Safra menor irá garantir preço estável ao café

A queda da produção na próxima safra de café deverá proporcionar um mercado mais equilibrado na oferta e consumo com reflexos positivos na formação do preço da commodity. A bienualidade (safra de grande produção num ano; redução no seguinte) e o crescimento do consumo no Brasil e no mundo devem ser os pilares para essa estabilidade, na opinião de especialistas.

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A queda da produção na próxima safra de café deverá proporcionar um mercado mais equilibrado na oferta e consumo com reflexos positivos na formação do preço da commodity. A bienualidade (safra de grande produção num ano; redução no seguinte) e o crescimento do consumo no Brasil e no mundo devem ser os pilares para essa estabilidade, na opinião de especialistas.

No entanto, a situação pode mudar caso a crise internacional piore. Para o próximo ano, a consultoria Safras & Mercado prevê uma produção entre 38 e 41 milhões de sacas de café, o que representa um recuo de 24% no primeiro cenário e de 18% no segundo em relação a este ano. Isso significa que se os números de exportação (28,5 milhões de sacas) e consumo interno (18 milhões de sacas) de 2008 se repetirem no próximo ano, haverá um deficit de 5 milhões de sacas.

Gil Barabach, analista da Safras, explica que o levantamento tomou como base a florada e a evolução dos cafezais nos últimos meses. "O clima favoreceu essa primeira parte, mas os tratos culturais deixaram a desejar". Segundo disse, a maior redução deverá ser no Espírito Santo, o maior produtor do tipo robusta, que sofreu com o clima nos últimos dois anos.

A indústria acredita que o período crítico para encontrar matéria-prima no mercado será no primeiro trimestre do ano, pico da entressafra. No entanto, afirma que não há nenhum plano emergencial para evitar desabastecimento. Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), diz que os preços devem ficar mais estáveis por causa da queda. Ele observa que a redução já é esperada por causa da bienualidade.

"Acredito que haverá dificuldades para encontrar matéria-prima. Nosso alerta é para que as indústrias acompanhem os sinais do mercado", disse. Neste ano, a produção brasileira de café atingirá 46 milhões de sacas de 60 quilos, de acordo com a Conab. Trata-se de um crescimento de 27,5% na comparação com a safra passada, que foi de 36 milhões de sacas.

Segundo a Conab, o crescimento da produção é resultado de fatores como a melhoria dos tratos culturais, a regularização das chuvas a partir da segunda quinzena de outubro e, principalmente, à bienualidade positiva, já que 2008 foi justamente um "ano de alta carga".

Do total da produção brasileira, a variedade arábica representa 77,2% (35,5 milhões de sacas) e o conilon (robusta), responde por 22,8% (10,5 milhões de sacas). Do total de café arábica, Minais Gerais mantém a posição de maior produtor, com 66,4% da variedade, ou seja, 23,5 milhões de sacas. No café conilon, o Espírito Santo é líder, com 70% do total da variedade, ou 7,3 milhões de sacas. Em todos os estados produtores, há um total de 192 mil hectares em formação, com 662 mil novas covas. As informações são de Roberto Tenório e Ayr Aliski, da Gazeta Mercantil.
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CLEDSON REIS DE MORAIS
CLEDSON REIS DE MORAIS

MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 09/12/2008

Boa tarde a todos,

Achei interessante este artigo que mostra uma queda na próxima safra com relação a bienualidade da cultura, aliada ao péssimo pegamento da florada, porém o que tenho observado é uma quebra de safra maior do que este artigo descreve. Na minha região a quebra de safra será em torno de 45 - 55 %, as lavouras estão com um baixo índice de chumbinho, tem lavoura que não se vê praticamente nada para o próximo ano, a situação é preocupante!

Agrônomo Consultor em Café, Monte Santo de Minas - MG. Área de atuação, 5.000 ha. ( Sul de Mina, Oeste de Minas, Alto Paranaíba ).