Ronaldo Figueiredo: e o nosso dinheiro com quem fica?

O leitor do CaféPoint Ronaldo Casado Figueiredo, produtor de café de Abatiá/PR, enviou um comentário ao artigo "Safra 2010/11: qual será o comportamento dos preços?", apontando algumas situações relacionadas aos preços do café. Acesse e leia a carta na íntegra.

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O leitor do CaféPoint Ronaldo Casado Figueiredo, produtor de café de Abatiá/PR, enviou um comentário ao artigo "Safra 2010/11: qual será o comportamento dos preços?". Abaixo leia a carta na íntegra.

"Bom dia caros amigos do CaféPoint.

Os preços praticados aqui na minha região é muito inferior aos custos de produção, cerca de R$ 220,00 à R$ 240,00 reais. Em média o nosso custo está em torno de R$280,00 à R$300,00 reais.

Quanto a segunda pergunta, o que me preocupa não é o preço praticado pelos compradores e sim o comportamento dos produtores. O produtor de café hoje só se preocupa com a produção de café por hectare, ao invés de se preocupar com a produção de qualidade, que é o que a ACENPP (Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná) está preconizando aqui na Região.

Os produtores devido ao baixo preço de mercado do café, estão produzindo cafés de péssima qualidade, e assim enchendo o mercado com um produto ruim. Prova disso é o diferencial hoje do produto bebida riada (R$ 170,00) para o produto bebida dura tipo 6 (R$ 290,00). Devemos nós produtores, nos empenhar em produzir um café de melhor qualidade para aí sim, exigir dos compradores uma melhor remuneração, pois só a diminuição do produto ruim no mercado causará automaticamente uma menor oferta de café no mercado.

O mercado é bem claro: oferta e demanda, e a demanda hoje é por cafés de melhor qualidade.

Também é necessário um melhor planejamento quanto a produção. Os Órgãos de pesquisas e o Governo só nos dizem para aumentarmos a produção por hectare, sem que aumente na mesma proporção o consumo. É necessário um estudo sobre esse assunto, pois estamos produzindo muito mais do que se pode consumir, ficando assim os produtos agrícolas abaixo do custo.

Estamos consumindo mais adubos, mais inseticidas, mais herbicidas, mais óleo diesel, pra que? Só pra dizer que você é um bom produtor? E o lucro?

Precisamos repensar a nossa Agricultura, caros amigos, estamos produzindo grandes safras e o dinheiro está ficando com outras pessoas que não somos nós!!!!

Será que é tão vantajoso produzir tanto assim? E cada vez mais aumenta a cobrança sobre nós e cada vez mais nos sacrificamos para cumprir as metas estabelecidas, ora pelos governos, ora pelos bancos, ora pelo mercado. E o nosso dinheiro com quem fica? "

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Diogo Dias Teixeira de Macedo
DIOGO DIAS TEIXEIRA DE MACEDO

SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO

EM 13/04/2010

Prezado Ronaldo Figueiredo,

Parabéns pelo artigo, é muito oportuno para o momento, visto que o governo tem "cobrado" altas produtividades, mas o lucro não se cobra nada.

Não sei se vocês tiveram a oportunidade de ver a reportagem sobre a Fazenda Leitíssimo que passou domingo no Globo Rural, trata bem este assunto, pórém com o Leite, os proprietários, que são da Nova Zelândia, buscam produzir um leite de baixo custo, para isso não tratam das vacas com ração, somente a pasto irrigado, elas não produzem absurdos mas também não gastam absurdos.

Fica a questão: até que ponto a curva de tratos e gastos podem trazer o retorno?
Artur Queiroz de Sousa
ARTUR QUEIROZ DE SOUSA

CAMBUQUIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 08/04/2010

Prezado Ronaldo Figueiredo;
Parabéns por suas colocações, que são importantes, e nos traz reflexões.
Hoje compramos de meia duzia de multinacionais, e vendemos sessenta porcento de nosso café, para meia dúzia de importadores. Isso por si só já nos mostra em que mercado estamos metidos.
Também somos obrigados a produzir, na melhor das condições em 80% de nossas áreas, enquanto que os produtores do exterior produz em 100% de sua área. Também pagamos 10% a mais em insumos importados de taxa de Marinha Mercante, e no exterior não pagam. São subsidiados e aqui não. Tudo isso nos força a ter produtividades acima de 40sacas/ha com qualidade, para podermos cobrir nosso custo de produção.
Temos uma variação enorme de custo de produção, conforme região, tamanho do produtor, topografia, e clima. Achar o ponto de equilibrio, em cada propriedade, melhorando a gestão e qualidade, é que vai nos ajudar a vencer esta crise que nos assola desde 2.002.
Espero ter contribuido para com as suas inquietudes.
Forte Abraço,

Artur