Previsão de Clima: La Niña favorece chuva na colheita
A última simulação climática continua indicando enfraquecimento do fenômeno La Niña atual até o mês de maio, com o retorno da neutralidade a partir do próximo inverno. Com o cenário de enfraquecimento da La Niña, a previsão para o período de colheita é de alguns episódios de chuva. Não teremos um outono e um inverno chuvosos, mas os episódios poderão trazer transtornos às atividades de colheita.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 5 minutos de leitura
Com uma tendência de neutralidade climática para meados do ano, as ondas de frio poderão avançar livremente pelo país, favorecendo declínio acentuado da temperatura. À medida em que avançamos no tempo, maior passa a ser a confiabilidade na previsão da temperatura absoluta. Dois simuladores indicam ondas de frio chegando às áreas produtoras de café entre o final do outono e decorrer do inverno. Nenhum simulador indica, no entanto, temperatura baixa o suficiente para trazer geadas às áreas produtoras.
Um simulador indica para o norte do Paraná e sul de Minas Gerais mínimas em torno dos 5°C por volta dos dias 30 de maio, 16 e 17 de junho, 28 de junho e 26 de julho. Já um segundo simulador indica a entrada de apenas uma onda de frio, com mínima em torno dos 6°C por volta do dia 10 de julho. Tanto uma como outra simulação são preliminares e há necessidade de novas análises nos próximos meses para confirmarmos valores e datas.
Por fim, vale salientar que nenhuma simulação indica ondas de frio sobre o país a partir de agosto. Neste ano, as ondas de frio ficarão restritas a um período mais curto.
Previsão por área
Cerrado
As chuvas diminuíram no Cerrado a partir da segunda quinzena de fevereiro. Em Patrocínio, por exemplo, não foram registradas chuvas de mais de 10mm em 24 horas entre 16 de fevereiro e 04 de março. Entretanto, tudo indica que até o final deste mês de março, há previsão de grandes acumulados novamente. Para o outono, espera-se muita variação com períodos secos alternados com chuvas fortes e de curta duração.
Em abril, por exemplo, na primeira quinzena, espera-se um desvio negativo na casa dos 50% na primeira quinzena e em torno da média na segunda quinzena. Em maio, novamente há previsão de precipitações abaixo da média na primeira quinzena, com desvio em torno dos 50% e acima da média, com desvio em torno dos 25%, na segunda quinzena. Este desvio positivo, aliás, também está associado à onda de frio prevista em um dos simuladores (30 de maio).
Toda vez que uma frente fria muito intensa chega ao Sudeste durante o outono e inverno, há previsão de chuvas fortes e de curta duração em toda a Região. Em junho, registraremos precipitações abaixo da média na primeira quinzena, com desvio negativo em torno de 30%, e em torno da média na segunda quinzena.
Chamamos a atenção para o mês de julho, onde pelo segundo mês há previsão de precipitações bem acima da média (a média é bastante baixa neste mês, diga-se de passagem). De qualquer forma, registraremos eventos de precipitação tanto na primeira como na segunda quinzena. O desvio chega a 20% e a quase 120%, respectivamente.
Já em agosto, além da previsão de calor, esperam-se precipitações bem abaixo da média com desvios negativos de 65% na primeira quinzena e de 75% na segunda quinzena.
Sul de Minas
O outono deverá começar mais seco que o normal no sul de Minas Gerais neste ano, com previsão de precipitações abaixo da média tanto na primeira como na segunda quinzena. Em abril, o desvio chega a 45% e a 25%, respectivamente. Na primeira quinzena de maio, ainda há previsão de precipitações abaixo da média, com desvio em torno dos 20%. Entretanto, na segunda quinzena, uma frente fria deverá gerar chuvas fortes e com curta duração. O desvio positivo neste período deverá chegar a 10% no sul de Minas Gerais.
A partir daí, entre junho e julho, frentes frias deverão sempre gerar precipitações entre a média e acima da média. Na primeira quinzena, não há previsão de anomalia, mas na segunda quinzena, o desvio chega a 40%. Em julho, o desvio positivo chega a 60% na primeira quinzena e a 25% na segunda quinzena. Já em agosto, registraremos uma situação oposta, com previsão de precipitações abaixo da média e temperaturas mais elevadas que o normal.
Sul da Bahia
Depois de um verão com chuvas irregulares, o outono promete registrar precipitações entre a média à ligeiramente acima da média por conta de três sistemas meteorológicos: ondas de leste, ventos alíseos e frentes frias. Diferentemente do último ano, quando as chuvas mais intensas ficaram concentradas sobre o Rio Grande do Norte, neste ano, espera-se uma situação mais próxima da normalidade em boa parte do leste do Nordeste e norte do Espírito Santo. Em abril, não há previsão de anomalias.
Já em maio, a simulação indica desvios positivos de 40% na primeira quinzena e de 65% na segunda quinzena. Para junho, espera-se normalidade na primeira quinzena e desvio positivo de 20% na segunda quinzena. A partir de junho, há previsão de maior irregularidade. Na primeira quinzena, a precipitação será 30% menor que o normal e, na segunda quinzena, a precipitação será 25% maior que o normal. Em agosto, segue a irregularidade com desvio positivo de 30% na primeira quinzena e desvio 10% abaixo da média na segunda quinzena.
Norte do Espírito Santo
Assim como o sul da Bahia, o norte do Estado do Espírito Santo deverá registrar um outono bem mais úmido que o observado em 2008. Entretanto, os desvios não serão tão significativos como no sul da Bahia. Em abril, espera-se normalidade na distribuição das chuvas. Em maio, na primeira quinzena, há previsão de chuvas até 25% acima da média, mas na segunda quinzena, observaremos desvio 10% negativo. Esse desvio negativo prosseguirá na primeira quinzena de junho, com valor em torno dos 25%. Já na segunda quinzena do mês, espera-se normalidade.
Julho e agosto apresentarão irregularidade na distribuição das precipitações. Em julho, espera-se desvio negativo de 20% na primeira quinzena e de 35% acima da média na segunda quinzena. Já em agosto, há previsão de precipitações 15% acima da média na primeira quinzena de de 25% abaixo da média na segunda quinzena.
Norte do Paraná
Assim como o sul de Minas Gerais, o norte do Paraná (e o Estado de São Paulo) deverão começar o outono com tempo mais seco e terminar a estação com episódios de chuvas intensas e rápidas. Em abril, há previsão de precipitações 25% abaixo da média, tanto na primeira como na segunda quinzena. Maio também começará mais seco que o normal com desvio negativo de até 20%.
Entretanto, a partir da segunda quinzena de maio, frentes frias intensas deverão avançar pelo país e provocar chuvas fortes e de curta duração. Na segunda quinzena de maio, o desvio positivo nas precipitações chega a 30%. Em junho, os desvios positivos chegam a 35% na primeira quinzena e a 40% na segunda quinzena. Em julho, os desvios positivos chegam a 20% na primeira quinzena e a 50% na segunda quinzena. Apenas em agosto, a situação se inverte com previsão de desvio negativo em torno dos 20% na primeira quinzena e próximo da média na segunda quinzena.
Celso Oliveira, meteorologista da Somar Meteorologia
Equipe CaféPoint
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no CaféPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
CaféPoint
O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!