Paulo Antônio Rodrigues da Silva, Dionisio Cerqueira, SC: Gostaria de saber a previsão do tempo para os próximos 6 meses na região oste do estado de SC, pois nos últimos anos tivemos muitos problemas com a falta de chuva.
Celso Oliveira: As chuvas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina são caracterizadas pela regularidade. Em nenhum outro lugar do Brasil há chuvas significativas em todos os meses do ano.
Por conta desta característica, quando falta chuva por mês que seja, surgem problemas sérios na agricultura e na infra-estrutura das cidades. E nestes últimos anos, com exceção do último, a irregularidade foi a principal vilã da agricultura no oeste de Santa Catarina, em Dionísio Cerqueira, região de São Miguel do Oeste.
Um bom exemplo foi visto entre 2005 e 2006. De setembro de 2005 a abril de 2006, o desvio negativo de precipitação não chegou a 150mm. Entretanto, faltou chuvas em dois momentos complicados da agricultura da região. Em novembro de 2005, foram registradas chuvas bem abaixo da média, bem no momento da florada do milho. E em fevereiro de 2006, também foram registradas chuvas escassas no momento da florada da soja.
Já entre 2006 e 2007, a região sul colheu uma boa safra, graças as chuvas regulares registradas por conta do fenômeno El Niño.
E neste próximo ano?
Retornamos para uma condição de La Niña, que provoca chuvas irregulares na primavera e, especialmente, no verão da região sul. Isto requer grande cautela por parte do produtor. A irregularidade nas precipitações já começou aliás. Os produtores do Paraná que o digam. Simplesmente, o plantio de fumo e milho não começou por falta de chuvas.
E pensar que em julho choveu quatro vezes mais que o normal em algumas localidades. De lá para cá, simplesmente não choveu. Além do milho e do fumo, o feijão está passando por um estresse hídrico intenso neste momento. No oeste de Santa Catarina, a situação é semelhante. Foram registradas chuvas dentro da média em julho e pouca chuva em agosto e setembro (até o momento).
E além do problema da falta de chuva ainda há o fantasma da geada. O que fazer diante de tanta coisa contra o produtor?
Bom, inicialmente percebe-se que a situação ideal não será registrada neste ano agrícola. Há risco de geada tardia e há risco de falta de chuva, especialmente no final do ano, no momento da florada do milho. Aos produtores do Rio Grande do Sul e Santa Catarina tenho recomendado que se arrisquem no plantio do milho e o façam mais cedo que o normal.
Há risco de geada tardia? Sem dúvida. Entretanto, é melhor arriscar numa possível geada tardia que na quase certa estiagem no final do ano. Ao arriscar mais cedo que o normal, aproveitam-se melhor as chuvas da primavera e evita-se a falta de chuvas entre novembro e dezembro, comum em anos de La Niña. É claro que há risco de geadas, como já escrevi. Mas em um caso como este, faz-se o replantio e ainda aproveita-se parte das chuvas da primavera. Agora, ao deixar para mais tarde, você evita o risco da geada, mas perde parte da chuva da primavera e boa parte da produção com a estiagem de final de ano, que é bem mais certa de acontecer. E depois disso, não adiantará fazer replantio, porque a estiagem ou irregularidade das chuvas costumam prosseguir até abril em anos de La Niña.
Com isto, também estou passando o cenário para a soja do Sul neste ano. Recomenda-se cautela no plantio da soja. Procure utilizar ciclos mais longos, que não produzem tanto quanto os ciclos curtos, mas suportam mais a falta prolongada de chuva. Neste caso vale a frase: "vale mais um pássaro na mão que dois voando". De nada vai adiantar trabalhar com um ciclo curto que produz muito bem, se não houver chuva suficiente para mantê-lo.
Além disso, recomendamos que se faça o escalonamento do plantio. Procure semear em períodos distintos. Se houver uma falta de chuva prolongada, cada área estará numa fase fenológica diferente e com uma exigência hídrica diferente. Se apenas uma área estiver em plena florada, apenas a produção desta área será comprometida.
Ah! E finalizando. Depois de uma primeira quinzena de tempo seco, esperam-se chuvas a partir do dia 15 de setembro, aproximadamente. Até o dia 28 de setembro, deverá chover algo entre 40mm e 50mm. Mesmo com estas chuvas, o mês fechará com precipitações bem abaixo da média, que é de mais de 160mm.
E para os próximos meses, recomendo cautela com o mês de novembro, que se mostra com pouca chuva e temperatura bastante elevada por um período prolongado, segundo o modelo climático rodado pela Somar Meteorologia.
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