: Volume das exportações vs. valor das exportações de café:

O Vietnã exporta café para aproximadamente 74 países. A Alemanha e os EUA são os dois maiores compradores. O Vietnã também importa pequena quantidade de café verde e solúvel. A importação de café verde é destinada para processamento e posterior re-exportação.
Todo ano surgem notícias de novos empreendimentos para a construção de indústrias de café solúvel no país, cujo mercado ainda é dominado pela empresa estatal Vinacafe e pela Nestlé. Empresas privadas como a Trung Nguyen, principal torrefadora do país e também comercializadora de "3 em 1" e solúvel, a Thai Hoa Production and Trading Co. Ltd. e a própria VINACAFE Da Lat fizeram investimentos recentes em novas plantas de processamento de solúvel e T&M, aumentando consideravelmente a capacidade produtiva do país.
A bolsa de mercadorias de Buon Ma Thuot (BCEC) na província de Dak Lak, criada em novembro de 2004, atualmente apenas comercializa café através de pregões voltados ao mercado doméstico. Está programado para dezembro de 2008 o início da comercialização em pregões para ambos os mercados, local e internacional, sendo que futuramente a bolsa passará a comercializar seus cafés via pregões eletrônicos e internet. Espera-se que a bolsa ajude produtores e comerciantes locais a acessar melhores informações sobre preços no mercado internacional, já que ela estará em sintonia com as bolsas de Londres e Nova Iorque.
De acordo com a Organização Internacional do Café, 88% do café rejeitado no mundo de Setembro de 2006 a Março de 2007 veio do Vietnã. Esta alta rejeição do café vietnamita no mercado internacional devido à baixa qualidade fez com que o Ministério da Indústria e Comércio criasse um novo padrão de qualidade para o café vietnamita, onde a classificação do produto é feita com base no número de defeitos em 300g. Porém, apenas 1 a 2% do total de café exportado pelo Vietnã atende esta norma. A dificuldade levou o governo vietnamita a retardar a obrigatoriedade da norma, prevista para início de 2008, tornando-a voluntária para os exportadores. O governo espera que a nova norma seja implementada para a comercialização das próximas safras.
Não existem dados oficiais sobre os estoques vietnamitas de café. Em razão da reduzida produção na safra 2007/2008 e aos altos preços no mercado internacional até meados de 2008, que favoreceram a exportação, o mercado estima que haja uma redução nos estoques de passagem de 45%.
O consumo de café em 2007/2008 está estimado em 870.000 sacas de 60 kg. Segundo o USDA, a estimativa é de aumento para 900.000 sacas no próximo ano safra, com a evolução concentrada principalmente nas áreas produtoras e urbanas, impulsionado pelas marcas locais e abertura de casas de café. Entretanto, o consumo per capita ainda é baixo, de 0,6 kg/ano, sendo que o consumo doméstico corresponde a apenas 5% da produção total. Cerca de 95% do consumo é de café torrado e moído e apenas 5% de café solúvel, dos quais grande parte é consumida na forma de "3 em 1", ou seja, café solúvel, creme artificial e açúcar. O governo do Vietnã estuda a implementação de um programa institucional para incentivar o aumento do consumo de café no país.
4. Oportunidades e ameaças à cadeia produtiva brasileira
A expansão da cafeicultura no Vietnã continua a impressionar pelo seu vigor, dinâmica e alta competitividade. O panorama do mercado cafeeiro internacional favorece a produção vietnamita, já que o Robusta vem ganhando cada vez mais espaço no mercado internacional. As tendências mundiais de consumo, se não forem afetadas pela grave crise atual, fornecem um horizonte de demanda seguro para a expansão da produção de café Robusta no Vietnã.
O índice que mede quanto o cafeicultor vietnamita recebe do preço de exportação gira em torno de 85%, próximo à média de 90% do Brasil, o que mostra que ele é diretamente beneficiado pelos atuais preços, que ainda lhe garantem boa rentabilidade em função de seu baixo custo de produção. O cafeicultor vietnamita tem, assim, grandes incentivos a produzir mais.
Apesar das recentes altas dos fertilizantes e mão-de-obra, a cafeicultura vietnamita continua sendo muito mais competitiva que a brasileira. A produção vietnamita tem potencial para ocupar os novos espaços que se abrem no mercado mundial, espaços que poderiam ser ocupados pelo Conilon, ou mesmo, pelo Arábica brasileiro.
Os principais pontos fracos da cafeicultura vietnamita são a falta d'água para irrigação e a baixa qualidade do café produzido no país. As autoridades locais vêm tentando contornar esta última debilidade através de legislação, o que não é o caminho adequado na ausência de medidas concretas para melhorar a qualidade no âmbito da produção. Assim, a melhoria da qualidade pode ser lenta apesar de grandes investimentos em equipamentos de rebenefício, que entretanto não atacam a raiz do problema, localizada antes, no pós-colheita.
O Vietnã representa também ameaça crescente à indústria de café solúvel brasileira. O custo competitivo do Robusta vietnamita vem provocando expansão substancial da indústria de solúvel local em detrimento da brasileira, que não tem acesso à matéria prima tão competitiva e sofre com o protecionismo da União Européia.
Como consideração final, podemos dizer que o Vietnã continuará sendo um importante ator no cenário cafeeiro internacional, com fortes tendências a continuar sua vigorosa expansão. As informações são do Centro de Inteligência do Café.