O apicultor Arnô Wieringa, de Pedra Azul, em Domingos Martins (ES) está produzindo café orgânico de qualidade e a safra colhida este ano chegou a 91 pontos. Segundo ele, as abelhas ajudam muito no resultado alcançado: "em conversa com cafeicultores da região onde colocamos nossas abelhas para fazer polinização do café, percebemos que, por conta do casamento entre o plantio orgânico e a apicultura, houve um valor mais alto na venda do produto".
Foto: Lucas Albin/Agência Ophelia
De acordo com Wieringa, pesquisas científicas de café arábica comprovam que os grãos aumentam de 20% a 30% no tamanho quando as abelhas vão para a plantação em época de florada: "neste momento, o volume da colheita também aumenta", disse. Na lavoura de 3 hectares do produtor, 1 hectare e meio é destinado para a produção de café.
O supervisor agrícola Rogério Lemke, que há 10 anos trabalha com café, foi um dos incentivadores para o apicultor investir na cafeicultura. Antes, a área da propriedade tinha uma lavoura de hortaliça no método convencional, porém, depois que o apiário foi instalado, a terra descansou e a vegetação natural começou a voltar. Juntos, eles decidiram plantar uma árvore natural do Canadá, conhecida como Liquidamba.
"Decidimos plantar aqui porque temos uma outra área de café que tinha Liquidamba plantada e ela estava bem espaçada. Dessa forma, plantamos o café embaixo para ver o que dava e ele está se saindo muito bem", comentou, acrescentando que eles não usam defensivos agrícolas nem capinam o mato, mas uma das preocupações é com a adubação do solo e nutrição da planta.
"No inverno, quando a planta precisa de claridade, cai a folha toda e o sol entra. Quando é o contrário, ela renova a folha toda e protege o café do sol, além de servir como matéria orgânica", destacou.
O café de Wieringa é secado sem tirar a casca nem despolpar, o que de certa forma é benéfico para o produtor, pois concentra mais o açúcar e faz um café mais doce e de melhor qualidade. Após seco, o café vai para Venda Nova do Imigrante, onde é colocado em uma máquina e é pilado para retirar a casca. Feito isso, ele passa por uma peneira para separará-lo pelo tamanho do grão e os que tiverem peneira acima de 16 vão para o café expresso.