Apesar da redução da oferta global de café e dos preços em alta, a indústria do setor ainda vê com cautela a ideia de ter a China como novo fornecedor do suprimento.
No início deste mês, a empresa de cafés Starbucks assinou um acordo com o governo da província de Yunnan, no Sul da China, para abrir a sua primeira fazenda de café no país. O Starbucks, que tem a maior cadeia de cafeterias nos Estados Unidos, afirmou na ocasião que buscava "trazer o distinto gosto do café de Yunnan" para os consumidores de todo o mundo. O movimento do Starbucks poderia remodelar o mercado global. O consumo de café aumentou em todo o mundo, mesmo durante a crise econômica, e um dos países em que isso aconteceu com maior intensidade foi a China. Enquanto sua economia cresce, as torrefadores, especialmente o Starbucks, buscam atender a essa demanda com marcas ocidentais.
"Sempre temos de buscar novas oportunidades", disse o presidente da Associação Nacional de Café dos Estados Unidos, Robert Nelson, em conferência da indústria realizada na Costa Rica. "Empresários sábios têm visão global para encontrar o melhor café."
Entretanto, levar o café produzido na China para venda fora da Ásia é um desafio, mesmo que a indústria esteja vendo um desafio na queda da produção na América Latina, principal fonte de grãos arábica suaves e lavados, de maior qualidade e de preços mais elevados.
O analista de commodities Stefan Uhlenbrock, da F.O. Licht, disse que continua sendo cauteloso no que diz respeito à China. "A vantagem da China é que definitivamente eles têm custos mais baixos, mas estão enfrentando outros problemas."
A rápida urbanização da China pode ser um desafio para a produção de café, na medida em que as cidades ocupam as terras mais aptas a receber a cultura. Uhlenbrock disse que a única opção acaba sendo as fontes normais, como Brasil e Vietnã, os dois maiores produtores mundiais, que poderiam aumentar sua produtividade. "Não existem muitas alternativas."
Embora a produção tenha caído, o café chinês também deve ter problemas de aceitação junto a consumidores que confiam em produtos de qualidade e origem tradicionais. Segundo o presidente da Atlantic Specialty Coffee, Allen Sasaki, "estamos realmente preocupados com o contínuo declínio da produção da América Central e da Colômbia. Simplesmente não sei se lugares como a China terão café de mesma qualidade".
Em 10 de novembro, o principal contrato de café negociado na ICE Futures US atingiu a máxima em 13 anos de 218,65 cents/lb. O clima ruim e o abrangente programa de replantio na Colômbia, maior produtor mundial de cafés especiais, levaram a dois anos consecutivos de oferta apertada no mundo e puxaram as cotações. A Colômbia não alcançará seus objetivos pelo terceiro ano consecutivo, de acordo com a Federação Nacional de Cafeicultores, que no mês passado reduziu sua estimativa de produção no país de 11 milhões de sacas para 9,5 milhões de sacas, por causa do clima desfavorável.
As informações são da Dow Jones, conforme noticiou Mellão Martini, adaptadas pelo CaféPoint.
Setor analisa com cautela ter China como fornecedor
Apesar da redução da oferta global de café e dos preços em alta, a indústria do setor ainda vê com cautela a ideia de ter a China como novo fornecedor do suprimento. No início deste mês, a empresa de cafés Starbucks assinou um acordo com o governo da província de Yunnan, no Sul da China, para abrir a sua primeira fazenda de café no país. Entretanto, levar o café produzido na China para venda fora da Ásia é um desafio, mesmo que a indústria esteja vendo um desafio na queda da produção na América Latina, principal fonte de grãos arábica suaves e lavados, de maior qualidade e de preços mais elevados.
Publicado por: CaféPoint
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