Produtor não tem acesso aos financiamentos oficiais

Apesar de o governo ter elevado a oferta de crédito para o campo na safra 2008/09, o produtor rural não está conseguindo acessar os financiamentos de custeio e de investimento, em decorrência da morosidade do setor público. O atraso na liberação do crédito deve impactar ainda mais no aumento dos preços dos insumos agrícolas, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

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Apesar de o governo ter elevado a oferta de crédito para o campo na safra 2008/09, o produtor rural não está conseguindo acessar os financiamentos de custeio e de investimento, em decorrência da morosidade do setor público. O atraso na liberação do crédito deve impactar ainda mais no aumento dos preços dos insumos agrícolas, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Segundo a entidade, os produtores rurais não conseguem contratar os financiamentos com taxa de juro de 6,75% anuais no Banco do Brasil porque o governo precisa autorizar a liberação da chamada equalização, a diferença entre a taxa de juro do crédito contratado e a da captação de recursos no mercado (taxa Selic), nos atuais 13% anuais.

Para liberar a chamada equalização, o Conselho Monetário Nacional (CMN), constituído pelos ministérios da Fazenda, Planejamento e Orçamento e Banco Central, precisa publicar uma resolução, em que autoriza o Tesouro Nacional a arcar com a diferença de 6,25 pontos percentuais entre a taxa Selic e juros do crédito rural. "O Banco do Brasil não está liberando os recursos na espera da autorização dessa medida, pois o banco não quer conceder o empréstimo sem a garantia da resolução", disse o presidente da comissão nacional de crédito rural da CNA, Carlos Sperotto. A expectativa é de que a medida seja publicada em 31 deste mês, a próxima reunião do CMN.

O Banco do Brasil nega que a liberação de crédito agrícola esteja atrasada. Por meio da assessoria de imprensa, a instituição financeira declarou que suas agências estão autorizadas a antecipar os recursos até que o CMN publique a resolução. Entre os ministérios, ninguém assume a culpa do atraso da liberação do crédito. "O Ministério da Agricultura já fez o pleito dele (aumento da oferta de recursos), agora o prazo para a liberação da medida é com a Fazenda", explicou o ministério da Agricultura, através da assessoria.

Para a nova safra, o governo anunciou valores de R$ 78 bilhões, R$ 13 bilhões acima da safra anterior. A idéia é elevar os recursos financeiros justamente para aumentar a oferta de produtos na praça e reduzir o impacto do aumento dos preços agrícolas que é puxado pelo o mercado externo. Segundo Sperotto, o atraso dos recursos pode elevar ainda mais os preços dos produtos agrícolas, pois os produtores devem comprar os fertilizantes com valores maiores do que os atuais.

O presidente da comissão nacional de crédito rural da CNA lembra que o governo também não autorizou o fim da taxa flat de 4% que incide sobre os financiamentos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), criada em 2004. O fim da taxa foi anunciada no plano agrícola, no inicio deste mês, para reduzir a taxa de juro nos empréstimos de investimentos no âmbito do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadoras (Moderfrota). As informações são da Gazeta Mercantil.
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Jorge Humberto Toldo
JORGE HUMBERTO TOLDO

JUSSARA - GOIÁS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 30/07/2008

Grande novidade, desde que o governo civil assumiu o país tem sido assim. Sempre são anunciados pacotes milhonários e aí a opinião pública acha que os produtores choram de barriga cheia. Juros subsidiados, dinheiro a vontade, comprar camionete nova, etc., vai no banco para ver!

Acontece que antigamente o Banco do Brasil era do Brasil, hoje é de investidores que querem seu lucro garantido, e para esse pessoal é impossível de assimilar que devem emprestar dinheiro a 6,75% a.a. se estão emprestando a 5, 6, 10% ao mês.

Mais uma vez voltamos a mesma história, mas não desistamos, ano que vem vai dar certo.
Paulo Luís Gonçalves Campelo
PAULO LUÍS GONÇALVES CAMPELO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 29/07/2008

A informação de que o Governo aumentou de 65 para 78 bilhões de Reais a disponibilidade de crédito para o Setor Agrícola na safra 2008/2009 é preocupante. Esse montante deveria sofrer um incremento compatível com o assombroso aumento de custo de produção de mais de 100% em relação à safra anterior.
Guilherme Pinezzi Honório
GUILHERME PINEZZI HONÓRIO

MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 28/07/2008

De nada adianta vermos uma bela notícia de aumento de verbas no Jornal Nacional, sendo que na mesa do gerente do banco do Brasil a conversa é outra.

Estou com um financiamento parado a mais de 80 dias e a desculpa é sempre a mesma: a velha "burocracia".

O interessante é que se esse financiamento para compra de matrizes fosse liberado quando dei entrada com os papéis, meu poder de compra seria 1,5 vezes maior do que se fosse liberado hoje. (vide alta na reposição)

Mas como cada nação tem o governo que merece, a nós só resta lamentar.
Douglas Fabricio Murgo Giroto
DOUGLAS FABRICIO MURGO GIROTO

MARÍLIA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 28/07/2008

Os produtores rurais estão alvoroçados e impacientes para começarem a retirar os empréstimos.

Os meios de comunicação anunciaram que os produtores poderiam se encaminhar às agências do Banco do Brasil logo na segunda-feira depois que o presidente anunciou o plano de safra 2008/2009, mas estamos até hoje esperando a liberação dos recursos para começarmos a elaborar os projetos técnicos.