Presidente da Cooabriel analisa mercado de café conilon

Antônio Joaquim de Souza Neto, presidente da Cooabriel (Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel), fala sobre a situação dos estoques de passagem de café conilon, consumo e exportação, o impacto da nova safra nesses estoques, e a tendência dos preços do café em 2010, no Brasil.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 2
Ícone para curtir artigo 0

O CaféPoint está fazendo um levantamento de informações sobre a situação dos estoques de passagem de café, a relação com consumo e exportação, o impacto da nova safra nesses estoques, e a tendência dos preços do café em 2010, no Brasil.

Antônio Joaquim de Souza Neto, presidente da Cooabriel (Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel), fez uma breve análise sobre a atual situação do mercado de café conilon no Brasil.

O consumo e exportação de café vem crescendo no Brasil a cada ano, enquanto os estoques de passagem estão diminuindo. Antônio afirma que o estoque de café conilon no Brasil não chega hoje a 1 milhão de sacas. "Se computarmos o que é preciso para atender a indústria de solúvel, o mercado interno e um percentual para a exportação, esse volume não dará para um mês", acrescenta ele.

O presidente da cooperativa concordou que o consumo de café vem crescendo muito no Brasil. "Foram 18 milhões de sacas em 2009. Se considerarmos uma projeção de 29 milhões de sacas para a exportação, necessitaríamos, portanto, produzir 47 milhões de sacas".

Antônio Joaquim Neto comenta que o mercado interno vive uma situação difícil e o preço para a exportação também está ruim. "Não estamos conseguindo comercializar a um preço melhor e estamos sendo obrigados a entregar o café a preços muito baixo, o que vem prejudicando o produtor de café conilon que está tendo dificuldade em manter os custos de produção da lavoura. Vemos um desânimo geral no campo. Fala-se em abandono de lavoura e consequentes desempregos no campo", declara ele.

O café que vem sendo comercializado é um café básico tipo 7 a 7/8, relativo à safra passada, assegura o presidente da Cooabriel.

"Nesta safra, considerando a falta de chuva no período da granação, sabemos que o tamanho do grão, será prejudicado e refletirá na produção, mas apostamos na mudança de hábito do cafeicultor no processo de colheita e secagem, pois vem se conscientizando na colheita de café em 80% de grãos maduros e no aumento do tempo de secagem (em secador). Fatores que sabemos irá refletir no sabor e aroma do café (sensorial).

Ainda sobre qualidade, vale ressaltar que os cafeicultores de café conilon têm melhorado substancialmente seus cafés, fruto de um trabalho de conscientização que a Cooabriel vem desenvolvendo por cerca de três décadas nas várias áreas de produção e estruturais do café. Há cerca de sete anos ela lançou um concurso de qualidade do café "Conilon de Excelência Cooabriel" que premia os melhores cafés da variedade conilon produzidos pelos seus sócios. A 7ª edição do Concurso vai premiar em setembro próximo os 20 melhores lotes de café conilon da safra 2010, explica Antônio.

De acordo com Antônio, a safra que está sendo colhida não será suficiente para repor os estoques de café. "A falta de água no período da granação (dezembro a fevereiro) prejudicou o desenvolvimento do fruto. Vemos que em nossa área de ação, norte e noroeste do Espírito Santo e Sul da Bahia, os sinais já estão aparecendo na colheita dos primeiros cafés, com quebra na secagem em cerca de 10 sacas por secador. Vemos que se isto continuar teremos uma quebra em torno de 20% no peso do grão e que vai refletir na quebra de produção em cerca de 2 milhões de sacas no Espírito Santo. Acho que não chegaremos a 7 milhões de sacas no Espírito Santo", conclui ele.

O presidente da cooperativa destaca ainda "que cerca de 5,5 milhões de sacas de café conilon são utilizadas na composição do café torrado e moído. Ainda tem a utilização em café solúvel e a exportação do café em grão (verde). Não haverá sobra."

Em relação aos preços do café no mercado interno esse ano, Antônio afirma que a situação de preço é realmente ruim. "Não vemos reação de preços nesse período de safra brasileira (que começa agora com o café conilon e termina com o arábica até mais ou menos nos meses de setembro/outubro próximo). Talvez uma reação no final do ano".

Finalizando a explanação, Antônio Joaquim Neto comenta sobre a participação do Brasil como agente formador dos preços no mercado internacional. "Um dos grandes problemas é que 06 grandes empresas mundiais controlam os preços do café verde. Acho que só conseguiríamos uma reação bem interessante se exportarmos café industrializado. Sairmos da condição de fornecedor de matéria-prima para exportador de produto industrializado.

Algumas situações, seguramente, deveriam ser analisadas, como por exemplo a sobretaxa de 9%sobre o café solúvel brasileiro cobrado pela União Européia. Uma situação que o Governo Brasileiro deveria intervir para aumentar o volume da exportação desse produto".

Antônio encerra dizendo que tudo depende da união de todos os elos da cadeia produtiva do café, especialmente dos cafeicultores.

Veja artigo relacionado: Eduardo Santos (CeCafé): situação do mercado de café

Natália Fernandes, Equipe CaféPoint, com informações de Antônio Joaquim de Souza Neto (Cooabriel).
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no CaféPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 2
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto CaféPoint

CaféPoint

O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

MARCOS ANTONIO DE NARDE SALLES
MARCOS ANTONIO DE NARDE SALLES

ARACRUZ - ESPÍRITO SANTO - TRADER

EM 27/11/2012

MERCADO ESTA MUITO DOVIDOSO,MAS E ASSIM Q O MERCADO ANDA.
Marcos Vinícius Venturini Rodrigues
MARCOS VINÍCIUS VENTURINI RODRIGUES

LINHARES - ESPÍRITO SANTO - ESTUDANTE

EM 23/04/2010

Concordo plenamente com a conclusão de Antônio.
Se não houver uma união principalmente dos produtores, o preço do café não irá sofrer alta, independente se está produzindo com qualidade e tecnologia ou não.
E essa idéia de fornecer o produto já industrialzado, o preço do café concerteza irá aumentar.
Vamos disseminar essa informação.