Sérgio Pereira fala da distância pesquisa X produtor

O leitor do CaféPoint Sérgio Parreiras Pereira, pesquisador do IAC e mediador da Comunidade Manejo da Lavoura do Peabirus, enviou um comentário ao artigo "O paradoxo do desenvolvimento vs. transferência de tecnologia no café". Acesse e leia a carta na íntegra.

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O leitor do CaféPoint Sérgio Parreiras Pereira, pesquisador do IAC e mediador da Comunidade Manejo da Lavoura do Peabirus, enviou um comentário ao artigo "O paradoxo do desenvolvimento vs. transferência de tecnologia no café". Abaixo leia a carta na íntegra.

"Saudações Cafeeiras....

Primeiramente gostaria de cumprimentar o Carlos Brando pela atitude de levantar o debate sobre esse ponto que também considero o "Calcanhar de Aquiles" da cafeicultura brasileira: a interação entre academia, extensão rural e cafeicultores.

A Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) no Brasil vive hoje a transição do modelo difusionista aplicado por décadas tanto pelas agências governamentais de extensão quanto pelos pesquisadores. A informação e o conhecimento seguiam um caminho unidirecional, hierárquico, tendo no produtor o mero papel de receptor de conhecimento, sem levar em consideração sua sabedoria. Hoje, devem-se buscar soluções compartilhadas a problemas comuns, onde a comunicação horizontal é ponto de partida para construção do conhecimento.

No inicio do ano, ao participar dos "3 Desafios da cafeicultura em 2010" promovido aqui pelo CaféPoint, postei:

#Desafio 02: Aproximar academia e setor produtivo

Nos estudos de prospecção de demandas e nos "bate-papos" pelas andanças cafeeiras, torna-se notório algo inusitado: a maioria das tecnologias, técnicas ou serviços demandados pelo setor produtivo já foram pesquisados e estes conhecimentos não chegam ao produtor.

Culpa da extensão? Não. O que vale no meio científico é onde será publicado o novo artigo, e qual o fator de impacto dessa revista. Falta incentivo, além do ideológico, para que a academia esteja alinhada com a extensão, estabelecendo uma comunicação dialógica, permitindo que o conhecimento gerado chegue ao setor produtivo.

Culpa do pesquisador? Não. O sistema valoriza quem tem um belo "Currículo Lattes" e não quem faz ciência efetivamente aplicada. E na aprovação do próximo projeto ou na análise daquele sonhado concurso, o que vale são as publicações e os títulos.

Neste desafio, a sociedade necessita rever seus conceitos no que tange à pesquisa agropecuária e seus objetivos.


Acredito que as ferramentas para diminuir a distância entre academia, extensão rural e cafeicultor estejam no âmbito do próprio Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café - CBP&D/Café, gerenciado pela Embrapa Café. Pessoalmente, não acredito que seja necessária a criação de um consórcio de instituições de difusão de tecnologia e serviços de extensão, mas sim que estes ampliem sua participação dentro do Consórcio já existente. Assim, caminhamos para integração e articulação entre as partes.

Não acontecendo isso, continuaremos como se diz no popular: Ado...Aaado...Cada um no seu quadrado....
E a cafeicultura...."

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