Santos/SP: Região ganhou relevância com o ciclo do café

A cidade de Santos desenvolveu-se em razão da comercialização e do embarque do produto no século XIX, possibilitando a criação de uma inédita classe média. Até o início do ciclo do café, o porto de Santos tinha pouca importância econômica. Hoje, Santos embarca mais de 70% das exportações nacionais do café.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Não é sem motivo que a fachada da agência do Banco do Brasil no centro de Santos é revestida com um painel com desenhos de grãos de café. A cidade desenvolveu-se em razão da comercialização e do embarque do produto no século XIX, possibilitando a criação de uma inédita classe média.

Até o início do ciclo do café, o porto de Santos tinha pouca importância econômica. De acordo com o livro "O Grande Porto", de Alcindo Gonçalves e Luiz Antonio de Paula Nunes, tratava-se de um modesto entreposto que se beneficiava de ser "porto estanque de sal", em razão do monopólio do produto estabelecido pela Coroa portuguesa entre 1631 e 1801. "Esse porto moderno surgiu através do café. E o importante para a cidade foi a criação do que eu chamo do complexo cafeeiro. Esse conjunto de atividades comerciais ligadas à exportação e comercialização do café, que pode ser resumido na figura dos comissários, corretores, exportadores, armazéns gerais, sistema financeiro bancário", afirma Gonçalves.

Naquela época, o café produzido no interior do Estado descia para Santos para ser re-beneficiado e preparado para o embarque nos navios. Cerca de 3 milhões a 4 milhões de sacas de café chegaram a ficar nos armazéns gerais. Ali o produto era re-beneficiado e produzidos os blends. A estimativa é que existiam mais de 30 armazéns gerais - hoje os últimos dois que sobraram são ruínas históricas.

Havia ainda o aspecto financeiro. Quando o café chegava ao armazém, o exportador recebia um certificado da garantia da existência física do produto. Ia ao banco e descontava esse título (os chamados warrants).

Por isso a cidade concentrava praticamente todos os bancos internacionais. "A Rua XV era conhecida como a Wall Street brasileira. Todos os grandes exportadores de café do Brasil tinham escritório em Santos, todos as grandes torrefações também", cita o diretor do escritório Carvalhaes e presidente do Conselho de Câmaras Setoriais da Associação Comercial de Santos (ACS), Eduardo Carvalhaes Jr.

"Em Santos, o centro histórico é do café. A cidade que havia antes era colonial. Tudo foi derrubado para dar espaço a novos prédios no século 19", afirma Carvalhaes. Da época colonial, restam algumas edificações, como a igreja do Valongo e a Casa do Trem Bélico.
As melhorias nas comunicações e transporte mudaram tudo. Com o advento da estrada e o desenvolvimento tecnológico, não era mais necessário realizar as transações financeiras em Santos. Ao mesmo tempo, sobretudo após o crack da Bolsa, em 1929, a economia do país teve de se diversificar e o café perdeu importância.

Em 2010 o café foi o 11º principal produto da pauta de exportação brasileira. Respondeu por US$ 5,73 bilhões do total vendido ao exterior, participando com 2,9% do total embarcado. Hoje, Santos ainda embarca mais de 70% das exportações nacionais do café.

As informações são do Valor, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto CaféPoint

CaféPoint

O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.