Renato Fernandes sugere estratégias para o drawback
O colaborador do CaféPoint Renato H. Fernandes, de Teixeira de Freitas/BA, enviou um comentário ao artigo "Drawback:</i> Isso ainda vai dar muito o que falar", sugerindo que se monte uma equipe de especialistas para conceber possíveis cenários advindos da liberação do drawback. Acesse e leia a carta na íntegra.
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"Caros Sylvia e Bruno,
Concordo quando dizem que muito mais danoso para os cafeicultores brasileiros (de conilon, mas também de arábica) do que a abertura da possibilidade de drawback é o desmantelamento da indústria nacional de solúvel e a limitada competitividade internacional de nossa indústria de torrado e moído. O drawback não seria a panacéia que resolveria seus problemas, mas, inegavelmente, haveria aspectos positivos na sua implementação, os quais necessitam ser contrapostos aos ônus que poderiam ser gerados.
No entanto, nas discussões (ou falta de discussões) sobre o drawback, que se arrastam há mais de cinco anos, nunca houve nenhum estudo concreto sobre os volumes de produto que seriam importados e re-exportados, nem sobre os potenciais de recuperação da indústria brasileira de solúvel e de crescimento da indústria de torrado e moído, muito menos sobre que volume adicional de café brasileiro estas poderiam vir a demandar. Vale ressaltar que nessa conta entrariam variáveis exógenas como taxa de câmbio e taxação do café industrializado brasileiro na Europa, dentre outras.
Até hoje, não houve nada de concreto nesse sentido. Por um lado, aqueles que defendem o drawback citam seus potenciais benefícios sem dimensioná-los e os que o rechaçam simplesmente fecham as portas ao diálogo.
Sugiro que se monte uma equipe de especialistas para conceber possíveis cenários advindos da liberação do drawback, traduzindo a questão em números concretos e analisando tanto os aspectos positivos como os negativos, principalmente num quadro de assimetria no acesso à informação de mercado e de poder econômico entre produtores e compradores de café.
Concebidos tais cenários, se poderia estabelecer uma estratégia gradual de liberação do drawback condicionada a indicadores concretos de desempenho tanto do mercado brasileiro de café verde como do setor industrial de solúvel e também de torrado e moído. Desta forma, os impactos tanto positivos como negativos seriam ponderados, antes de se tomar os passos seguintes no processo.
Tal estratégia também teria, necessariamente, que enfrentar os outros gargalos existentes na cadeia e que não estão diretamente ligados à disponibilidade de matéria-prima. A cafeicultura brasileira é muito facilmente reconhecida como a mais competitiva do mundo do ponto de vista agronômico. Minorar os fatores que prejudicam a competitividade de nossa cadeia do café é muito mais crucial, a longo prazo, do que apenas importar a competitividade de outros países que administraram melhor fatores semelhantes.
Essa minha sugestão pode parecer simples de falar e difícil de implementar, mas, sinceramente, me parece ter o potencial de tirar essa discussão do plano da simples retórica, trazendo-a para a realidade da cadeia produtiva do café. O que não tenho o menor receio de afirmar é que da forma como a discussão vem sendo conduzida até hoje, dificilmente se chegará a algo proveitoso.
Abraços,
Renato"
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MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 21/05/2010
Este assunto já passou da hora de acabar.
Carlos Alberto
CAMBUQUIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 21/05/2010
Não concordo de forma alguma com drawback, seja de conilon ou arabica.
O risco que corremos com a parte sanitária não nos permite aceitar de forma alguma está prática. A indústria de solúvel, a muito não tem investido em suas melhorias, e está arcaica, e quer resolver de uma forma cuja vantagem é cambial, a mesma vantagem dela, é a desvantagem que temos como produtores exportadores. Ela precisa melhorar sua gestão, investir em teconologia, se quiser permanecer no mercado. Não é através de importação de café que vai resolver o problema da cafeicultura como cadeia. Desculpa-me discordar, mas sou contra.