A crise da cafeicultura e o endividamento dos produtores foram a tônica da reunião promovida pelo Conselho Nacional do Café (CNC), na sede da Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso (Cooparaíso), no dia 1º de fevereiro, com a participação de dirigentes de cooperativas, sindicatos e representações políticas. Em meio ao debate sobre a necessidade de um conjunto de medidas para a sobrevivência da cafeicultura, o gerente executivo do Polo de Excelência do Café (PEC/Café), Edinaldo José Abrahão, apresentou ações que vem sendo desenvolvidas, pelo Governo de Minas, por meio do Pólo de Excelência do Café, para a inovação tecnológica visando o fortalecimento do setor.
Abrahão fez um alerta aos participantes sobre o risco de disseminação no Estado do nematóide Meloidogyne paranaensis, uma das espécies de nematóides mais nocivas ao cafeeiro. Ele relatou que desde 2003, quando a espécie foi detectada na região do Alto Paranaíba (Patrocínio) e, em 2004, no Sudoeste do Estado (Piumhi), a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), sob coordenação da pesquisadora Sônia Maria de Lima Salgado, vem chamando a atenção de pesquisadores e lideranças sobre o risco de sua disseminação no Estado. "Medidas de contenção e prevenção necessitam ser tomadas", ressaltou.
Na oportunidade, foram apresentadas as ações do PEC/Café na busca por ampliar parcerias e agregar competências visando a excelência de Minas Gerais quando se trata de conhecimento e inovação no sistema agroindustrial do café.
Como sugestão de política pública, Abrahão ressaltou a necessidade de um novo programa de renovação (sem aumento da área plantada e com pagamento em produto) do parque cafeeiro, à semelhança do programa Minas Café (início da década de 90), com incentivos à adoção de novas variedades e espaçamentos, mais produtivos e adequados à mecanização. Ele destacou, ainda, a necessidade do conhecimento do parque cafeeiro do País, por meio de geotecnologias, para a definição de uma metodologia científica de estimativa de safra. Este trabalho só será possível com a união de todas as competências neste assunto, integrando o trabalho realizado em institutos de pesquisa, universidades, cooperativas e a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB).
O professor do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Fábio Moreira da Silva, apresentou a mecanização como alternativa para a redução de custos de produção. Ele destacou os estudos realizados desde 1996, sendo evidenciada a mão-de-obra para a colheita em área montanhosa como gargalo número um do processo produtivo.
De acordo com Fábio Moreira, a tendência que se verifica no Sul de Minas, onde predominam pequenas e médias propriedades, com topografia e arquitetura das lavouras limitantes ao uso das colhedoras tratorizadas, é uma expansão do sistema semimecanizado para as operações de derriça e abanação, com o emprego equilibrado de mão-de-obra e máquinas, atendendo em especial a agricultura familiar.
Pelos dados do professor, no sistema semimecanizado, a medida de 60 litros custa em média R$ 6,60, com redução de custo da ordem de 34% em relação a colheita manual. "A colheita semimecanizada do café é atualmente uma alternativa viável e possível de ser implantada na maioria das lavouras cafeeiras, independentemente do tamanho ou desenvolvimento tecnológico da propriedade, associando mão-de-obra com máquinas de baixo custo inicial, acessível ao pequeno e médio produtor", ressalta.
As redes sociais voltadas para a democratização do conhecimento sobre café foi o tema apresentado pelo pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), Sérgio Parreiras Pereira. São Sebastião do Paraíso será sede de um projeto piloto que vai integrar o Centro Vocacional Tecnológico (CVT) e os 14 telecentros para inclusão de produtores rurais na rede Cafés do Brasil, para recebimento programado de informações sobre o setor.
As informações são do PEC/Café, resumidas e adaptadas pela equipe CaféPoint.
Reunião CNC aborda medidas para recuperação do setor
A crise da cafeicultura e o endividamento dos produtores foram a tônica da reunião promovida pelo Conselho Nacional do Café (CNC), na Cooparaíso, em São Sebastião do Paraíso, no dia 1º de fevereiro. Em meio ao debate sobre a necessidade de um conjunto de medidas para a sobrevivência da cafeicultura, o gerente executivo do Polo de Excelência do Café (PEC/Café), Edinaldo José Abrahão, apresentou ações para a inovação tecnológica visando o fortalecimento do setor.
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