Para Rodrigues, a produção de agroenergia pode alterar a configuração da geopolítica mundial, tamanha a sua importância. "Não vai faltar comida por causa do etanol. Isso é uma tolice! Da mesma forma que não é preciso derrubar a Amazônia para produzir cana. Isso é uma estupidez assombrosa", esclareceu.
Segundo Rodrigues, a agricultura não deve ser apontada como uma das grandes culpadas pelo aquecimento global. "Querem que se produza mais por hectare sem aumentar a área plantada, com menos uso de adubo e defensivos, menos emissão de CO2 e menos uso de combustíveis. É óbvio que essa equação não fecha", aponta. Para ele, a chamada economia verde, marcada por conceitos como sustentabilidade e rastreabilidade não são modismos. "É preciso apostar e investir em tecnologias sustentáveis, como por exemplo, os defensivos agrícolas, que passam por uma evolução. Existem produtos cada vez mais eficientes e menos tóxicos", destacou o ex-ministro e atual presidente do presidente Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp.
Rodrigues ressalta a inegável representatividade do agronegócio no PIB do país, afirmando que "o produtor brasileiro fornece alimentos cada vez mais baratos". Para ele, os principais fatores para se ter otimismo em relação ao crescimento do setor se dá pelo grande número de terras disponíveis, recursos humanos de qualidade e desenvolvimento de tecnologia brasileira.
Para o ex-ministro, a atual crise financeira deve impactar os resultados imediatos do setor, especialmente para 2009 e 2010, com uma menor safra de grãos, devido ao aumento dos custos de produção, ao chamado "neo-protecionismo" que se verifica nas negociações internacionais, ao crédito escasso e a uma possível recessão dos países emergentes, que se ocorrer, deve acarretar uma queda no consumo médio e consequentemente nos preços dos produtos.
Outras dificuldades apontadas por Rodrigues são os "constrangimentos" causados pelos recursos orçamentários, alto custo do crédito rural, taxa de juros, câmbio desfavorável e deficiências de logística. "Faltam políticas públicas adequadas. Os problemas do setor ficam no Mapa, mas as soluções estão em outros ministérios", afirmou o ex-ministro, por experiência própria.
As informações são da assessoria de comunicação da Ihara, resumidas pela Equipe CaféPoint.

O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, durante palestra para equipe comercial da Ihara.
