Segue pressão para proibir glifosato na Argentina

Em junho, um grupo de advogados ambientalistas peticionou à Suprema Corte da Argentina requerendo a imposição de uma proibição por seis meses sobre a venda e uso do glifosato naquele país. A polêmica se desenrola desde que o pesquisador Andrés Carrasco, da Universidade de Buenos Aires, constatou que doses mínimas do herbicida causaram defeitos no cérebro, intestino e coração de fetos de várias espécies de anfíbios.

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Em junho deste ano, o jornal Valor Econômico, reproduzindo reportagem do Financial Times, divulgou que "um grupo de advogados ambientalistas peticionou à Suprema Corte da Argentina requerendo a imposição de uma proibição por seis meses sobre a venda e uso do glifosato". A polêmica se desenrola na Argentina desde que o pesquisador Andrés Carrasco, da Universidade de Buenos Aires, constatou que doses mínimas do herbicida causaram defeitos no cérebro, intestino e coração de fetos de várias espécies de anfíbios, indicando prováveis efeitos similares em humanos.

Mariano Aguilar, diretor-executivo da Associação Argentina de Advogados Ambientalistas, que pleiteou em ação a proibição sobre a venda e uso do glifosato, sabe que será extremamente difícil conseguir a proibição do agrotóxico na Argentina diante do poder do agronegócio no país. "Sabemos que estamos enfrentando Golias", diz ele.

Segundo a reportagem, "pesquisas conduzidas por outros cientistas argentinos e evidências levantadas por outros ativistas indicaram elevada incidência de defeitos de nascença e câncer em pessoas que vivem perto das regiões de pulverização das lavouras. Estudo conduzido por um médico, Rodolfo Páramo, na provincial agrícola de Santa Fé, relatou 12 deformações a cada 250 nascimentos, bem acima da taxa normal."

Embora a proibição do glifosato na Argentina não seja provável, o próprio pesquisador Carrasco já vislumbra uma possibilidade de avanço. "As autoridades poderão começar a isolar o problema implantando controles eficazes onde as lavouras são pulverizadas", diz o texto. De fato, já passou da hora de os governos começarem a impor controles ao uso indiscriminado de defensivos agrícolas e a monitorar os efeitos destas substâncias no ser humano e ambiente.

A Argentina tornou-se uma potência mundial na exportação de alimentos, em grande parte por meio do uso de grãos geneticamente modificados projetados para resistir ao glifosato. O país é o maior exportador mundial de óleo de soja e segundo maior na exportação de milho, terceiro em soja e sétimo, em trigo. O glifosato é o herbicida mais usado e os produtores gastaram com ele cerca de US$ 450 milhões por ano e usam 150 milhões de litros anualmente nas suas lavouras.

Com informações do jornal Valor Econômico, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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