Produtores de café preparam blindagem contra a crise

Problemas climáticos poderão comprometer a safra brasileira de café no próximo ano, mas a cultura já está se blindando contra uma possível crise. Na última semana, os cafeicultores conseguiram garantir um volume de recursos considerável em meio à escassez de crédito do mercado.

Publicado por: CaféPoint

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Problemas climáticos poderão comprometer a safra brasileira de café no próximo ano, mas a cultura já está se blindando contra uma possível crise. Na última semana, os cafeicultores conseguiram garantir um volume de recursos considerável em meio à escassez de crédito do mercado. Lideranças do setor, saíram de uma reunião com Silas Brasileiro, ministro interino da Agricultura, com a garantia de R$ 1,88 bilhão em recursos para estocagem, financiamento, custeio e recuperação de cafezais. Para esta última foi criada uma linha de crédito especial no valor de R$ 90 milhões para recuperar lavouras atingidas pela chuva de granizo em Minas Gerais.

Recursos para a estocagem de café foram ampliados. Esse será um item importante para o produtor nessa passagem de ano já que os preços que hoje não são considerados remunerados tendem a aumentar nos primeiros meses de 2009.

O ministro interino informou que a Pasta de Agricultura está preparando uma portaria interministerial para ampliar o valor das linhas de financiamento de estocagem em R$ 302 milhões, passando para R$ 1,2 bilhão. A medida deve garantir uma formação de estoques por parte do setor privado da ordem de 6 milhões de sacas.

"Com os recursos do governo os produtores estão mais preparados para segurar o produto, acreditando numa situação de melhora que o mercado já está sinalizando", avalia Gil Barabach, analista da Safras & Mercado.

Os produtores do cerrado mineiro estão apostando nessa alta. De acordo com Belchior dos Reis Machado, representante comercial da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocaccer), das 520 mil sacas recebidas pela associação esse ano, 460 mil ainda estão armazenadas e mais da metade ainda está sem comprador. "O produtor espera preços melhores. O fato da próxima safra ser menor e a possibilidade do clima prejudicá-la também influencia", disse Machado.

O Estado de Minas, maior produtor de café do Brasil, poderá ter uma quebra de safra devido a fatores climáticos. As chuvas de granizo que atingiram a região no mês de setembro podem ter comprometido mais de 32 mil hectares das lavouras de café e a recuperação dos cafezais atingidos pode levar até três anos. Os maiores estragos foram no sul de Minas, mas também houve ocorrências na Zona da Mata.

Não é apenas o excesso de chuvas que poderá comprometer a safra. O nível de deficit hídrico que atinge alguns municípios nesse período do ano já é motivo de preocupação. Segundo Joaquim Goulart, gerente de desenvolvimento técnico da Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), está faltando chuva na região que a cooperativa abrange "Tanto em outubro quanto novembro o volume ficou abaixo da média", afirmou.

Em Guaxupé ainda não está prevista uma quebra de safra, mas com a cidade há 14 dias sem chuva os produtores não param de olhar para cima. "Se a estiagem persistir o resultado pode ser um menor rendimento da lavoura, prejudicando principalmente o tamanho e a formação do grão", destacou Goulart.

As estações meteorológicas mantidas pela Cooxupé indicam no acumulado do ano déficit hídrico para os municípios de Monte Carmelo (370 mm), Coromandel (334 mm), Rio Paranaíba (230 mm), Nova Resende (154 mm), Cabo verde (143 mm), Carmo do Rio Claro (137 mm), Guaxupé (132 mm), Monte Santo (131 mm) e São José do Rio Pardo (125 mm).

A boa notícia é que segundo André Madeira, meteorologista da Climatempo, a previsão para dezembro é de um bom volume de chuvas, bem distribuída. "Chuvas muito fortes só estão previstas no Jequitinhonha, na região da Zona da Mata", disse. No norte do Paraná, região produtora que enfrenta problemas climáticos, o período de estiagem deve se estender por pelo menos 10 dias. A matéria, de Priscila Machado, foi publicada no Diário do Comércio e Indústria/SP, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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Roberto Guimarães Rivera de Rezende
ROBERTO GUIMARÃES RIVERA DE REZENDE

VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 05/12/2008

Para se ter um parâmetro, a tonelada de uréria em 2006 era cotada a R$ 600 a tonelada. Em nov/2008, chegou a ser cotada a R$ 1.400! O preço da saca de café continua a mesma de anos passados...
Marcelo Reis Pereira
MARCELO REIS PEREIRA

SÃO GONÇALO DO SAPUCAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 03/12/2008

Blindagem contra a crise? Onde estão os recursos, pois até agora só ocorreu redução da oferta de crédito. E a renda do cafeicultor?
GINOAZZOLINI NETO
GINOAZZOLINI NETO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 03/12/2008

Recuperar cafezais não é problema pontual, como apenas chuva de granizo, por exemplo. E a desbrota, a poda e outros tratos, entram onde?