Produtores apostam em cafés mais finos

No que depender dos planos dos produtores, no futuro o Brasil vai vender cafés como a França e a Itália comercializam vinhos. Com a vantagem adicional de se manter como maior produtor de matéria-prima e o segundo consumidor mundial. Também oferecerá sabores cobiçados por especialistas e atrairá investimentos na produção e no marketing das bebidas com a possibilidade de alcançar altos lucros.

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No que depender dos planos dos produtores, no futuro o Brasil vai vender cafés como a França e a Itália comercializam vinhos. Com a vantagem adicional de se manter como maior produtor de matéria-prima e o segundo consumidor mundial. Também oferecerá sabores cobiçados por especialistas e atrairá investimentos na produção e no marketing das bebidas com a possibilidade de alcançar altos lucros.

Neste ano, o Brasil deve colher 43,54 milhões de sacas de 60 quilos de café, das quais 30 milhões serão exportadas, com receitas de US$ 7 bilhões. A produção é de um milhão de sacas de cafés especiais, cuja cotação internacional é cerca de 30% maior. O mercado interno consome 300 mil sacas desses itens mais finos.

A recuperação de preços nos cafés tradicionais se reflete nos especiais. Uma demonstração do novo mercado que vai se consolidando foi o recorde do valor alcançado, durante o 11º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil - Cup of Excellence 2010, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), pela Alliance for Coffee Excellence (ACE) e pela Agricoffee Consultoria em Café.

Um consórcio formado pelas empresas japonesas Saza, Ponpon, Tabei e Maruyama e pela brasileira Lucca Cafés Especiais deu um lance de US$ 25,05 por libra peso do café da Fazenda Grota São Pedro, em Carmo (MG). Isso equivale a US$ 3.313,49 por uma saca - ao todo, foram 20. O produtor recebeu US$ 66.271,03. O valor total de US$ 738.506,40 pago pelos cafés ofertados foi o mais elevado em todas as edições do Cup of Excellence realizadas no mundo, afirma o presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Luiz Paulo Dias Pereira Filho.

Orgânico

O técnico em Planejamento Energético e Ambiental Márcio Jório produz café orgânico em cinco hectares no Lago Oeste, no Distrito Federal. Com 10 mil mudas dos tipos cataui-rubi, bourbon e iapar 59, a colheita é vendida a restaurantes de Brasília e entregue sob encomenda para brasileiros que levam o produto para degustá-lo no exterior. "Nessa semana, embarquei um lote para uma brasileira casada com um italiano que sempre vem ao Brasil comprar nosso café. Também mandamos para Trieste, uma cidade que cheira a café e que tem linha direta com o Porto de Santos", revela.

A matéria é de Jorge Freitas, para o Correio Braziliense, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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