Quênia mira em torra de café para aumentar lucros

A maioria do produto, hoje, é exportado como grãos sem processamento e apenas 5% são torrados.

Publicado por: CaféPoint

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O Governo do Quênia planeja aumentar a torra de café e está encorajando os produtores a se unir com parceiros estrangeiros que possam ajudar a construir mercados externos, para agregar valor a suas exportações de grãos crus que são a principal fonte de comércio estrangeiro.

O Quênia produz apenas 1% do café mundial, mas beneficia-se de sua qualidade, à medida que muitas companhias globais buscam seus grãos arábica para misturar com variedades de menor qualidade.

Entretanto, a maioria de seu produto é exportado como grãos sem processamento e apenas 5% são torrados, de forma que o Quênia perde oportunidade de agregar valor que poderia ter ao vender café torrado e embalado.

O Quênia produziu 45.000 toneladas de grãos em 2015/2016 e prevê a produção de 50.000 toneladas em 2016/2017.

O país está procurando aumentar a quantidade de café torrado localmente em 5% a 10% anualmente nos próximos cinco anos, disse o secretário de Agricultura, Richard Lesiyampe.

“Qualquer agregação de valor que possa nos dar mais dinheiro é a direção que queremos tomar. Devemos realmente chegar a 50%, se possível”, disse ele. “Isso é realmente ambicioso, mas podemos fazer isso”.

Na região produtora de café das planícies centrais, a Othaya Farmers Cooperative está instalando uma máquina de torra e uma para moer a um custo de US$ 500.000 para produzir café embalado para varejo local e exportação no futuro.

O objetivo é aumentar os lucros para 15.000 produtores da cooperativa, que agora recebem um máximo de US$ 0,75 por quilo de seus grãos crus de melhor qualidade, mas poderia ganhar US$ 0,96 após a torra, disse o presidente da cooperativa, James Gathua.

Enquanto uma saca de 50 quilos de café AA custa cerca de US$ 500 no leilão semanal de Nairobi, uma saca de grãos de menor qualidade moído pode custar US$ 150. Mas especialistas dizem que o valor desse café de menor qualidade pode até dobrar se for torrado.

“Existem oportunidades para parcerias privadas com torrefadores externos, que expressaram interesse em investir em maquinaria de torra no Quênia”, disse o Coffee Directorate, regulamentador da indústria no país. Entre eles, estão African Coffee Roasters (ACR), da Dinamarca, que deverá instalar uma planta de torrefação esse ano.

Atualmente, a torra local é dominada por C. Dorman Ltd., que opera uma rede de cafeterias no Quênia e que também exporta para mercados estrangeiros, e Java House, que tem uma rede de rápido crescimento de cafeterias e restaurantes.

O presidente, Uhuru Kenyatta, lançou um estudo esse ano sobre as formas de reviver a produção de café, agora aproximadamente em metade de seu pico de produção nos anos oitenta.

Os produtores querem que o governo dê suporte ao setor, incluindo através da remoção de tarifas sobre máquinas de torra.

“Se o governo puder nos apoiar, a porção de café localmente torrado pode ir para 10% nos próximos três anos”, disse o diretor gerente do Gibsons Coffee Co., Matthew Mugo.

As informações são da Reuters/ Tradução por Juliana Santin 
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