A indústria de café do Quênia busca atingir seu potencial máximo de produção pois, especialmente os pequenos cafeicultores, não estão adotando práticas adequadas de cultivo, segundo revelou um novo estudo.
Esta situação tem exposto a indústria a riscos maiores, como o de doenças, como a antracnose e a ferrugem, que continuam a se proliferar em níveis alarmantes. O cultivo em conjunto com milho, feijão e outros alimentos também continua se disseminando, revelou um relatório de avaliação da Fundação de Pesquisa do Café (Coffee Research Foundation - CRF), que conduziu o estudo em nome da Associação de Comerciantes de Café do Quênia (Kenya Coffee Traders Association - KCTA) e do projeto Matching Grant Fund (MGF).
O estudo faz parte da segunda fase do Projeto de Coleta de Dados e Disseminação de Informações de Café do Quênia, realizado pelo Ministério da Indústria e Comércio, com apoio do Banco Mundial, sendo gerenciado pela firma de consultoria Deloitte and Touche.
Uma descoberta da pesquisa é que os casos de antracnose estão aumentando, com as taxas de prevalência subindo para cerca de 36% contra 30% do ano anterior - uma tendência que os analistas atribuem aos padrões erráticos de clima que têm ocorrido durante a estação de produção.
"A maior ameaça à indústria agora é a antracnose, porque seus efeitos surgem em curto prazo principalmente devido às dinâmicas do clima. Os efeitos da ferrugem são bem menores, porque somente surgem em longo prazo", disse o porta-voz da Fundação de Pesquisa de Café, Kennedy Gitonga.
Pesquisadores dizem que períodos úmidos frios alternados com períodos úmidos quentes aumentam a chance de ameaça da antracnose, mesmo que medidas de proteção, tais como uso de fungicidas à base de cobre, possam mitigar seus efeitos. Além disso, os produtores do Quênia têm acesso ao híbrido especial de café conhecido como Ruiru 11 que é altamente resistente às duas doenças.
Os pesquisadores disseram que a falta de acesso a facilidades de crédito tem sido um importante obstáculo para a implementação de práticas corretas de cultivo, mas expressaram otimismo de que o recentemente lançado Fundo de Desenvolvimento do Café (CoDF) possa reparar este fator limitante.
"O fundo é uma oportunidade para os produtores melhorarem sua produção porque somos capazes de fornecer pagamentos de forma eficiente e a taxas de juros mais acessíveis, de apenas 10%. A demanda por empréstimos através do fundo já é bem alta e estamos agressivamente agindo para atingir produtores de todas as regiões", disse o gerente de depósito do CoDF, George Ooko ao Business Daily.
De forma geral, o estudo estima que o país produzirá 54 mil toneladas (900 mil sacas de 60 quilos) de café na safra 07/08. Além das doenças e da restrição de crédito, o estudo advertiu para o fato de que os cafeicultores enfrentam sérias ameaças relativas à broca, que pode afetar a viabilidade dos programas de produção em longo prazo.
Quênia: métodos ineficientes prejudicam café
A indústria de café do Quênia está lutando para conseguir atingir seu potencial máximo de produção pois, especialmente os pequenos cafeicultores, não estão adotando práticas adequadas de cultivo. Os casos de antracnose estão aumentando, com as taxas de prevalência subindo para cerca de 36% contra 30% do ano anterior - uma tendência que os analistas atribuem aos padrões erráticos de clima que têm ocorrido durante a estação de produção.
Publicado por: CaféPoint
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