O colaborador do CaféPoint Renato H. Fernandes, de Teixeira de Freitas/BA, enviou um comentário ao artigo "Robusta: preços podem iniciar queda em três meses". Abaixo leia a carta na íntegra.
"Prezados,
A queda de preço do conilon, desde meados de 2009, está relacionada com o aumento de sua produção no Brasil, com o aumento da safra mundial de robusta - que derrubou as cotações de Londres - e, principalmente, com dois aspectos relativos à safra mundial de arábica 2009/2010.
A notória e um tanto persistente falta de cafés arábica finos no mercado mundial - por quebras na Colômbia e nos centrais - puxou os seus preços para cima de forma muito intensa. Mas no Brasil, devido ao inverno chuvoso de 2009, também houve pouca produção de cafés finos, o que levou os produtores a tentar estocar a parcela destes que não tinha sido previamente comercializada, visando aproveitar os diferenciais de preço positivos. Para conseguir isso, eles queimaram os cafés baixos que obtiveram em quantidade maior que a usual. Com arábica baixos disponíveis postos Sul de Minas ou Mogiana a bons preços, os torrefadores deslocaram seus blends para um teor maior de arábica, havendo, portanto, menor demanda por conilon, que também estava bem ofertado. Logo, seus preços caíram.
É mais provável que o restabelecimento colombiano tenha impacto sobre os preços dos cafés finos, principalmente lavados e CDs. Este inverno tem sido bem seco e não há "sobra" de arábicas baixos.
Mas os produtores de conilon devem, sim, estar preocupados com possível sobreoferta. A produção de conilon cresce mais que sua adição nos blends do torrado e moído do mercado interno brasileiro e nossas exportações, tanto de solúvel quanto de conilon verde, se esvaem. Não há algo tão premente quanto dito na matéria acima, mas, principalmente quem tem lavouras antigas (de sementes) e não dispõe de irrigação, tem boas razões para se preocupar, pois já não é competitivo nos níveis atuais de preço. No mínimo, que se fique alerta.
O caminho pra encarar o quadro atual passa por buscar fatores determinantes de competitividade como redução do uso de mão-de-obra, renovação de lavouras, escala de produção, irrigação, qualidade e marketing (o que é também ordenamento de oferta, não só propaganda). Breve escreverei artigo sobre o tema.
Abraços a todos e boa sorte,
Renato"
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Renato Fernandes: produtor deve buscar competitividade
O colaborador do CaféPoint Renato H. Fernandes, de Teixeira de Freitas/BA, enviou um comentário ao artigo "Robusta: preços podem iniciar queda em três meses", em relação ao atual quadro do mercado de café conilon, sugerindo ainda o caminho para que os produtores encarem essa situação. Acesse e leia a carta na íntegra.
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