A cafeicultura seguiu a rastreabilidade e a sustentabilidade tanto exigidas pelo mercado, mas a compensação não vem em forma de preços. Além de o mercado mundial ser dominado por meia dúzia de transnacionais, as Bolsas de negociações já não são mais uma referência séria para os preços.
A avaliação é de João Lopes Araújo, presidente da Assocafé (Associação de Produtores de Café da Bahia), entidade organizadora do 10º AgroCafé - Simpósio Nacional do Agronegócio Café, que neste ano está fomentando discussões em torno do tema "melhoria de renda ao cafeicultor".
Para o presidente da Assocafé, o Brasil possui uma grande variedade de sabores de café e mostra avanço no processo de pesquisas no setor cafeeiro, mas o produtor ainda não tem a rentabilidade necessária com a produção. "O mercado está cada vez mais exigente, mas o produtor ainda não ganha dinheiro. Em 1994, o preço pago por uma saca de café era R$ 200,00; em 2009, 15 anos após, o preço conseguido ronda os R$260,00/sc. Enquanto isso, o preço dos insumos foram reajustados em mais de 400%", afirma.
Para ele, uma alternativa para alavancar o setor é investir mais na bebida e menos na commodity, agregando mais valor ao produto. "O marketing do produto no exterior também deve ser difundido. Devemos deixar para traz a Alemanha, que não produz nem se quer um pé de café, e ainda é o maior exportador do produto no mundo", acrescenta.
O governador da Bahia, Jacques Wagner (PT/BA) sugere, no mesmo tom, que em momento de crise é necessário ter os pés no chão. Para o governador, é importante agregar valor ao produto e ampliar a valorização do setor. "Devemos saber porque a Colômbia produz 1/3 da produção brasileira e consegue comercializar o seu produto no mercado externo a um preço de US$45,00/sc a mais que o café brasileiro", questiona.
Também presente no Simpósio, o ministro da Integração Social, Geddel Vieira Lima, destacou a finalização do atlas cartográfico da agricultura, que está sendo desenvolvido por sua pasta. "O conteúdo desta atlas com certeza será de grande valia para a classe produtora, já que contará com informações sobre os avanços da agricultura e sobre a responsabilidade na preservação do Meio Ambiente", destaca.
O presidente da FAEB, João Martins Júnior, garante que o setor vive em desarmonia com a realidade econômica mundial. "É um momento de frustrações", adverte, mas diz que o Agrocafé um é excelente local para troca de experiências bem sucedidas. Segundo o secretário de Agricultura da Bahia, Roberto Munis, o estado é o quarto maior produtor de café do Brasil. "Dos 417 municípios baianos, a cultura está presente em 167. A maioria dos produtores de café da Bahia são pequenos e médios produtores, que praticam agricultura familiar", afirma. O secretário destaca a geração de empregos que amplia a renda de muitas famílias de baixa renda.
Para o engenheiro agrônomo do Instituto Agronômico (IAC), Roberto Antonio Thomaziello, que também participa do Simpósio, um dos principais problemas do setor, hoje, é a produtividade. "Quem estiver abaixo de 30 sacas por hectare não consegue fechar as contas", diz. A média nacional é de 17 sacas.
José Braz Matiello, engenheiro agrônomo e coordenador do Procafé, do Ministério da Agricultura, concorda com a afirmação e acrescenta que atualmente a melhor renda entre os produtores vem do café robusta (ou conilon), devido aos menores custos de produção. Esse tipo de café tem preço de arábica, mas custos 30% menores.
Segundo Matiello, o pequeno produtor, de até 10 hectares, tem condição um pouco melhor de renda porque tem economia nas despesas, principalmente mão-de-obra, o que não ocorre com os médios, de 10 a 50 hectares. Já os grandes têm melhor estrutura de produção.
Avaliando os efeitos da atual crise econômica sobre o mercado cafeeiro, Guilherme Braga, diretor geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de café) afirma não sentir impactos diretos na demanda por café verde. "Nos oito primeiros meses desta safra, o Brasil já exportou 21 milhões de sacas, 2 milhões a mais do que na safra anterior", justifica.
Com informações de Mauro Zafalon, da Folha de São Paulo e assessoria de comunicação da AgroCafé, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Salvador/BA: acompanhe as discussões do 10º Agrocafé
Durante abertura do 10º Simpósio Nacional do Agronegócio Café, autoridades da cafeicultura nacional trocam opiniões sobre a conjuntura econômica atual e seus reflexos na renda do cafeicultor. Para o engenheiro agrônomo do Instituto Agronômico (IAC), Roberto Antônio Thomaziello um dos principais problemas do setor é a produtividade. "Quem estiver abaixo de 30 sacas por hectare não consegue fechar as contas", diz. A média nacional é de 17 sacas.
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