Setor de fertilizantes já movimentou US$ 10 bi em 2010

A aquisição da americana Terra Industries pela norueguesa Yara, anunciada na segunda-feira (15), dá uma ideia da efervescência por que passa o segmento de fertilizantes. Como observa o "Financial Times", 2010 tem menos de sete semanas, mas negócios que somam US$ 10 bilhões já foram fechados nesta frente no mundo.

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A aquisição da americana Terra Industries pela norueguesa Yara, anunciada na segunda-feira (15), dá uma ideia da efervescência por que passa o segmento de fertilizantes. Como observa o "Financial Times", 2010 tem menos de sete semanas, mas negócios que somam US$ 10 bilhões já foram fechados nesta frente no mundo.

Em janeiro, a brasileira Vale, segunda maior mineradora do mundo, comprou por US$ 3,8 bilhões os ativos de fertilizantes da Bunge no Brasil, incluindo a participação da empresa na Fosfertil. Comprou ainda a fatia da Yara nesta última por US$ 785 milhões. A australiana BHP Billiton, maior mineradora do mundo, investiu US$ 320 milhões em uma empresa de potássio no Canadá, a Athabasca Potash, e planeja gastar mais US$ 3 bilhões no desenvolvimento de outros ativos canadenses na próxima década, observa o "Financial Times".

Agora, a Yara International maior fabricante de fertilizantes listada em bolsa, vai pagar aproximadamente US$ 4,1 bilhões pela concorrente Terra Industries.

Para o "Financial Times", a compra da Terra pela norueguesa - como outros negócios fechados neste ano -, trata-se menos de questões financeiras de curto prazo e muito mais de uma aposta de longo prazo no setor agrícola. E a razão é simples: em meados do século, observa o jornal britânico, o mundo terá provavelmente mais 3 bilhões de bocas para serem alimentadas. Além disso, preocupações ambientais devem limitar a abertura de novas áreas de cultivo. Assim, aumentar a produtividade dos campos já existentes é fundamental.

Um relatório do Credit Suisse, divulgado ontem (17) pela Bloomberg, corrobora a perspectiva de aumento da demanda por fertilizantes. A instituição elevou seus preços-alvos para nitrogênio, potássio e fosfato, como reflexo da recuperação da demanda global pelo insumo. O banco elevou a previsão para o preço da ureia em 2010 em US$ 20 por tonelada para todas as regiões. Para o DAP, em US$ 65 por tonelada para todas as regiões e para o MOP em US 10, dependendo da região. O banco também elevou a previsão para os preços em 2011. Para a ureia, a alta é de US$ 10 em todas as regiões; para o DAP, de US$ 30, e para o MOP, de € 5 no no noroeste da Europa.

Num desdobramento do anúncio da compra da Terra pela Yara, a canadense Agrium Inc., afirmou, na terça-feira (16), que a americana CF Industries Holdings Inc. deveria reconsiderar a sua oferta de compra. No último ano, a CF, com sede em Illinois, recusou várias ofertas da Agrium.

Brasil: discussão sobre fertilizantes

Para diminuir a dependência das importações, o governo decidiu bancar a proposta do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, de que a discussão sobre os fertilizantes usados na produção agrícola seja independente da reelaboração do Código Mineral. Segundo Stephanes, um anteprojeto específico com as propostas do Executivo para pesquisa e produção das jazidas será apresentado antes do fim de março ao Congresso.

Além do anteprojeto, Stephanes informou que os Ministérios de Minas e Energia e da Agricultura também estão definindo "medidas administrativas" e "decisões políticas" para tratar de casos de jazidas já existentes e não exploradas.

As informações são dos jornais Valor Econômico e O Estado de S.Paulo, adaptadas e resumidas pela Equipe CaféPoint.
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Ricardo Peres Jr.
RICARDO PERES JR.

SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 18/02/2010

Fusões e aquisições como essa da Yara, na maioria das vezes são prejudiciais ao produtor rural, pois acabam por diminuir a concorrência no setor de fertilizantes, aumentando ainda mais os custos de produção em função de iminentes altas de preço.