As propostas de renegociação da dívida do setor cafeeiro que serão levadas ao Ministério da Fazenda foram debatidas nesta quarta-feira (14/03) na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. Cerca de 70 pessoas entre parlamentares e representantes do setor cafeeiro estavam presentes.
A reunião foi convocada pela Frente Parlamentar do Café, e motivada por encontro, no dia 8 de março, dos presidentes do Conselho Nacional do Café (CNC), Maurício Miarelli, da Comissão Nacional do Café da Confederação Nacional da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, e equipe, com o Secretário Executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, para tratar do endividamento do setor.
O presidente da Frente, deputado Carlos Melles (PFL-MG) ressaltou a crise contínua da cafeicultura brasileira que persiste há pelo menos 12 anos gerando impactos negativos não só para os cafeicultores, como para os cerca de 2 mil municípios brasileiros que têm na atividade a base de sua sustentação.
O presidente do CNC, Maurício Miarelli, destacou as dificuldades de obtenção de renda enfrentadas pelo setor desde a década de 90. "O produtor ganhou em produtividade, mas transferiu estes ganhos para o consumidor", disse ao lembrar da importância sócio-econômica da atividade. "O café será a única atividade da agricultura com grande demanda por mão-de-obra, e as regiões com maior importância social são justamente as que mais enfrentam dificuldades", afirmou.
O presidente da Comissão Nacional do Café da (CNA), Breno Mesquita, disse que as lideranças da cafeicultura estão trabalhando, atualmente, "como bombeiros" para enfrentar o problema cambial. Segundo ele, o ponto de equilíbrio do câmbio seria da ordem de R$ 2,95, ou seja, um real muito menos valorizado que os R$ 2,05 do câmbio atual. "Os produtores não estão conseguindo pagar os juros. Tecnicamente podemos provar as dificuldades da cafeicultura. Estamos procurando o apoio político para sustentar nossa proposta", declarou.
Após a abertura dos trabalhos, vários parlamentares manifestaram apoio ao pleito dos cafeicultores e se mostraram sensíveis à importância econômica do café para o país. O diretor-executivo do CNC, deputado Silas Brasileiro, lembrou que desde a extinção do IBC há uma lacuna na política cafeeira do Brasil. "A falta de renda dos produtores comprometeu tanto o setor que hoje eles não conseguem pagar as parcelas dos juros de 5,75%. É uma dificuldade permanente", disse.
O deputado Marcos Montes (PFL-MG) que presidiu a reunião, disse que a Comissão de Agricultura irá encaminhar todos os pleitos discutidos pelo setor no encontro e que irá propor a criação de uma subcomissão de endividamento, a ser presidida pelo Deputado Luiz Carlos Heinze.
Manifestaram-se sobre a questão os senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Valdir Raupp (PMDB-RO) e dos deputados Zonta (PP-SC), Luiz Carlos Heinze (PP-RS), Paulo Piau (PMDB-MG), Geraldo Thadeu (PPS-MG), Jorginho Maluly (PFL-SP), João Magalhães (PMDB-MG) e Moacir Micheletto (PMDB-PR).
Renegociação da dívida dos cafeicultores é discutida em audiência na Câmara dos Deputados
As propostas de renegociação da dívida do setor cafeeiro que serão levadas ao Ministério da Fazenda foram debatidas nesta quarta-feira (14/03) na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. Cerca de 70 pessoas entre parlamentares e representantes do setor cafeeiro estavam presentes.
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