Preços atuais do café podem comprometer as exportações futuras

A partir de 2009, caso não haja, no curto prazo, uma recuperação nos preços, a qual promova a volta da rentabilidade ao setor produtivo, os excedentes exportáveis podem cair para níveis inferiores aos registrados atualmente. Portanto, a chave para que o Brasil não perca espaço no mercado externo está nos preços pagos aos produtores. Não há como pensar em competitividade e aumento de participação no mercado sem o cafeicultor receber, por seu produto, uma remuneração que, no mínimo, cubra seus custos de produção. Vender o café por menos do que ele custou e aumentar a produção, definitivamente, é uma equação que não fecha.

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A previsão da safra 2008 de café do Brasil, cuja colheita deve começar daqui a 90 dias, indica um equilíbrio entre oferta e demanda. De acordo com dados do Dcaf (Departamento do Café), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o país exportou, em 2007, um total de 28.007.460 sacas de 60 kg, volume próximo ao recorde de 28,4 milhões de sacas alcançado em 2002.

No que se refere ao consumo, estamos aumentando o volume a cada ano, tendo atingido, conforme a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), 17,1 milhões de sacas em 2007 - desempenho que vem sendo alcançado graças ao Programa de Marketing desenvolvido pelo Ministério da Agricultura, com recursos do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira).

Segundo projeções realizadas por nosso departamento técnico, com a previsão da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) - em conjunto com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) -, que apontou a safra em até 44,2 milhões de sacas em 2008, e um consumo interno projetado pela Abic em torno de 18 milhões de sacas, será possível repetir, este ano, os níveis exportados em 2007.

Entretanto, a partir de 2009, caso não haja, no curto prazo, uma recuperação nos preços, a qual promova a volta da rentabilidade ao setor produtivo, os excedentes exportáveis podem cair para níveis inferiores aos registrados atualmente. Portanto, a chave para que o Brasil não perca espaço no mercado externo está nos preços pagos aos produtores. Não há como pensar em competitividade e aumento de participação no mercado sem o cafeicultor receber, por seu produto, uma remuneração que, no mínimo, cubra seus custos de produção. Vender o café por menos do que ele custou e aumentar a produção, definitivamente, é uma equação que não fecha.

Para reverter este quadro, é necessário, sim, desenvolvermos políticas que promovam melhor distribuição de oferta no longo prazo, proporcionem renda aos produtores e permitam a realização de novos investimentos, os quais aumentem a produtividade e reduzam os custos. Infelizmente, encontramos setores do agronegócio que vêem a execução de políticas que permitam a sustentação econômica dos produtores como medidas artificiais. Não entendem eles que artificial é sustentar os níveis atuais da produção brasileira sem correspondência na geração de renda para o setor. Nos níveis atuais de preço, o caminho da produção nacional será inverso ao necessário salto de produção demandado pelo mercado.

O CNC irá continuar na sua luta para promover políticas de curto, médio e longo prazos, as quais proporcionem a sustentação econômica e social, bem como a competitividade da atividade, permitindo, dessa maneira, o desenvolvimento do agronegócio café do Brasil, visando sempre à geração de renda ao produtor, sem a qual se torna insustentável a cafeicultura.

Gilson Ximenes
Presidente
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Israel
ISRAEL

ROMARIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 13/01/2008

Esta é uma situação bastante delicada. Nós produtores já conseguimos um aumento de produção para ver se nos tornamos mais competitivos. Investimos em tecnologia, irrigação ,tratos culturais. Fizemos nossa parte. Depois, o mercado nos cobrou mais qualidade no nosso café, produzido com bastante empenho e algumas técnicas novas também. Conseguimos uma melhor qualidade no nosso produto final... só que isso fez aumentar ainda mais nosso custo, enquanto o preço para o produtor não melhorou nada. Resumindo: somos muito exigidos em qualidade, mas muito mal remunerados pelo custo final de nosso produto.