Serviço público de Ater poderia ser melhor aproveitado

Conheço a Emater e vários de seus bravos técnicos. Mas também é notório que é um ótimo instrumento de uso de dinheiro público com baixa eficiência na sua alocação. Na França, por exemplo, os serviços públicos de Ater foram extintos a mais de 40 anos, sem que ninguém sinta sua falta. Acho que os técnicos poderiam ser melhor aproveitados sem uma estrutura burocratizada e centralizada como as empresas públicas de Ater.

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José Eduardo Ferreira da Silva, leitor do CaféPoint, de Belo Horizonte, MG, comenta artigo "Estimativa de safra no Brasil: um grande chute ou jogo de interesses?". Leia a seguir.

Carta de José Eduardo Ferreira da Silva

Conheço a Emater e vários de seus bravos técnicos. Mas também é notório que é um ótimo instrumento de uso de dinheiro público com baixa eficiência na sua alocação. Na França, por exemplo, os serviços públicos de Ater foram extintos a mais de 40 anos, sem que ninguém sinta sua falta. Acho que os técnicos poderiam ser melhor aproveitados sem uma estrutura burocratizada e centralizada como as empresas públicas de Ater. Teria muita vaga nas cooperativas, etc.

Mas talvez seja uma ótima oportunidade para mostrar a eficiência da valorosa instituição. Quem sabe devíamos buscar um comparativo de produtividade dos produtores assistidos pela Emater e pelos outros que contam com a assistência das cooperativas, contratadas diretamente ou via associações?

Apenas acho que, para se mudar estrategicamente o estado das coisas é necessário o produtor passar a ter mais controle da situação, e os programas desenvolvidos nos gabinetes da capital, longe da roça, e onde a coisa acontece, não dá pra se ter eficiência. Ainda mais quando recursos minguados têm de ser divididos por uma miríade de escritórios (que ainda tem de contar com a boa vontade de prefeitos, e estes cobram politicamente um preço alto). Aí o técnico que já tem pouco tempo pra ir pro campo (pela quantidade de relatórios que tem de preencher, etc) ainda tem de conseguir uns 20 "litrinhos" de gasolina aqui, uns 20 "litrinhos" acolá...

Quer dizer, não há dignidade profissional que resista a mendicância de gasolina, uso de carro velho e inseguro, escritórios sem a mínima condição de conforto, uso político partidário dos serviços, burocracia, baixos salários...

Quer saber como ficariam a extensão rural e os agricultores familiares sem as empresas públicas de Ater? Muito melhor. Tá na hora de "empurrar a vaquinha morro abaixo"! Também acho que passou da hora de todos nós revermos nossos conceitos, sobretudo quando se fala de políticas públicas. Todos precisam de menos esmola e maior capacidade de competir. Melhoria de infraestrutura, menos impostos (para isso, só com uma importante redução dos gastos de custeio da máquina), combate sério a toda e qualquer forma de informalidade, política de defesa sanitária, etc.

Leia na íntegra a carta, acessando aqui.

Rodrigo Cascalles, Equipe CaféPoint
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