Produtores são os maiores interessados em qualidade?

Este foco da qualidade é hoje o assunto do momento, a inserção no seguimento de cafés especiais deixa cada vez mais de ser um diferencial, para se tornar obrigação. Do modo como isto está se proliferando, acho que logo teremos que fazer concurso de qualidade da qualidade. Acho que nós, pequenos produtores (a grande maioria neste país), estamos sendo levados por uma onda onde os maiores interessados nisto talvez não sejamos nós.

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O leitor do CaféPoint, Francisco Sérgio Lange, de Divinolândia, SP, comenta artigo "A relação produtor - comprador em foco". Leia a seguir.

Carta de Francisco Sérgio Lange

Caro Bruno e Maria Sylvia,

Este foco da qualidade é hoje o assunto do momento, como vocês mesmo afirmam neste artigo, a inserção no seguimento de cafés especiais deixa cada vez mais de ser um diferencial, para se tornar obrigação e também que 96% dos entrevistados gostariam de aumentar suas vendas de café especial. Isto é verdade mas, até parece que de uma hora para outra todo mundo tem café especial. Concursos de qualidade são feitos a todo instante e em todos os lugares.

Do modo como isto está se proliferando, acho que logo teremos que fazer concurso de qualidade da qualidade. Acho que nós, pequenos produtores (a grande maioria neste país), estamos sendo levados por uma onda onde os maiores interessados nisto talvez não sejamos nós.

Digo isto porque sou produtor de café natural com qualidade e bebida superiores, interesso-me muito pelo assunto e o futuro muito me preocupa. Certificações, denominação geográfica e outros, se tornaram assunto rotineiro na vida dos produtores. Simples, né? Estabelece-se um conjunto de regras, normas, critérios e prêmios e nos cobram qualidade. Quando colocamos o tapume no burro é para forçá-lo a andar só para frente. O que iremos fazer com todo o café que não é de qualidade superior, porque só de qualidade como vocês já afirmaram é obrigação?

Não podemos nos esquecer de que o mercado é cruel e que também não temos força e representação politica nos destinos e condução da politica econômica deste país. Aqui cabe uma indignação: Até quando teremos que aguentar estes políticos que tomam decisões como esta última do Senado?

Leia a carta na íntegra.

Rodrigo Cascalles, equipe CaféPoint
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Lenes Pereira Miranda
LENES PEREIRA MIRANDA

TRÊS PONTAS - MINAS GERAIS

EM 20/09/2007

Caro Francisco, tirou as palavras da minha boca. Parabéns pela carta.
Alemar Braga Rena
ALEMAR BRAGA RENA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 20/09/2007

Estimado Francisco Sérgio,

Farei breve comentário sobre suas excelentes e realistas colocações. Os artigos da Maria Sylvia e Bruno abordam sempre temas de grande relevância para o cafeicultor e são bem estruturados. E têm a qualidade de deixar, nas entrelinhas, não sei se intencionalmente, aspectos polêmicos, como os que você abordou.

Sou produtor médio da Zona da Mata Mineira há 28 anos, e, desde 1994, tenho feito café CD, praticamente a única maneira de obter, com certeza, 60% de bebida mole. O resto é duro e rio. Não está de todo ruim, e nem estou reclamando, porque minha produtividade média é acima de 40 sacas/ha, ótima para café de sequeiro e os "climas" bicudos atuais (ainda que alguns colegas duvidem disto; minhas lavouras e minhas planilhas estão aqui para quem desejar confirmação!).

Mas fiz várias simulações, e, nos últimos anos, colegas, médios e grandes produtores, estão levando ampla vantagem financeira com cafés naturais, em geral de bebida dura pra melhor.

Alguém poderá argumentar que essas são excessões. Bem, somos minoria, é bem verdade! Mas estamos indicando que com o mínimo de tecnologia e competência, independentemente do tamanho, pode-se ganhar dinheiro com café, mesmo com a malandragem dos que não plantam, mas trabalham com este produto.

Não estou advogando a produção de lixo, mas a quem interessa, realmente, essa psicose de cafés finíssimos, atordoando a vida do produtor brasileiro?

Rena